17 de abril, de 2013 | 00:00
R$ 2,7 bilhões para a economia regional
Pesquisa do Sebrae estima que Estado receberá 2,3% a menos em investimentos nos próximos dois anos
DA REDAÇÃO - A quinta edição da pesquisa Perspectiva de Investimento, realizada trimestralmente pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Minas), mostra perspectivas de investimentos para Minas Gerais e em quais áreas eles devem ser aplicados. O levantamento mostra que o Estado receberá R$ 56,1 bilhões de investimentos nos próximos dois anos.
O montante é R$ 1,3 bilhão menor que o estimado no quarto trimestre de 2012. Em relação à última edição da pesquisa, os aportes previstos para os próximos dois anos reduziram 2,3%. Esse dado indica que o possível desaquecimento dos investimentos no Estado começa a ser sentido.
Os segmentos de mineração e siderurgia continuam a liderar a economia mineira no aporte de recursos. O agronegócio foi o setor que mais se destacou no período, com um salto de 21% no volume de investimentos previstos. Os segmentos de fertilizantes, construção e energia também registram maiores perspectivas de aportes.
O setor de serviços é o terceiro destaque, com estimativa de R$ 3.526,8 bilhões. Em seguida, vem o comércio, com R$ 2.060 bilhões de investimentos previstos. A concentração dos investimentos predomina na Região Central e Metropolitana de Belo Horizonte.
Vale do Aço
Para a região do Vale do Rio Doce, que abrange municípios do Vale do Aço na pesquisa, são estimados R$ 2.739,4 bilhões de investimentos. No ranking dos dez municípios com mais perspectiva de cifras para os próximos dois anos, Itabira está em primeiro lugar com R$ 1.963 bilhão. Ipatinga figura na segunda posição, com R$ 201 milhões, seguida por Coronel Fabriciano, que possui estimativa de R$ 79 milhões de investimentos. Somente os dez primeiros municípios da lista da regional Rio Doce (veja quadro) somam R$ 2.617,3 bilhões.
Setores
Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o analista técnico do Sebrae e responsável pela pesquisa, Ricardo Leopoldo, ressalta que o Vale do Aço é muito voltado para a área de consumo. Esse potencial de consumo cresce cada vez mais”, comentou. Ricardo Leopoldo informa que o levantamento mostra como áreas potenciais em Ipatinga: energia, hotelaria, serviços financeiros, construção, shopping e telecomunicações. Já em Coronel Fabriciano e Timóteo, energia e telecomunicações são os principais setores a receber investimentos.
Na análise de Ricardo Leopoldo, o Vale do Aço tem potencial de atração de novas empresas. Como o Estado é grande, cada hora uma região fica em evidência. Acho que a estimativa para o Vale do Aço é boa. Sabemos que as indústrias de setor metalomecânico sofrem com mercado externo e isso impacta na economia. Mas não significa que o cenário vai ser duradouro”, disse.
Dez mais
Em relação aos dez municípios mineiros com mais expectativa de crescimento, Brumadinho está em primeiro lugar da tabela (quadro), com R$ 5.487 bilhões. Em seguida vem Betim, com R$ 4.252,8 bilhões e, em terceiro lugar, Congonhas, com R$ 3.764 bilhões. A capital mineira está na quarta posição, com estimativa de R$ 3.078,7 bilhões.
Sobre a queda na perspectiva de investimento no Estado, Ricardo Leopoldo acredita que a tendência dos investimentos na economia mineira é estabilizar e voltar a crescer. A queda é geral. Todo fim de ano as empresas fazem a previsão do orçamento para os anos seguintes. Elas aportam mais investimento no próximo exercício. Esse comportamento do mercado impacta no ano seguinte, fazendo que os investimentos sejam mais volumosos. Os dados são atualizados trimestralmente”, detalhou Ricardo Leopoldo.
Diversificação
Em geral, o analista técnico afirma que observa uma tendência de diversificação e descentralização de investimentos em Minas Gerais. Minas Gerais desenvolve ultimamente novas atividades que, às vezes, não eram tão fortes. Percebemos, por exemplo, um crescimento de hotéis em cidades como Ipatinga, Governador Valadares, Uberlândia e no Sul de Minas, em função do turismo de negócios. Temos também a entrada da indústria naval. Quando uma cidade começa a atrair novos investimentos, a tendência é vir em seguida uma série de atividades”, avaliou Ricardo Leopoldo.
Metodologia
A pesquisa, elaborada pela Unidade de Inteligência Empresarial (UINE) do Sebrae Minas, tem como base as informações divulgadas pela imprensa e os protocolos de intenções assinados com o Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI). Ela é realizada por região e por segmento econômico. Os resultados contribuem para que micro e pequenas empresas descubram boas oportunidades de negócios em todo o Estado de Minas Gerais.
Conforme Ricardo Leopoldo, todos os projetos do Sebrae devem ser pautados por justificativas. Com pesquisas como essas podemos ver se na cadeia produtiva tem espaço para determinado produto. Como tem muita informação útil, a pesquisa acaba sendo usada para ajudar a avaliar o cenário econômico”, salientou.
Os 10 municípios líderes em investimentos em MG (em R$ milhões)
SETORES ECONOMICOS
GRUPO
TOTAL
1
Brumadinho
Centro
5.487,0
2
Betim
Centro
4.252,8
3
Congonhas
Centro
3.764,0
4
Belo Horizonte
Centro
3.078,7
5
Itabirito
Centro
2.731,2
6
Patrocínio
Triângulo
2.422,9
7
Uberaba
Triângulo
2.304,7
8
Itabira
Rio Doce
1.963,6
9
Uberlândia
Triângulo
1.542,0
10
Barroso
Zona da Mata
1.081,3
TOTAL
28.628,2
MUNICÍPIOS COM MAIS INVESTIMENTOS NA REGIONAL RIO DOCE (Em R$ milhões)
Municípios
1º ao 12º mês
Do 13º a 24º mês
TOTAL
Itabira
1.306,4
657,2
1.963,6
Ipatinga
134,0
67,3
201,3
Coronel Fabriciano
78,4
0,6
79,0
Santa Maria do Suaçuí
78,1
0,3
78,5
Caratinga
21,6
42,6
64,3
Santa Maria de Itabira
26,8
26,8
53,5
Nova Era
26,8
26,8
53,5
São Domingos do Prata
26,5
26,5
53,0
Governador Valadares
31,4
7,2
38,5
Rio Piracicaba
27,1
5,0
32,1
TOTAL
1.757,1
860,4
2.617,5
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