13 de março, de 2013 | 00:00
Medida altera abastecimento de água
Mudança no fornecimento feito pela Copasa será implantada gradativamente
IPATINGA O serviço de abastecimento de água realizado pela Copasa sofrerá alteração. Há algum tempo, a empresa tem enviado às residências informativos com detalhes sobre a mudança na pressão por quilo com que a água é destinada ao consumidor final. A carta chama atenção para a necessidade de adaptação de prédios mais antigos, com a construção de reservatórios para que o fornecimento não fique prejudicado. A mudança da pressão, que passará a ser de no mínimo um quilo, está prevista no Programa de Redução de Perdas.A Copasa, que possui contrato com a Prefeitura de Ipatinga para fornecimento de água no âmbito municipal, se reporta a uma agência reguladora por meio do Sistema de Água e Esgotos (SAE). Uma norma nacional exige que a concessionária, ao fazer o fornecimento de água, tenha uma pressão mínima de um quilo. Anteriormente, a Copasa fornecia com pressão superior.
Se imaginarmos uma caixa dágua a 10 metros de altura, será preciso um quilo para elevar a água do piso até essa caixa. Agora, se estivesse a 20 metros de altura, eu precisaria de dois quilos de pressão para conseguir elevar a água a 20 metros”, exemplificou o sócio-proprietário da Iguaçu Bombas, Ilbert Xavier.
Segundo ele, em Ipatinga as construções, de forma geral, são antigas e não se observava tal necessidade, e as edificações de quatro andares acima não possuem reservatórios no primeiro piso ou no térreo. Com exceção de alguns edifícios maiores como nos bairros Cidade Nobre e Horto. Tais reservatórios recebem uma bomba para jogar a água para a caixa no alto do edifício. Para casas com dois pavimentos, a pressão de um quilo é o suficiente.
Implantação
Conforme a Copasa, a implantação do programa de Eficiência Energética, que engloba o Programa de Redução de Perdas, teve início em fevereiro de 2009, por meio das obras de substituição de redes com alto índice de vazamento, como por exemplo, nas ruas Joaquim Cardoso (Ideal), Dália (Bom Jardim), Cravo (Bom Jardim), Rosa Branca (Bom Jardim), Jardineira (Bom Jardim), Berilo (Iguaçu) e nas avenidas Londrina (Veneza) e José Anatólio Barbosa (Limoeiro), além da implantação de equipamentos para controle de pressão e vazão.
Desde maio de 2012, foram iniciados os contatos com as diversas Associações de Moradores e condomínios para informar sobre o início das atividades de controle e adequação da pressão da água nas redes de distribuição, em conformidade com a Norma ABNT-NBR 12.218, a Lei Federal 11.445/2007 e a Resolução Normativa 003/2010, da Agência Reguladora dos Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (ARSAEMG).
Ainda conforme a empresa, não há um valor fixo de pressão nas redes, podendo variar em função da altitude em que o imóvel está situado e em razão do diâmetro e do fluxo de água nas tubulações. As normas determinam que os imóveis com três ou mais pavimentos devem ter reservatórios inferiores e sistema de bombeamento. A fim de minimizar possíveis transtornos, a Copasa iniciou, em abril de 2012, campanha de divulgação, com distribuição de folders, priorizando, inicialmente, os prédios que não possuem reservatório inferior.
A companhia, em conjunto com as Associações de Moradores das áreas que tiveram intervenção, prestou esclarecimentos aos clientes, em reuniões específicas sobre o programa. Em seguida, os clientes foram comunicados por meio de ofícios sobre os prazos para adequação do sistema hidráulico interno. Somente depois de vencido o prazo estabelecido é que a Copasa efetuou a adequação das pressões nas redes.
Para a adaptação, o ideal é instalar um reservatório - seja no térreo ou na garagem -, e um equipamento para bombear a água. Os reservatórios podem ser de concreto impermeabilizado, de fibra ou de aço, como se fosse uma caixa dágua. Se o espaço for pequeno existe ainda a alternativa de fazer um reservatório vertical.
Exigência acarretará em novos custos aos consumidores
Questionada sobre possíveis prejuízos ao consumidor, a Copasa afirmou que não haverá problema na prestação do serviço. Segundo a empresa, o Programa de Redução de Perdas de Água melhorará o abastecimento nas áreas mais altas e distantes da cidade. Além de reduzir os transtornos (interrupção do trânsito, lama, poeira, desabastecimento, danos ao pavimento) causados pelos vazamentos decorrentes das elevadas pressões nas redes públicas. A Copasa sempre se preocupou com a questão dos vazamentos e com a redução de perda de água. Esta obra ocorreu por setores, onde os moradores foram chamados para uma reunião para explicação e adequação”, explicou a supervisora de manutenção e operação da empresa, Rosária Emília Lopes Pinto.
Apesar da garantia de que o serviço não será comprometido, o engenheiro e morador da rua Caribas, no bairro Iguaçu, Aroldo José de Oliveira Diniz, observa que será necessário gastar dinheiro. Entretanto, ele destaca que a medida, embora não agrade, deve ser cumprida. Como não existe outra empresa, temos que nos adequar em até 60 dias. Agora, caso tivesse opção, já teria trocado de empresa há muito tempo. O prédio onde moro possui três andares mais o térreo e vamos gastar algo em torno de R$ 7 mil, o que será rateado entre os moradores”, disse Aroldo. Tal valor pode variar de acordo com a estrutura do reservatório construído, que pode ser uma caixa dágua ou mesmo feito no solo. A bomba pode chegar a R$ 1.000, além dos outros materiais utilizados.
O comerciante José Carlos Chaves, que reside no bairro Iguaçu, pontua que quem projetou o edifício onde reside deveria arcar com tal adaptação. Pelo que nos foi explicado, esse reservatório já poderia existir e não haveria necessidade de gastar com isso agora. Mas, se não existe recurso, o jeito é pagar. Correr o risco de ficar sem água é que não dá”, pontuou.
Ilbert Xavier, da Iguaçu Bombas, pondera que o questionamento que poderia ser feito é: se a empresa trabalhou até hoje com determinada pressão, por que mudar? A resposta está embasada em um trabalho de modernização de seu serviço, porque quando trabalha com pressões mais elevadas, isso gera mais manutenção na tubulação.
A Copasa vem fazendo esse trabalho de modernização para prevenir vazamentos. Quando sai de uma estação de tratamento ela compara aquilo que está saindo com a soma do que o consumidor está utilizando e percebe-se uma perda significativa de vazamentos. Se você reduz essa pressão, diminui os vazamentos, a despesa com manutenção, as paradas que ocasionam em falta de água e com isso a médio e longo prazo, vai refletir em benefícios para a própria população”, avaliou Ilbert.
Administração
Em nota, a Prefeitura de Ipatinga informou que possui contrato com a Copasa para tratamento, abastecimento e distribuição de água a 100% dos munícipes, bem como coleta e tratamento do esgoto da cidade. Já o controle da pressão da água que abastece os edifícios residenciais é de responsabilidade da empresa, pois está relacionado à técnica utilizada pela Copasa para o fornecimento da água tratada.
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