12 de abril, de 2013 | 00:00
Preço do tomate deve voltar à normalidade no mês que vem
Segundo o coordenador de informações de mercado do Ceasa Minas, safra do produto deverá ser positiva nas próximas semanas
IPATINGA - Produto que não pode faltar na lista de compras do consumidor, o tomate alcançou, nas últimas semanas, a sua maior média de preço dos últimos 15 anos. A alta do preço transformou o fruto em vilão e conversa obrigatória entre as donas de casa, espantadas com o preço considerado abusivo.
O quilo do alimento, que já custou menos de R$ 1, hoje se aproxima dos R$ 8. Com a alta recorde, a salada do brasileiro ficou mais salgada e, escassa. Nas redes sociais, o assunto virou motivo de piada e, diariamente, charges e montagens ilustram a necessidade de substituição do valorizado hortifruti pelo consumidor.
O quilo do tomate no Vale do Aço, nesta semana, registrou variação. Nos principais supermercados e varejões de Ipatinga, era possível encontrar preços que iam de R$ 4,99 a R$ 6,98. Mas, de acordo com previsão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor do alimento mais afetado pela inflação nos últimos meses poderá sofrer redução.
Conforme os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, o tomate subiu mais 6,1% no último mês. Contudo, a alta perdeu força e é menor que a de fevereiro (20,17%). Mas o percentual ainda é superior à variação de 350 de 365 preços monitorados pelo instituto. Em 12 meses, a inflação acumulada do tomate já é de 122%, atrás apenas da farinha de mandioca (alta de 151,39%) e à frente da batata-inglesa (97,29%). No mesmo período, o índice geral avançou 6,59%, acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%.
Coordenador de informações de mercado do Ceasa Minas, Ricardo Fernandes Martins explica que inúmeras razões justificam a elevação do preço do fruto, como a queda de produtividade provocada por variações climáticas, incidência de pragas e doenças acima do esperado, além da influência direta da lei da oferta e procura. "O fato se deve, principalmente, em função da chuva em regiões produtoras importantes e uma demanda muito forte de outros estados pelo produto que vêm se abastecendo em Minas Gerais. Tivemos um início de ano com chuva muito forte, seguida de temperaturas muito elevadas, e depois chuva novamente. Com isto, produtos como o tomate, que são pouco resistentes a esse clima acabam sendo afetados", salientou.
Segundo Ricardo, outros produtos passam por problemas parecidos com a produção e oferta do tomate, como a cebola, a beterraba, a vagem e a batata. "Esses itens tiveram variações, mas o tomate foi o campeão e superou a todos os outros", ponderou. Em razão das dificuldades existentes, a Ceasa de Minas Gerais registrou redução de 20% no fornecimento desses produtos, em comparação com igual período em 2012.
Apesar dos fatores apontados pro Ricardo Fernandes, a expectativa é que a situação melhore a partir de maio. "Tudo indica que este mês até podemos ter preços um pouco mais baixos, mas a situação só irá mesmo se normalizar a partir do próximo mês. Mas é algo que depende do clima. Se ocorrer excesso de chuvas e o próximo mês começar com temperaturas muito baixas, além disso, o preço mais alto pode ser prorrogado por mais tempo", observou.
Produtores comemoram alta
O movimento intenso de consumidores, produtores rurais, comerciantes do varejo e atacadistas é comum na feira realizada semanalmente no estacionamento do Ipatingão. Mas, nas últimas semanas, o que não tem sido habitual no vaivém de mercadorias por ali são as reclamações sobre o alto preço dos produtos. O tomate, um dos hortigranjeiros de maior destaque nas elevações de preços, é o principal motivo das insatisfações. O humor em relação ao assunto só não está alterado para os produtores, que têm contabilizado melhores ganhos no período.
De Piedade de Caratinga, um dos municípios de onde vem a maior safra que circula na feira livre da área do Parque Ipanema, o produtor rural Wemerson Junior lamenta os preços mais caros para o consumidor, mas comemora, em contrapartida, as condições favoráveis para os pequenos e médios agricultores da região. "Para a gente, a situação está boa. Na região (Vale do Aço) não fomos tão afetados pelo clima. Agora que poderá trazer problemas, com a chuva e o tempo frio", revelou.
O produtor Lúcio Mário de Souza, do mesmo município, também é franco, enquanto descarregava, apressado, as caixas de legumes: "Pra gente está bom, só pro consumidor que não". O empreendedor rural, porém, condiciona que seus lucros não estão além do que normalmente registra no período. "Considerando que tudo subiu - a gasolina, o salário, o preços das outras coisas, nossa margem de lucro está normal", informou.
Varejo
Quem compra para revender, insiste para que o fornecedor ofereça um desconto no preço da oferta. A vendedora Ana Lúcia conta que o tomate não está em falta para comprar, mas está pesando no bolso. Ela lembra que, na semana passada, o preço da caixa de 20 quilos chegou a custar R$ 120. Nesta quinta-feira (11), foi possível pechinchar entre R$ 45 e R$ 60 - mas ainda está longe do antigo valor, que não chegava a R$ 20. "Já começou a baixar e a expectativa é o que preço volte normal", acrescentou.
Comerciante do bairro Vila Celeste, em Ipatinga, Rute Silva vende o quilo do tomate a R$ 4,99 atualmente em seu estabelecimento. Mas, o preço que ela tenta manter abaixo da média de outros comércios, segundo argumenta, não é suficiente para atrair os consumidores. "A venda caiu, e muito. Agora tenho que comprar menos, senão é prejuízo", revela.
Verduras
Se o tomate pode ficar mais barato nas próximas semanas, as hortaliças, por sua vez, podem ser as novas campeãs dos preços altos. Vindo do Córrego do Rio Preto, zona rural de Piedade de Caratinga, a produtora Ilda Luiz Fernandes afirma que, há duas semanas, não planta nada em razão do atual tempo. "A chuva vem e a horta estraga", resume.
Ilda diz nunca ter vendido a caixa com 20 quilos de repolho a R$ 30. O produto está escasso na banca de cada vendedor. E ela cita outras hortaliças que também encareceram. "O pimentão chega a R$ 50 a caixa. A couve-flor, a R$ 30; não chegava a R$ 12 no período comum", apontou a produtora rural.
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