12 de março, de 2013 | 00:00
Mãe cobra paradeiro do filho desaparecido
Dona de casa faz desabafo pedindo ajuda por informações que esclareçam o sumiço de Luiz Paulo
IPATINGA - A dona de casa Ivone José da Silva, 50 anos, é de poucas palavras. O sofrimento por falta de respostas do paradeiro do filho, Luiz Paulo Gonçalves, desaparecido há dois anos, mudou o ânimo da moradora do bairro Iguaçu. Ivone diz se sentir desamparada. As memórias do filho permanecem vivas para ela, para os amigos e demais familiares, mas Ivone acredita que o caso parece cair no esquecimento da Justiça e da sociedade. "O pior é não saber o que houve, não ter uma resposta", desabafa.O apartamento da dona de casa, na rua Turfa, é pequeno. Em um canto da sala, Maria Luíza, de quatro anos, brinca espalhando os potinhos de tinta em cima de folhas brancas. "Ela ainda lembra e sempre pergunta pelo pai. Eu estava vendo um DVD com fotos do Luiz Paulo quando ela disse que a gente tinha que entrar lá (no televisor) para tirar ele", diz Ivone, sentada no sofá, junto à mesa de canto com a TV.
Luiz Paulo Gonçalves desapareceu em 19 de janeiro de 2011, à época com 23 anos, junto com o amigo DJ Nayron Márcio Pereira de Souza, de 20 anos. Os dois, que moravam no bairro Iguaçu, sumiram após saírem juntos de um churrasco entre amigos, no bairro Cariru, em Ipatinga. O veículo utilizado pelos dois jovens foi localizado pela polícia cinco dias depois, abandonado no município de Nova Era. Equipes do Corpo de Bombeiros trabalharam na busca pelos corpos ou indícios que apontassem o paradeiro dos desaparecidos. Nada foi encontrado.
Uma notícia recentemente divulgada pela imprensa regional trouxe esperanças a Ivone por esclarecimentos do caso. Restos mortais de uma ossada humana encontrada em maio do ano passado, na estrada de acesso ao povoado de Ipabinha, no município de Santana de Paraíso, revelavam indícios de uma pessoa morta na mesma época do desaparecimento dos jovens. Amostras de sangue da mãe do amigo de Luiz Paulo foram colhidas para o exame de DNA no Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Belo Horizonte.
"Quando vi a manchete fiquei muito nervosa, não li direito a notícia, a pressão subiu. Mas quando li com mais calma pensei que, se os dois estavam juntos, por que apenas a ossada de uma única pessoa? Deu uma esperança. Mas se ele está vivo, morreu, ou se mataram, cadê?", indaga a mãe, que já não consegue segurar o choro.
Com os olhos fixos em um porta-retrato com a foto de Luiz, Ivone se recorda bem daquela quarta-feira, há dois anos e dois meses, quando viu e falou com o filho pela última vez. Eles estiveram juntos no almoço. E o dia seguiu tranquilo, assim como nos outros - nada pareceu estar fora da rotina. Mas, à noite, o telefone do jovem, que trabalhava como barman em boate e fazia bicos como mototaxista, ficou desligado. Não houve mais contato.
A mãe pede que o caso não seja esquecido. Mas que autoridades policiais, de Justiça e quem se sensibilize, possam cobrar respostas do que ainda se configura um mistério. "Nesses dois anos o que eu pude fazer eu fiz. Fui às rádios, aos jornais, à delegacia, fiz manifestação por respostas do desaparecimento do Luiz, mas nunca tive retorno algum. Queria que se alguém o viu ou souber de alguma pista que possa esclarecer tudo isto me informe. Queria que a polícia pudesse me ajudar, ou o Ministério Público, ou ainda as outras autoridades, para que o sumiço dos meninos não caia do esquecimento. Talvez se eu tivesse dinheiro, já teria resolvido. Para quem tem dinheiro, parece que as coisas são mais fáceis", diz, num semblante revelador de tristeza e frustração.
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