25 de abril, de 2013 | 00:02

Morre sentenciado que ficou tetraplégico em acidente

Vitima de desastre com viatura da Getap, eletricista sofreu morte cerebral uma semana após seu retorno ao hospital


FABRICIANO – Cinco meses e dez dias após ficar tetraplégico em acidente quando era transportado em uma viatura do Grupo de Escolta Tática Prisional (Getap), o eletricista Reginaldo Pinto Queiroz, 33 anos, não resistiu e morreu na madrugada de ontem, no Hospital São Camilo, em Coronel Fabriciano. Reginaldo Pinto recebeu alta na terça-feira (16), mas retornou ao hospital no dia seguinte, após sofrer crises convulsivas.

A irmã de Reginaldo, Andrea Luca Correia, informou que, na madrugada de ontem, ele teve morte cerebral. “O importante é que fizemos o que foi possível”, declarou, emocionada. O corpo de Reginaldo Pinto, que deixou quatro filhos, é velado na residência da família, na rua Santo Amaro, 25, no bairro Ana Moura, em Timóteo. O sepultamento ocorrerá às 8h de hoje, no cemitério Jardim da Saudade. 

A família de Reginaldo batalhava na Justiça pela garantia de uma estrutura compatível para o tratamento domiciliar, e ainda reivindica indenização por dano moral no valor de R$ 100 mil e dano material de R$ 351 mil. Andrea Luca era a procuradora de Reginaldo na ação. Andrea Luca disse que, no momento, a família não consegue pensar nessa questão judicial. “Não sabemos ainda o que vamos fazer, não pensamos nisso”, comentou.

Conforme o advogado Jacy José de Paula, o andamento do processo vai depender da família. “Agora, quem passa a ser titular do processo são os filhos, ainda menores de 18 anos. Se o Estado ainda não tiver sido citado pela Justiça, vamos talvez reavaliar o pedido para fazê-lo de outra maneira. Mas agora é a família que vai definir o procedimento”, explicou o advogado.

Fatalidade
Reginaldo Pinto foi condenado em 2010, acusado de estuprar a própria mulher, com quem vivia há oito anos e mãe dos seus quatro filhos. Ele foi julgado em Timóteo e transferido para Ponte Nova, para cumprir a pena de 8 anos de prisão. No dia 14 de novembro do ano passado, ele se deslocava de Ponte Nova para Timóteo, onde prestaria depoimento relativo a outro caso.

Conforme boletim de ocorrência anexado ao processo, na altura do Km 308,8 da BR-381, a viatura da Getap seguia no sentido Nova Era/Timóteo quando derrapou numa curva e bateu contra outro veículo que trafegava em sentido oposto. Com o choque, a viatura capotou e atravessou a pista novamente. Reginaldo foi levado ao Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, onde teve constatado trauma cervical severo. Apesar de passar por cirurgia, ele  ficou tetraplégico. Em janeiro deste ano, foi transferido para o Hospital São Camilo, em Coronel Fabriciano, onde lutou pela sobrevivência, apesar da saúde debilitada.

Drama
Reginaldo era acompanhado pela mãe, Eni Lucas Pinto Queiroz, 60 anos, em sua pesada rotina hospitalar. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, no dia 16 de março, Eni chegou a falar sobre o medo de o filho morrer em casa, no caso da liberação do paciente para tratamento domiciliar. A família mora em local de difícil acesso e não dispunha de condições para recebê-lo. No dia 16, quando houve a alta, foram necessários quatro homens para carregá-lo até à residência. E para o seu retorno ao hospital, em meio a crises convulsivas, Reginaldo teve que ser acudido por oito homens para ajudar a carregar o paciente e os botijões de oxigênio, conforme relato de Andrea Luca em matéria veiculada na edição de ontem.  




O QUE JÁ FOI PUBLICADO:

Piora a saúde de sentenciado vítima de acidente na BR-381 - 23/04/2013


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