09 de abril, de 2013 | 00:00

Ocorrências de abuso sexual contra crianças são alarmantes

Conselho Tutelar pede atenção a indícios geralmente transmitidos por crianças vítimas de abuso


FABRICIANO – Campanhas educativas em todo o país chamam a atenção contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. Um dos maiores problemas é que, na maioria das vezes, o abusador está dentro da família. Segundo especialistas, é dentro das residências que o combate pode se tornar  mais eficaz. Em Coronel Fabriciano, o Conselho Tutelar alerta para os principais indícios a serem notados em casos de abuso.

Nesta semana, em Coronel Fabriciano, mais um recente caso reforça o alerta para as famílias. O pai de família A.A.M. é suspeito de violentar a própria filha há cerca de cinco anos. O caso veio à tona depois que a adolescente, de 14 anos, resolveu relatar o crime a uma tia. Embora a situação cause dor e revolta entre familiares e comunidade, o caso é mais um na crescente estatística de vítimas de abuso sexual, dentro da própria casa.

A conselheira tutelar Vilma Ferreira Garcia conta que os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes são frequentes no município. Conforme levantamentos, 10% dos abusadores são os próprios pais e os outros 90% geralmente padrastos, tios, avós, primos, amigos e vizinhos. E, em raras situações, a mãe.

Para a conselheira, a primeira forma de combater o crime é com a observação e vigilância constante da família. “Embora a figura da mãe também esteja envolvida, em raros casos, ela é geralmente o membro mais confiável para fazer essa observação”, considera Vilma Ferreira.

 

Descoberta
O comportamento é uma das principais mudanças que afetam a criança abusada, conforme a conselheira. “A criança geralmente se torna mais agressiva e mais retraída. A perda de notas na escola, como ela se porta perto do abusador, surgimento de machucados ou dores no corpo, tudo deve ser observado pela mãe”, alerta.


E foi a agressividade um dos pontos notados pelo avô da adolescente abusada em Fabriciano. “A menina andava muito deprimida, não tinha mais aquela tolerância até de conversar com a gente, vivia muito nervosa, até resolver se abrir com a tia e com o pastor da igreja. E foi aí que nós descobrimos e foi onde eu me revoltei”, contou.

Denúncia
O primeiro sentimento registrado pela família é de revolta, um desejo de fazer justiça com atitudes próprias. “Minha vida acabou. É um sentimento muito revoltante saber que um pai pode fazer isso com a filha, mas quando o avô fica sabendo ele tem que tomar providência”, relatou o avô da garota. A denúncia da família foi importante para o trabalho do Conselho Tutelar, junto à Justiça da Infância e Juventude. “Graças a Deus, a juíza nos atendeu e na hora certa, resolveu o problema. Agora ele está preso e vamos deixar a justiça trabalhar”, declara o avô, aliviado.

 

 

Casos denunciados são investigados e depois encaminhados à polícia

 

 

O Conselho Tutelar lembra que o ato sexual contra a criança ou adolescente não precisa ser consumado para ser considerado crime. As denúncias podem ser feitas pelo “Dique 100” de qualquer parte do Brasil ou pelo telefone do Conselho, em Fabriciano: 3846-7735. A conselheira tutelar Vilma Ferreira explica que todas as denúncias são verificadas por meio de visitas ou notificações enviadas às famílias, para comparecerem à sede do Conselho.

“Caso a suspeita seja confirmada o caso é encaminhado a Delegacia, com pedido de exame de corpo de delito e o relatório da delegacia encaminhado a Promotoria e a Justiça da Infância e Juventude”, detalhou. A partir de então, os casos são de responsabilidade da Justiça e as vítimas são atendidas por programas sociais do município, com acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais. O Conselho Tutelar só voltará atuar, caso receba novas denúncias da família. 
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