22 de março, de 2013 | 18:58
Paralisação por tempo indeterminado
Servidores das Comarcas de Ipatinga, Fabriciano e Timóteo aderem à greve
IPATINGA Mobilizados em frente ao Fórum Drª Valéria Alves, em Ipatinga, os serventuários da Justiça de Minas Gerais iniciaram nesta sexta-feira (22) greve geral por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleia realizada no dia 16 em Belo Horizonte. Com a paralisação, apenas 30% dos servidores atuará em forma de rodízio. Os serviços não devem ser paralisados totalmente, entretanto, poderá haver morosidade devido ao número reduzido de servidores.
Conforme Eloé Magalhães Rocha, escrivão da Primeira Vara Civil e filiado ao Sindicato dos Servidores da Justiça de Primeira Instância de Minas gerais (Serjusmig), entre os oito motivos listados para o movimento os principais são os atrasos de pagamento como gratificação de escrivão, que desde 2008 trabalham por oito horas, recebendo apenas seis; as promoções que os servidores têm direito, e que desde 2007 estão em atraso; além da nomeação de servidores e a melhora do vale lanche.
|Estudo
O escrivão explica que um estudo foi realizado pelo Tribunal de Justiça há cerca de dois anos onde ficou constatada a evasão de funcionários na carreira inicial devido ao baixo salário comparado a outros Poderes instituídos. Isso porque, segundo ele, a maioria, apesar do cargo ser nível de segundo grau, possuem curso superior. Eloé observa que o Tribunal não consegue segurar esses profissionais, gerando uma rotatividade muito grande justamente quando o funcionário está há cerca de cinco anos na função e produzindo plenamente.
Então se concluiu que deveria melhorar o salário da classe inicial. Foi feito um projeto chamado reajuste escalonado, que seriam em três anos, depois passou para cinco, entretanto, o presidente anterior do TJ, Cláudio Costa, saiu e não cumpriu o prometido. O atual presidente (desembargador Herculano Rodrigues), assumiu o projeto e prometeu para julho deste ano, mas em janeiro disse que não pagaria, o que gerou grande indignação em relação ao Tribunal, que nos considera como mera estatística”, lamentou.
O salário para a carreira inicial gira em torno de R$ 2,1 mil, o que em um prazo de cinco anos chegaria a R$ 3,6 mil, pois o salário dos servidores de Minas Gerais é o 21° comparado com de outros Poderes. Segundo Eloé, falta vontade política e o Tribunal tem condições de atender as reivindicações, conforme comprovou o estudo. Sabemos que 100% é difícil, mas esperamos que o Tribunal tenha boa vontade com os servidores. Com R$ 2 mil você mal paga seu aluguel e sobrevive. No Estado todo é o mesmo salário inicial e a briga maior é a carreira inicial”, reiterou.
Inicialmente a paralisação será por tempo indeterminado, mas existe uma assembleia marcada para o dia 3 de abril, em Belo Horizonte, onde haverá uma avaliação do movimento. Normalmente, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais entra com uma Ação Civil Pública, a ação é julgada e a partir daí o sindicato se reúne para tomar providências. Entretanto, como é o próprio TJMG que julga, os serventuários já aguardam por uma primeira decisão desfavorável, aguardando o recurso que vai para o Supremo Tribunal de Justiça, que realmente entra no mérito da questão.
Sindojus
Jamir de Assis Castro, do Sindicato dos Oficiais de Justiça (Sindojus), que também participam da paralisação, reitera que a principal exigência dos filiados é referente ao reajuste escalonado que o presidente do Tribunal de Justiça afirmou em setembro do ano passado que teria o dinheiro para o reajuste escalonado para todos servidores da primeira instância. Apesar disso, em fevereiro deste ano disse que não tinha o dinheiro para tal reajuste e diante da falta de diálogo, todos servidores estão em greve para que ele cumpra o prometido.
Em Timóteo, 80% do efetivo aderiram ao movimento
TIMÓTEO - O dia de ontem ficou movimentado no Fórum Geraldo Perlingeiro de Abreu, em Timóteo, com a adesão de boa parte dos 49 funcionários à paralisação da categoria. A delegada do sindicato no município, Jussara Giacomin, informou que para manter o atendimento dentro do limite mínimo de 30%, os funcionários em situação de greve estão se revezando. Estamos fazendo isso para não prejudicar o atendimento”, comentou a delegada.
O vice-delegado Cláudio Ornelas, frisa a importância na melhoria de condições de trabalho dos serventuários. Devido ao grande volume de processos, tem secretarias onde não conseguimos andar direito, tamanha a demanda. Solicitamos a convocação dos concursados para melhorar essa sobrecarga de trabalho. Fazendo uma proporção, cada colega trabalha por três aqui”, disse.
Fabriciano
No Fórum Orlando Milanez, em Coronel Fabriciano, a adesão ao movimento também foi significativa. Cerca de 50% dos 80 funcionários cruzaram os braços nesta sexta-feira. Faixas e cartazes foram espalhados pelo prédio. O atendimento funcionou normalmente, apesar da redução do quadro de servidores.
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