01 de maio, de 2013 | 00:00
Reinvenção da economia regional
Dirigente empresarial vê pela frente grande desafio para as empresas locais
TIMÓTEO Com a economia fortemente dependente dos recursos que a indústria siderúrgica despejava no mercado até recentemente, municípios do Vale do Aço vivem uma nova realidade. Na prática, desde a privatização, há mais de duas décadas, os municípios compreenderam a necessidade de uma independência deste setor econômico, que permanece como âncora da economia local. Mas essa necessidade cresceu ainda mais a partir de 2008, quando a crise financeira mundial evidenciou sinais que a siderurgia brasileira precisa ser reinventada”. É neste contexto que os atuais dirigentes empresariais da região se encontram.
Questionado sobre como Timóteo enfrenta essa realidade, o presidente da Associação Comercial Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Timóteo (Aciati), Antônio Teixeira Neto, admitiu que o desafio não é pequeno, pois a região cresceu e consolidou em mais de uma década como uma das mais pujantes do estado, graças à indústria siderúrgica.
À frente da Aciati desde o dia 5 de abril, o dirigente pontua que a estratégia é criar alternativas que possibilitem uma desvinculação da siderurgia na região.
Isto para que a economia do Vale do Aço funcione como uma balança - quando um setor estiver em panorama desfavorável, o outro atuará em situação oposta. "Nós precisamos agregar valor a todas as nossas vocações para que nós sejamos bons naquilo que temos a essência de fazer. E desvincular da siderurgia porque nós precisamos de ter variáveis de ações. Quando uma dá uma baixa, a outra tem que segurar", compara.
Questionado sobre a ampliação da produção do setor metalomecânico do Vale do Aço voltada às áreas de petróleo, gás e indústria naval, o presidente da Aciati entende que o estímulo econômico é um caminho, mas sozinho não é o suficiente. Na opinião do empresário, enquanto melhorias não ocorrerem na malha rodoviária que atende a região, o desenvolvimento local permanecerá estagnado.
"Esses setores são alguns dos caminhos, assim como nós temos outras variáveis. Nós podemos começar a trabalhar com indústrias, mas para isso nós temos que começar a preparar o terreno. E para tal, temos que melhorar nossa área de logística. Não é de hoje que batalhamos pela pavimentação da MG-760 e a duplicação da BR-381. Sem a modernização dessas rodovias, continuaremos ilhados e com os projetos de alternativa econômica em risco", enfatizou.
Oportunidade
A crise na siderurgia, que atinge patamares internacionais, aponta para um desequilíbrio de mercado que irá perdurar até meados de 2016, conforme apontam estudos sobre o assunto. Em cada país haverá a necessidade de uma reinvenção” deste segmento industrial. Os negócios que orbitam ao redor das grandes usinas também já são forçados a passar por transformações. Neste contexto, Antônio Teixeira Neto enxerga uma oportunidade de rever conceitos. "Nós temos que ficar preparados. Mas preocupa muito esta situação de agora. Contudo, é no momento de crise que se cria. Acredito que nenhuma empresa fechou em Timóteo por causa dos impactos desta nova realidade. Elas entraram em dificuldade e sobrevivem. Agora, é a oportunidade que temos de fazer uma revisão de conceitos e voltar a crescer", concluiu.
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