19 de abril, de 2013 | 00:12
Chefe da PC fala hoje sobre crimes
Equipe composta por um delegado e três investigadores, que já atuava na apuração do Caso Rodrigo Neto, foi reforçada com força-tarefa
IPATINGA - O Chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Cylton Brandão da Matta, visita o Vale do Aço nesta sexta-feira, onde fará uma reunião de trabalho com a equipe responsável pela investigação dos assassinatos do repórter Rodrigo Neto e do fotógrafo Walgney Assis Carvalho.
No começo da tarde, Cylton Brandão deverá receber jornalistas para uma entrevista na sede do 12º Departamento de Polícia Civil, localizado na rua Maraquê, bairro Iguaçu. Desde o começo da semana, a equipe composta por um delegado e três investigadores, que já atuava na apuração do Caso Rodrigo Neto, foi reforçada. Agora, quatro delegados, 10 investigadores e três escrivães integram uma força-tarefa enviada ao Vale do Aço para avaliar os casos.
Enquanto isso, em Belo Horizonte e em Brasília cresce a pressão para que a Polícia Federal entre no caso, dada a demora na obtenção de respostas para as mortes dos dois profissionais ligados à área da comunicação na região. Hoje completam 43 dias que Rodrigo Neto foi assassinado por dois homens em uma motocicleta, no bairro Canaã, e cinco dias que Walgney Carvalho foi morto a tiros por um homem, que também usou uma motocicleta para fugir do local do crime, um pesque-pague no bairro São Vicente, em Coronel Fabriciano.
Na quarta-feira, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República refez o pedido, já manifestado pela titular da pasta, Maria do Rosário, para que a Polícia Federal entre no caso.
A justificativa para que a PF assuma as investigações é o fato de os crimes contra os jornalistas terem a suspeita de participação de policiais, que fariam parte de um grupo de extermínio em atuação no Vale do Aço. "Nós acreditamos que a Polícia Federal teria a isenção e o distanciamento necessários para esclarecer esses crimes", afirmou a coordenadora-geral do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, Tássia Rabelo.
Em entrevista ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte, o especialista em segurança pública da PUC Minas, Luís Flávio Sapori, afirmou que as forças de segurança mineiras só se atentaram à gravidade dos casos quando Walgney Carvalho foi assassinado, no domingo passado.
"Eu vejo que o caso só mereceu atenção especial depois da segunda morte. Isso é que é lamentável. Até nesse momento, o caso entrou na rotina burocrática da Polícia Civil. A suspeita de grupo de extermínio não foi levada a sério", criticou o doutor em sociologia.
Sapori ainda defendeu que a Polícia Civil continue no caso, mas com mais intensidade. "Se a Polícia Civil realmente quiser investigar esse caso, ela consegue. Mas precisa haver uma força-tarefa", afirmou.
Governador cobra resultados nas apurações
Na quarta-feira (17), o governador Antonio Anastasia afirmou, em entrevista no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, ter cobrado resultados e exigido maior celeridade na apuração das mortes do comunicador Rodrigo Neto e do fotográfo Walgney Assis Carvalho.
Nós não podemos tolerar isso e estou cobrando, de maneira muito enfática, que apresentem resultados. Hoje mesmo eu voltei a me reunir, e tenho reunido desde o primeiro acontecimento com o secretário de Defesa, com o chefe da Polícia Civil, com o comandante da Polícia Militar para tratar do assunto, que é muito grave. Nós lutamos à exaustão para termos sempre uma diminuição dos indicadores de homicídios, mas, nesse caso, é ainda pior, porque de fato é contra jornalistas, especialmente em razão das notícias”, afirmou o governador.
Anastasia também justificou a presença de profissionais da Polícia Civil da capital, no Vale do Aço, a fim de reforçar as investigações. O governador classificou como inconcebível” a possibilidade de existência e atuação de organização criminosa no Vale do Aço. Ao ser indagado sobre o eventual envolvimento de policiais nos crimes, Anastasia defendeu a necessidade de punição para os responsáveis. Volto a dizer que não posso fazer aqui nenhuma afirmação porque isso é competência da Polícia Civil. Mas o envolvimento de agentes públicos é ainda pior, porque são pessoas pagas para proteger a sociedade”, pontuou.
Anastasia disse que, com o final das investigações e responsabilização dos envolvidos, a situação voltará ao normal. Com o fim da impunidade, nós devolveremos a segurança. Entretanto, não pode permanecer como está, com a dúvida sobre a autoria dos homicídios”, concluiu Anastasia.
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Execuções no Vale do Aço - 18/04/2013
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