05 de maio, de 2013 | 00:00

Prioridades de uma administração competitiva

Instrutor do Sebrae no Vale do Aço orienta pontos-chaves na gestão dos negócios


IPATINGA – Entre os meses de janeiro e abril deste ano, 1.406 novas empresas foram abertas nas cidades de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo. Os dados, informados pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, revelam, porém, um decréscimo de 4% no número de novos negócios legalizados no Vale do Aço em 2013. No ano passado, o órgão contabilizou, em igual período, 1.472 inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) nos três municípios.

Por outro lado, o fechamento de pequenos, médios ou grandes empreendimentos na Região Metropolitana do Vale do Aço caiu 53%. No último quadrimestre, o número de empresas fechadas totalizou 103 registros. Em 2012, por sua vez, o resultado negativo abrangeu 219 atividades econômicas na região nos meses de janeiro a abril.

Ante o cenário de possíveis consequências da crise internacional da siderurgia nos anos anteriores e da transformação socioeconômica regional, os conceitos da administração estratégica, embora já antigos, se revelam um desafio constante para os novos e atuais empreendedores. As atuais condições de mercado sinalizam a necessidade de rapidez para enxergar as mudanças e adotar um posicionamento estratégico, a fim de sobreviver a um mercado cada vez mais desafiador e competitivo.

Administrador de empresas e instrutor do Sebrae em Ipatinga, Ademir Souza da Silva lembra que, antes mesmo do ideal de competitividade, a adoção de uma série de princípios administrativos é necessária à organização e o consequente desenvolvimento da empresa. “Falamos de administração competitiva não como algo novo, inédito. Mas para que a empresa seja competitiva, é necessário que ela seja administrada, em seu real sentido”, resumiu o profissional.

 

Fatores
Ademir reforça que a criação, instalação e operação de empresas estão relacionadas diretamente sobre os quatro fatores básicos do gerenciamento de negócios: o planejamento, a organização, a direção e o controle. “Sem esses fatores, não há administração. Muitos querem só controlar. É comum a gente ouvir a expressão: ‘A partir de agora eu quero o preto no branco’. Isso é um controle e é louvável, mas ter controle do quê? Quais operações precisam ser controladas para que a empresa atinja os seus objetivos? São pressupostos necessários a quaisquer negócios”, enfatizou.

Embora os princípios apontados pelo administrador sirvam de pilares tanto a micro e pequenas empresas como aos médios e grandes empreendimentos -, o campo ainda precisa ser mais bem trabalhado, conforme pontua. Isto para que o saldo de fechamento de empresas talvez não alcance patamares tão significativos.

A máxima corporativa da competitividade esbarra, na maioria das gestões, na ausência de foco, acentua Ademir. “Muitas empresas não têm definido quem é o cliente, qual o mercado precisa atingir, qual a estratégia adequada de preços, e qual a estratégia será utilizada na comunicação com o cliente. Se você não sabe sequer qual cliente quer atingir, como irá chamá-lo para dentro da empresa?”, indaga. 

 

Marketing
A competitividade, aliada à inovação, é um processo necessário, mas que precisa ser administrado corretamente. O deslumbre por ferramentas e meios sofisticados de marketing e propaganda, nem sempre, significa retorno positivo. “Se o cliente não assiste TV, não adianta colocar uma propaganda na TV. Em alguns casos, um excelente meio para um negócio de bairro é um carro de som, uma ‘bike som’, uma ‘moto som’”, orienta o administrador.

Segundo ele, é prudente avaliar também a relação custo-benefício das ferramentas que se pretende utilizar. “É caro demais trabalhar com determinado veículo. Por vezes, se o recurso for destinado a outro meio de comunicação mais simples, poderia até mesmo aumentar as vendas. O problema é que, na maioria das vezes, todo mundo vai pelo modismo. Às vezes também, em vez de investir em propaganda cara, invista em um atendimento excelente que faça com o cliente queira voltar”.

 

Mídias
Meio atual e mais dinâmico de comunicação, as redes sociais apontam para um universo repleto de oportunidades de marketing, negócios e relacionamento com os clientes. Contudo, é algo que, como qualquer outra decisão de gestão, carece de planejamento e estratégia. “Se a empresa faz a inserção do negócio nas mídias sociais de forma não planejada, até a manutenção fica difícil. Há quem as utilize e alcance bons resultados, como há também os que reclamam que não têm alcançado retorno positivo. A administração não se faz só com ideias, mas com esforço”, pontua.

Finalmente, o instrutor do Sebrae frisa que o maior desafio na gestão de pequenos e grandes negócios é "manter o balão cheio". “Um consultor que ouvi recentemente, disse que 'administrar uma pequena empresa é encher um balão furado' - você sabe que ele está furado, e precisa constantemente de esforço para que permaneça cheio. O grande desafio nos pequenos empreendimentos é estabelecer foco, objetivo, e trabalhar em função deles. O desafio é também, comportamental - é querer fazer. Liderança é fundamental, mas é apenas um dos aspectos”, concluiu o instrutor.
 
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