16 de abril, de 2013 | 00:01

Morte de fotógrafo repercute no exterior

Execução de freelancer foi lembrada por veículos de comunicação do Brasil e do mundo, além de autoridades


FABRICIANO – O assassinato do fotógrafo freelancer Walgney Assis Carvalho ganhou repercussão em veículos de comunicação de todo o Brasil e do exterior, bem como entre autoridades, que publicaram notas de pesar. Carvalho, que prestava serviços ao Jornal Vale do Aço e à perícia da Polícia Civil, foi morto a tiros por volta das 22h de domingo, em um pesque-pague, no bairro São Vicente, em Coronel Fabriciano. A execução ocorreu 37 dias depois da morte do radialista Rodrigo Neto, no dia 8 de março.

No início da tarde, o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, enviou nota de pesar pelo falecimento de Walgney Carvalho. O documento transmitia aos familiares, amigos e colegas de trabalho do fotógrafo a solidariedade de todo o povo mineiro. No documento, o governador afirma que determinou à Polícia Civil uma apuração rigorosa deste assassinato, bem como maior celeridade nas investigações do crime que vitimou, no mês passado, o radialista Rodrigo Neto, repórter do mesmo jornal.

“Informo ainda que o chefe do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa, Wagner Pinto, está desde a manhã desta segunda-feira, na região do Vale do Aço, conduzindo pessoalmente as investigações. As apurações também contemplarão as denúncias de que um grupo de extermínio estaria agindo na região. Os cidadãos de Minas Gerais podem ter a certeza de que não vamos tolerar que essas ações criminosas prosperem e nem que a liberdade de imprensa seja ameaçada em nosso Estado”, pontuou.

Repercutiu
A morte de Carvalho foi noticiada em veículos como os Jornais “O Tempo” e “Hoje em Dia”, este último lembrou o segundo assassinato na região do Vale do Aço, enquanto O Tempo trouxe em sua versão online trechos de declarações do deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, Durval Ângelo. Em nota enviada pela assessoria de Imprensa, Durval Ângelo lembra que a execução de Walgney Carvalho ocorreu exatamente 37 dias depois do assassinato de Rodrigo Neto.

Durval Ângelo pontou que existe indícios de que Carvalho recebeu informações sobre a morte de Rodrigo Neto e teria sido assassinado como queima de arquivo. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia vai realizar uma nova Audiência Pública em Ipatinga, no início de maio, para pedir rigor e agilidade na apuração dos dois casos.

Ainda na madrugada de segunda-feira, sítios noticiosos espalhados pelo mundo repercutiam notícia publicada pelo plantão do DIÁRIO DO AÇO, relatando a morte do repórter fotográfico. Nas publicações, havia sempre a lembrança de ser o segundo caso de pessoa ligada à área da comunicação  executada em curto espaço de tempo em Minas Gerais.  

 

Para comitê, segunda execução aterroriza jornalistas

 

O Comitê Rodrigo Neto, formado por jornalistas da região para garantir a sequência das investigações no caso do primeiro assassinato, distribuiu nota para afirmar que a nova execução “instalou o terror entre os jornalistas do Vale do Aço. Diante do cenário de impunidade e da falta de segurança, os profissionais de imprensa estão perplexos e temerosos”, destaca um dos trechos da carta.

Ainda segundo a nota do Comitê, a situação torna-se ainda mais crítica se analisada sob o ponto de vista do cerceamento da liberdade de expressão, impondo o silêncio à bala, porque é um atentado explícito ao Estado Democrático de Direito, “sem que as autoridades esbocem qualquer reação para impedir tamanha violação”, contextualiza o texto.

O documento encaminhado pelo Comitê destaca ainda que, agora, o que se discute não é mais o motivo dos assassinatos. É até quando eles vão continuar impunes. É quem vai garantir a segurança dos jornalistas que precisam trabalhar para manter a sociedade informada. “Nós, jornalistas e comunicadores, aterrorizados, psicologicamente arrasados com a situação e temerosos em ter que continuar a escrever os fatos com sangue de nossos pares, exigimos respostas, proteção e segurança”, cobrou o comitê.

Despedida
Carvalho foi sepultado por volta das 17h de ontem (15), no cemitério Senhor do Bonfim, em Coronel Fabriciano. Além da família, amigos e políticos estiveram no local. A maioria optou pelo silêncio sobre o caso.

Mais:

Mobilização para apuração de crimes - 16/04/2013

Silêncio na despedida de fotógrafo executado - 15/04/2013
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