17 de fevereiro, de 2013 | 00:00

Reintegração ao convívio familiar

Serviço Família Acolhedora, implantando há quatro anos em Fabriciano, é modelo na região

FABRICIANO - Assegurar o direito à convivência familiar e comunitária às crianças e adolescentes, vítimas de abandono, negligência e formas múltiplas de violência, é o objetivo do Serviço Família Acolhedora, implementado há quatro anos no município. Atualmente com seis famílias aptas para receber meninos e meninas em condições de vulnerabilidade sócio-emocional, a iniciativa é destaque na região.
Gerente de Proteção Social Especial de Coronel Fabriciano, Patrícia Nunes, explica que o serviço, que existe em poucas cidades do país, é uma realidade no município desde 2009. O intuito é possibilitar uma alternativa ao acolhimento institucional de crianças ou adolescentes que precisam ser afastadas dos responsáveis legais por motivos de abandono ou violação de direitos, em período provisório.
Atualmente, são 51 crianças em condição de acolhimento institucional e duas sob cuidados de famílias acolhedoras no município. A política pública de apoio e proteção social especial, segundo Patrícia, possibilitou mudar a realidade de crianças antes esquecidas nos abrigos de Fabriciano.
"Trabalhamos a perspectiva de reintegração da criança. Acredito que o cuidado individualizado e em uma família saudável possibilita à criança restabelecer o contato social, proporcionando recuperação emocional e melhor convivência familiar", observou.
 
Na avaliação da gerente do serviço, a iniciativa, que conta com uma assistente social, psicólogo e advogado, resultou no retorno mais rápido dos jovens afastados do lar às famílias responsáveis - proposta que representou um "rompimento de padrões". "Quando implantamos vivenciamos uma situação de não termos vagas nos abrigos de Fabriciano. O serviço, de fato, tem sido um sucesso. Conseguimos mobilizar mais recursos para que o retorno aconteça", ponderou.
Desafio
Conforme Patrícia Nunes, o maior desafio no acolhimento provisório é a família não criar vínculo com a criança. "Não tem sido fácil captar famílias para acolher as crianças. O processo é criterioso e a família precisa ter um perfil para ser acolhedora. Ela precisa se dispor afetivamente e emocionalmente para receber a criança", ressaltou.
Segundo ela, ao acolher provisoriamente meninos e meninas, as famílias candidatas são conscientizadas da diferença entre o acolhimento e a adoção. "O serviço de família acolhedora, atende crianças cuja condição indica possibilidade de retorno à família progenitora. Nos casos que a perspectiva desse retorno é remota, isso não é indicado para não vitimizar novamente a criança", explica.
Cadastro
Para os interessados em assumir o papel de parceiros no atendimento à criança em situação de vulnerabilidade e na preparação para o possível retorno aos responsáveis legais, o Serviço de Proteção Especial funciona no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), localizado à rua Amazonas, nº 148, no Bairro dos Professores.
As famílias ou pessoas selecionadas passam por quatro fases: visitas domiciliares; entrevista; preenchimento de relatório psicossocial e capacitação na área de criança e adolescente. Após essas etapas, poderão acolher meninos e meninas por um período que varia entre seis meses e um ano e meio, ou conforme determinação judicial. Nesse período, são realizados esforços visando restaurar as condições para que a família de origem receba novamente sua criança ou adolescente.
A concessão de guarda, por tempo determinado, à família acolhedora é concedida pela Vara da Infância e da Juventude do município e tem consentimento do Conselho Tutelar.
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