09 de abril, de 2013 | 00:00

Manifesto lembra um mês da morte de Rodrigo Neto

Diversas pessoas se reuniram no Centro de Ipatinga para não deixar o caso cair no esquecimento


IPATINGA – Profissionais da imprensa, colegas de trabalho, amigos e familiares do radialista e bacharel em Direito Rodrigo Neto promoveram, na tarde dessa segunda-feira (8), uma manifestação para lembrar um mês da execução do profissional. Depois de uma concentração na Praça 1º de Maio, o movimento articulado pelo Comitê Rodrigo Neto saiu em caminhada até à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ipatinga.

Com o slogan “Rodrigo Neto – Sua voz não vai se calar – Chega de impunidade!”, o movimento ocupou as ruas do Centro e chamou a atenção da população. Depois de percorrer a avenida 28 de Abril, principal ponto comercial da cidade, os cerca de 150 manifestantes subiram a avenida João Valentim Pascoal até à 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil.

Nesta quinta-feira (11), membros do Comitê estarão em Belo Horizonte para entregar à ministra Maria do Rosário Nunes, da Secretaria de Direitos Humanos, um relatório sobre os diversos casos denunciados por Rodrigo Neto. Há cerca de 15 dias, a ministra esteve em Ipatinga, juntamente com o deputado estadual Durval Ângelo (da Comissão de Direitos Humanos da ALMG), e do deputado federal Nilmário Miranda, para participar de uma audiência pública sobre a execução de Rodrigo.

Wôlmer Ezequiel


manifestação rodrigo neto2
 Comoção
Moradora do bairro Vila Celeste, Elisa de Almeida acompanhava Rodrigo Neto em seu programa na Rádio Vanguarda. Ela explica que ainda ouve o noticiário policial, mas que sentiu a diferença após a sua morte. “Acredito que existe um pouco de medo nas pessoas que trabalham nessa área, e depois da morte do Rodrigo, o jornalismo perdeu muito por sua coragem em desvendar casos de impunidade. É uma perda irreparável e esperamos que o caso seja solucionado”, declarou.

Emocionada, a viúva de Rodrigo, Lourdes Beatriz de Oliveira Faria, a Bia, pontuou que nem mesmo a família tem um posicionamento sobre as investigações, o que julga ser melhor assim, uma vez que é melhor que seja divulgada a solução para o caso. “Eles querem nos passar informações precisas e é melhor assim, pois informações desencontradas podem prejudicar o caso. A minha esperança é que seja encontrado o culpado. Caso contrário, a justiça que Rodrigo tanto defendia terá sido em vão”, disse.  


O estudante João Fabiano relata que era ouvinte de Rodrigo, soube do manifesto pelos jornais e quis participar. “Está na hora dessa violência ter um fim. As pessoas pensam que, matando, vão resolver as coisas e quem fala a verdade está condenado. Esse manifesto representa a possibilidade de reverter essa situação”, avaliou. 

Wôlmer Ezequiel


joão fabiano
 Importância

O promotor de Justiça Walter Freitas lembrou que manifestos dessa espécie são importantes para marcar o posicionamento da sociedade em relação aos crimes não desvendados, bem como para declarar que tais casos não foram esquecidos por parte da população. “Ocorrências assim não podem ficar impunes, e os órgãos públicos estão acompanhando com muita atenção. Determinados atos são mais marcantes, não que sejam mais importantes, mas casos dessa espécie devem ser utilizados como exemplo para que não caiam na impunidade”, observou.

Um dos organizadores do comitê, o jornalista Fernando Benedito Júnior frisou que várias reuniões com as autoridades de segurança pública foram realizadas, inclusive com a alta cúpula da segurança de Minas Gerais. “Saímos confiantes de que não só o caso do Rodrigo Neto, mas outros casos que estão impunes sejam solucionados. O manifesto é um ato de luta, mas também um ato em memória a Rodrigo que foi um companheiro corajoso e valoroso. Ele foi morto de maneira covarde, porque estava defendendo o fim da impunidade desses crimes, porque cobrava justiça e exigia que essa situação no Vale do Aço tivesse um fim”, destacou.

Caso
Alvo de ameaças de morte denunciadas ao Ministério Público e à polícia, o radialista foi morto a tiros por volta das 0h30 do dia 8 de março, numa das mais movimentadas avenidas da cidade. Ele havia acabado de sair de uma barraquinha de churrascos e entrava no seu carro quando foi atingido com um tiro na cabeça, outro no peito e um terceiro nas costas.


 

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