20 de março, de 2013 | 00:04

Polícia Federal poderá ser acionada em caso de radialista

Ministra e autoridades se reuniram em Ipatinga para tratar da apuração do crime


IPATINGA – Com o objetivo de assegurar agilidade nas investigações sobre a morte do radialista e bacharel em Direito Rodrigo Neto, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), Maria do Rosário, esteve em Ipatinga nesta terça-feira (19), onde participou de uma reunião com várias autoridades. O encontro ocorreu na sede do 12º Departamento de Polícia Civil, no bairro Iguaçu.

A princípio, o encaminhamento aponta para a participação da Polícia Federal na apuração do caso, o que foi solicitado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, deputado Durval Ângelo (PT). A maioria dos prefeitos da Região Metropolitana do Vale do Aço compareceu ao ato.   

Maria do Rosário esteve em Ipatinga juntamente com integrantes do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), os deputados federais Gabriel Guimarães (PT), e Nilmário Miranda (PT), representantes da OAB, e o deputado Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Conforme Durval Ângelo, vários telefonemas e e-mails foram recebidos dando pistas sobre a morte de Rodrigo.

Algumas indicavam autores da morte e outras indicavam quem sabia a identidade do autor do crime. “Nestas pistas, existe a coincidência de que a morte está ligada à atividade de Rodrigo de prestar serviço à comunidade, o que torna mais grave ainda o motivo de sua morte. Num estado democrático onde alguém é morto por prestar um serviço, é um atentado à democracia. Temos que apurar e punir com rigor os criminosos”, pontua.

Conforme Durval, uma matéria ainda em apuração por parte de Rodrigo poderia ser a causa de sua execução. “O teor da matéria daria conta de um esquema de compra de votos para a eleição de um vereador de Ipatinga, matéria esta que seria veiculada nos próximos dias. Recebi isso hoje (ontem) de manhã, que ele morreu por matéria a ser publicada. O que mostra que morreu em função de sua atividade. Mesmo que tenha gente poderosa envolvida, torna-se necessário sim investigar, pois não tenho dúvida que morreu em função dessas pessoas influentes. Tivemos mobilizações anteriormente de equipes de fora em casos de assassinato e que não deram em nada, não podemos ver isso ocorrer novamente”, afirmou o deputado.

Wôlmer Ezequiel


durval angelo
Ações
Conforme a secretária do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Vilma Tomaz Ribeiro, a entidade tem feito várias ações, onde foram encaminhados documentos ao Ministério da Justiça e também para a Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social, exigindo agilidade.

“Além disso, temos feito um trabalho junto à Comissão de Direitos Humanos da Presidência da República, que acompanha os crimes contra jornalistas. Somente no ano passado dez jornalistas morreram, o que é um atentado contra a sociedade. O sindicato faz seu papel de intervir junto às autoridades. É obrigação dos órgãos fazer o seu trabalho e esperamos que não seja mais um crime impune. Existe um projeto chamado federalização contra jornalistas e está em tramitação, que passaria a ser feito também com a participação da Policia Federal. Mas esse caso do Rodrigo já está em âmbito nacional”, avaliou Vilma. 

Compartilhada
A ministra Maria do Rosário frisou que o caso terá responsabilidade compartilhada o que, segundo ela, ajudará a articular e gerar resultados. A ministra destacou que o inquérito deverá ser feito num prazo razoável, para que se apure todas as circunstancias do fato. Em 2013, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) instituiu um grupo de trabalho para o acompanhamento das ameaças e mortes aos profissionais de comunicação no Brasil. Conforme a ministra, o objetivo é acompanhar as investigações, pois existem informações que os inquéritos neste terreno não têm chegado a bom curso no Brasil e tampouco tem indicado comprovações de autoria.

Wôlmer Ezequiel


audiencia RN
“São vários os crimes que o CDDPH está acompanhando e, diante disso, queremos verificar os desdobramentos de cada caso. Profissionais de Comunicação, que ao enfrentarem grupos de extermínio, acabam eles próprios vítimas daqueles que estavam denunciando. Queremos dar um bom símbolo ao país de que crimes não podem ficar impunes. Houve um tempo neste país, em que a censura os impedia de anunciar as informações que tinham, e neste país que é uma democracia, não existirá perseguições a jornalistas de forma impune”, garantiu.

Presente ao evento, o deputado federal Nilmário Miranda endossou o discurso de Maria do Rosário e falou sobre a importância do acompanhamento do caso. “Temos de nos empenhar e não deixar que casos como esse se tornem comuns. É preciso solucionar e punir os culpados”, cobrou o parlamentar, que também é jornalista. 

De acordo com a ministra, o governo federal e os organismos envolvidos acompanharão o inquérito e acreditam na boa fé do governo de Minas por escolher um delegado especial para o caso. A ministra afirmou que a estrutura federal está à disposição para que se alcancem resultados e os autores deste crime não fiquem impunes. “Se a voz dele não se faz escutar hoje, que a voz de todos nós seja a voz de Rodrigo Neto, para que aquilo que denunciou não fique impune e que seu assassinato seja exemplarmente punido diante do Brasil e do mundo”, discursou.

Federal
Maria do Rosário pontuou que foram acolhidas as sugestões da OAB e Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, e que agora as propostas serão apresentadas junto ao Ministério da Justiça para buscar o apoio da Polícia Federal no trabalho desenvolvido no Estado.

“Acompanharemos o inquérito como autoridades federais e a Policia Federal poderá apoiar o caso, não apenas ele, mas os crimes que Rodrigo trouxe a público quando morreu, aquilo pelo qual o calaram. Apelo aos veículos de comunicação que informem ameaças sofridas por seus funcionários, o que é muito importante para o livre exercício de sua profissão. Fica nossa responsabilidade compartilhada e tenho certeza que um trabalho articulado dará resultados”, concluiu Maria do Rosário.
 


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