27 de fevereiro, de 2013 | 22:21

Desafio na educação é tema de palestra para educadores

Palestrante do Rio de Janeiro traz uma mensagem positiva sobre a educação no Brasil

FABRICIANO – “A vida sem a música seria um erro”. Disse Friedrich Nietzsche, o filósofo alemão preferido da psicóloga e psicanalista em Elaboração e Implementação de Políticas Públicas, Viviane Mosé, convidada pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura para ministrar uma palestra sobre o tema “Os Desafios da Educação na Nova Sociedade do Conhecimento”. O evento realizado na noite de terça-feira (26), na Catedral de São Sebastião marcou, oficialmente, o início do ano letivo na rede municipal de ensino.
E foi exatamente com música que o evento começou. Os músicos Domingos Tibúrcio, Marcos Vaz e Diny, trouxeram as composições “Sonho que se sonha só” do compositor Raul Seixas e a poesia de Vinícius de Moraes, Rosa de Hiroshima, musicada pelo grupo Secos e Molhados, aos ouvidos das mais de 800 pessoas que estavam presentes, dentre elas, educadores, alunos e comunidade.
A secretária municipal de Educação e Cultura, Glória Giudice, frisou que “eventos como esse são muito importantes para a reformulação de um novo plano de ensino. Lutar para uma educação de qualidade é um desafio que cada educador deve enfrentar. Viviane Mosé faz um ótimo trabalho ao traçar os novos caminhos para a modernização do ensino escolar”, ponderou.
Viviane Mosé fez uma rápida contextualização sobre a história da educação no Brasil. Identificando atrasos na evolução do ensino escolar como a evolução industrial do Brasil nos anos 1950, criando escolas de massa e a Ditadura Militar que deixou várias heranças negativas, como a vergonha de sermos inteligentes. “A Ditadura foi prejudicial por diversos fatores, mas principalmente na educação. Muitos professores sofreram com a opressão, deixando na mentalidade social o medo do conhecimento, mesmo depois de tantos anos”, afirmou.
Apesar dos atrasos que o Brasil teve em seu processo de educação, Mosé destaca que os tempos são outros e que nem tudo que os jornais informam sobre a educação no país é verdadeiro. “Tenho acompanhado muitas escolas em todos os estados do Brasil, percebo que estão acontecendo avanços significativos. O projeto de escola integral é o futuro, mas precisa ser bem pensado. O aluno deve ter mais aulas práticas e o professor precisa desenvolver seu senso criativo”, opinou. Segundo a palestrante o professor deve ensinar de acordo com a demanda do aluno, desenvolvendo sua capacidade intelectual. “Não é importante para o aluno aprender o que é um tritongo, ditongo e hiato”, defende.
Conexão
A palestrante enfatizou que o Brasil deve jogar fora todo conteúdo desnecessário e ultrapassado. Deve pensar em uma nova forma de provocar o aluno que está conectado nas redes sociais, que tem as mais diversas informações das mais variadas fontes. “Vivemos em uma sociedade colaborativa, quem está conectado às redes tem a possibilidade de pesquisar, analisar e discutir sobre qualquer assunto. E o aluno está conectado nessas redes e deve encontrar o mesmo espaço de interação na sala de aula,” observou Viviane Mosé.
Com o enfraquecimento do poderio econômico dos EUA e da crise econômica em diversos países da Europa, Mosé coloca o Brasil como o país do futuro ao lado de outros como a Rússia e a China, mas alertou: “o Brasil vive do crescimento interno e vende para ele mesmo. Mas com o crescimento econômico o Brasil tem herdado as mazelas dos outros países”.
Por fim, a psicóloga reafirmou que é crucial uma reforma no método de ensino escolar e para isso é preciso professores com coragem, com poder de improviso para fazer mudanças inesperadas na forma de dar aula. “Não podemos ficar presos em métodos que já não davam certo no século XVIII. Somente através da arte é que conseguiremos formar cidadãos pensantes, autônomos. Acredito que com a modernização no ensino pedagógico escolar o Brasil em 10 anos estará evoluído na educação”, projetou.
Viviane Mosé é mestra e doutora em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre 2005 e 2006 escreveu e apresentou o quadro “Ser ou não Ser”, do “Fantástico”, que trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana. Atualmente, é sócia e diretora de conteúdo da “Usina Pensamento” e apresenta, diariamente, na Rádio CBN, junto com Carlos Heitor Cony e Artur Xexéo, o “Liberdade de Expressão”.
Nova reflexão sobre o cenário da educação
Com a expectativa de que o Brasil evolua em uma década, a palestrante Viviane Mosé abriu ao final da sua explanação espaço para questionamentos do público.
Maria Luiz, coordenadora da Escola Municipal Said Albeny, disse que “a palestra proporcionou uma nova reflexão sobre o cenário da educação no Brasil. Abrindo os olhos para Tentar entender esse novo aluno que entra pela porta da escola repleto de informação. Aprendemos que para atender à demanda desse aluno é preciso lutar contra a fragmentação do ensino”, disse.
O professor de música, Edivaldo da Costa Alves, por sua vez, enfatizou que cada palavra dita por Viviane Mosé foi incentivadora para ele que mantém o desejo pela reforma do ensino. “Tenho enfrentado muito preconceito na minha forma de dar aula, mas depois de tudo que foi falado pela palestrante fico mais tranquilo de saber que estou no caminho certo,” citou Edivaldo.
(*) Estudante de Comunicação Social/Jornalismo do Unileste
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