02 de abril, de 2013 | 00:00
Autismo: um desafio para a educação
Especialista destaca importância de inclusão de autistas no ensino regular
IPATINGA - Neste 2 de abril, é comemorado o Dia Mundial do Autismo. O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. Algumas ações Brasil afora vão marcar a data. No município, o Lions Clube Ipatinga Liberdade promove hoje, junto com a Clínica Comportar, um evento com crianças autistas e seus pais, na sede da entidade, das 8h às 12h, no bairro Horto. No local, profissionais de diversas áreas vão comandar atividades interativas com o público.
Segundo o Projeto Autismo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo, estima-se que no Brasil, atualmente, há dois milhões de pessoas com autismo, cerca de 1% da população. No mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU), aponta a existência de 70 milhões de autistas.
Apesar das limitações, as crianças autistas devem ter acesso às escolas do ensino regular, conforme o Decreto Nº 7.611 e a Nota Técnica 11/2010. No entanto, muitos pais não sabem desse direito e, às vezes, restringem o acesso educacional de filhos autistas a instituições como a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). É o que aponta a psicóloga e especialista em psicologia escolar, Verlaine Azevedo, que possui experiência em orientação e apoio ao Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Conforme Verlaine, na área educacional o autismo se enquadra no Transtorno Global de Desenvolvimento. A doença recebe, então, quatro classificações: autismo clássico, espectroautismo, Síndrome de Asperger e Síndrome de Rett. Independentemente da sua forma de manifestação, a doença não deve impedir a criança do convívio escolar. Muitos pais não sabem desse direito, e ainda há casos de instituições que não aceitam o aluno autista. Os pais acabam achando normal essa rejeição. Mas não é”, enfatiza a psicóloga.
Qualificação
Para cumprir o decreto e receber com eficiência as crianças autistas ou com outros tipos de distúrbios, as escolas têm direito a uma sala devidamente equipada para colocar em prática o Atendimento Educacional Especializado. O MEC envia verba para as instituições se equiparem, com base em um censo que levanta essa demanda. Desta forma, no contraturno escolar as crianças autistas recebem um importante atendimento complementar”, explicou Verlaine Azevedo.
A psicóloga destaca que é necessária a qualificação de professores para lidar de maneira adequada com esses alunos. O autista costuma ter muito receio por mudança de rotina. Em princípio, o ambiente escolar não é fácil nem para eles e nem para os professores que encontram dificuldades, em muitos casos, de interagir com o aluno. Mas com orientação é possível conseguir avanços e a criança ter uma vida normal”, salientou Verlaine Azevedo.
No processo de Atendimento Educacional Especializado, os profissionais contam com várias ferramentas tecnológicas. Equipamentos de tecnologias assistivas criados para cada tipo de demanda auxiliam muito”, informou a psicóloga. Por outro lado, muitas escolas encontram dificuldades na implementação do AEE. Elas esbarram em problemas burocráticos e também em questões políticas”, ponderou a psicóloga.
Aceitação
O diagnóstico da doença deve ser clínico. Verlaine Azevedo pontua que o processo de aceitação dos pais é doloroso e pode influenciar no desenvolvimento da criança. Há uma diferença entre o ideal e o real. Na gravidez, os pais idealizam o filho, mas diante de um diagnóstico como esse, por exemplo, eles passam por um luto, dificultando a aceitação. Isso reflete diretamente na criança”, advertiu.
Antigamente, a doença era tratada como um reflexo da falta de carinho e cuidado dos pais. Em meados da década de 1960, o autismo era visto como erro dos pais. As mães dessas crianças eram até classificadas como mãe geladeira. Mas com o tempo e estudos científicos essa visão errada foi abolida”, contou Verlaine Azevedo.
Continuidade
A escola sozinha não resolve o problema. A psicóloga frisa que, para ter um resultado eficaz, a criança precisa de acompanhamento contínuo de fonoaudiólogo, terapeuta e psicólogo, além da dedicação da família. O ensino regular lida, muitas vezes, com pessoas carentes que não conseguem obter esse tratamento, que é fundamental. Muitos municípios dispõem de uma rede de atendimento, mas crianças ainda ficam sem assistência por falta de informação”, comentou Verlaine Azevedo.
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