23 de abril, de 2013 | 00:00
Piora a saúde de sentenciado vítima de acidente na BR-381
Irmã reforça que família não tem condições de oferecer tratamento domiciliar para eletricista tetraplégico
FABRICIANO O drama da família do eletricista Reginaldo Pinto Queiroz, 33 anos, que ficou tetraplégico em um acidente quando era transportado em viatura do Grupo de Escolta Tática Prisional (Getap), permanece sem solução. Ele era transportado de Ponte Nova para Timóteo. Após sofrer o acidente na viagem para prestar depoimento no Fórum Geraldo Perlingeiro de Abreu, em novembro do ano passado, Reginaldo Pinto ficou internado mais de quatro meses no Hospital São Camilo. Na terça-feira (16) ele recebeu alta, mas retornou ao hospital no dia seguinte, depois de sofrer uma crise convulsiva.
A família já impetrou na Justiça uma ação contra o Estado, pedindo indenização por danos morais, no valor de R$ 100 mil, e R$ 351 mil por danos materiais, com fornecimento de recursos para tratamento domiciliar e tutela antecipada. Mas ainda não houve avanços. O advogado da família, Jacy José de Paula, informou que o juiz abriu prazo para a defesa do Estado. Preocupada com a situação, a irmã de Reginaldo e sua procuradora no processo, Andrea Luca Correia, foi até o Fórum na tarde de ontem buscar informações do processo e obteve a resposta de que é preciso esperar o andamento”.
Em notícia veiculada pelo DIÁRIO DO AÇO, em março, a família relatava sua preocupação pela falta de condições mínimas de receber Reginaldo Pinto em casa quando ele recebesse alta. A mãe dele, Eni Lucas Pinto Queiroz, reside em uma casa de difícil acesso e precárias condições, localizada no bairro Ana Moura, na rua Santo Amaro, 25. Apesar de ter a garantia da cessão dos aparelhos necessários para tratamento domiciliar, a casa da família não dispõe de condições e adaptações para abrigar o paciente.
Andrea Luca relatou a dificuldade para colocar o irmão dentro de casa, após a alta, e o drama para acudi-lo no dia seguinte. Foi horrível, para chegar com ele, chamamos três homens que estavam trabalhando na rua no momento. Na quarta, quando ele passou mal, para sair com ele correndo foi necessário oito homens para carregá-lo e colocar os botijões de oxigênio. Ele foi socorrido pela ambulância da Secretaria da Saúde”, detalhou a irmã.
A mãe de Reginaldo o acompanha na rotina hospitalar. Andrea Luca Correia afirma que Eni está com a saúde debilitada. Minha mãe tem a saúde fragilizada, toma remédios e está passando mal. Isso aumenta toda a nossa preocupação”, comentou Andrea Luca. Por siso, o advogado Jacy José de Paula orientou à família para não aceitar uma nova alta do paciente. A casa de Eni não possui mínima condição de abrigá-lo. Orientei os familiares a não aceitarem alta do hospital, enquanto o juiz não decidir por um aluguel social. Só com essa ajuda, a mãe pode recebê-lo em um ambiente melhor que não seja tão agressivo como o atual”, declarou o advogado.
Boletim médico
Por meio de nota, a assessoria de Imprensa do Hospital São Camilo informou que Reginaldo está, no momento, estável hemodinamicamente, com bom padrão respiratório com auxílio do bipap e mantém torpor (não atende aos comandos solicitados de forma verbal). Ele retornou à instituição com o quadro de crises convulsivas a esclarecer. Mantém internação na enfermaria, sendo assistido pela equipe multiprofissional e com avaliações neurológicas”.
Acidente
Reginaldo Pinto foi condenado em 2010, acusado de estuprar a própria mulher, com quem vivia há oito anos e com quem teve quatro filhos. Ele foi julgado em Timóteo e transferido para Ponte Nova, por questão de vaga, para cumprir a pena de 8 anos de prisão. No dia 14 de novembro do ano passado, ele se deslocava de Ponte Nova para Timóteo, onde prestaria depoimento relativo a outro caso.
Conforme boletim de ocorrência anexado ao processo, na altura do Km 308,8 da BR-381, a viatura da Getap seguia no sentido Nova Era/Timóteo quando derrapou numa curva e bateu contra outro veículo que trafegava em sentido oposto. Em seguida, a viatura capotou e atravessou a pista novamente.
A defesa alega que Reginaldo Pinto encontrava-se sob a responsabilidade do Estado quando sofreu o acidente que o deixou totalmente inválido, em caráter definitivo (...). Quando foi preso, julgado e condenado, ele estava no gozo de saúde física e psicológica. Sendo assim, é dever do Estado garantir a segurança e integridade física do preso que se encontre sob a sua custódia”, alega o advogado Jacy José de Paula.
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