09 de maio, de 2013 | 00:00

Mais três presos por força-tarefa

PC anuncia “nova fase” nas investigações de execuções no Vale do Aço pelo DHPP


DA REDAÇÃO - Cerca de 50 policiais civis de Belo Horizonte foram enviados à região nessa quarta-feira, para o cumprimento de 12 mandados de prisão, busca e apreensão contra pessoas suspeitas de envolvimento em execuções ainda impunes. No fim da tarde de ontem, a assessoria de Comunicação da Polícia Civil divulgou o balanço da operação.

O comunicado confirma que três homens foram presos em flagrante, cinco armas apreendidas (duas espingardas e três revólveres calibre 38), munições recolhidas e obtidas novas informações capazes de ajudar nas investigações de 14 crimes cometidos em Ipatinga e outras cidades do Vale do Aço nos anos anteriores.
O comunicado acrescenta que as prisões foram por porte ilegal de arma. Joaquim Pereira de Souza, 43 anos, foi preso em Ipatinga. Ele é reincidente nesse tipo de crime, assim como Ailton Barbosa da Silva, 32 anos. Os dois presos não terão direito a pagar fiança e estão à disposição da Justiça. Chinaider Ferreira, 29, o outro suspeito flagrado com arma e sem autorização legal, tem direito ao pagamento de fiança e pode ser solto porque é primário. Chinaider Ferreira e Ailton Barbosa foram presos no município de Santana do Paraíso.

O chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Wagner Pinto, responsável pela equipe que investiga os casos, classificou como “muito proveitosa” a operação.

O delegado acrescentou que o objetivo era coletar provas do envolvimento de pessoas suspeitas dos crimes e, por isso, o cumprimento dos mandados de busca e apreensão representou “uma etapa muito importante para o avanço dos inquéritos”, ressaltou o delegado.

Estrutura
Sob o comando do delegado Wagner Pinto, 50 policiais civis iniciaram, logo nas primeiras horas do dia, o cumprimento dos mandados em Ipatinga e em Santana do Paraíso. A operação, segundo o delegado, consolida uma nova etapa da investigação sob a responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e que envolve a participação direta de mais quatro delegados, além de investigadores e escrivães.
Seis policiais, sendo um militar e cinco civis, já haviam sido presos temporariamente no mês de abril, suspeitos de envolvimento de crimes de execução de pessoas no Vale do Aço, e um deles foi solto a pedido da própria Polícia Civil. Os inquéritos já somam mais de 500 páginas. Cerca de 50 pessoas, entre testemunhas e suspeitos, já foram ouvidas. Uma delas, que já residiu em Ipatinga, prestou depoimento fora do Estado.

Entenda
Desde a morte do repórter Rodrigo Neto, ocorrida em 8 de março, homens do DHPP estão no Vale do Aço para apurar a execução, que tem como suspeitos policiais e outras pessoas que o repórter denunciava em crimes sem punição no Vale do Aço. A equipe transformou-se em força-tarefa depois que o fotógrafo freelancer do jornal Vale do Aço, colaborador da Perícia da Polícia Civil, Walgney Carvalho, foi executado a tiros no dia 14 de abril, em Coronel Fabriciano.
A polícia já trabalha com a possibilidade de o repórter ter sido morto por manifestar a intenção de levar este quadro para o jornal impresso. Neto, que já tinha passado pelo DIÁRIO DO AÇO e DIÁRIO POPULAR, estava atuando na Vanguarda AM e tinha sido contratado para voltar ao impresso. 

Polícia investiga correção entre
mortes de repórter e fotógrafo

Reprodução


rodrigo neto e carvalho


O radialista Rodrigo Neto foi executado com três tiros na madrugada de 8 de março, ao sair de um bar na avenida Selim José de Salles, no bairro Canaã, em Ipatinga. Trinta e sete dias após a morte dele, o fotógrafo freelancer Walgney Assis Carvalho foi assassinado em um pesque-pague no bairro São Vicente, em Coronel Fabriciano. Suspeita-se que a morte de Carvalho tenha sido uma "queima de arquivo". Carvalho e Rodrigo trabalhavam juntos, apenas esporadicamente, nas ocorrências policiais de grande repercussão.
Diferentemente do que a imprensa de Belo Horizonte tem divulgado, o fotógrafo não apurava reportagens com Rodrigo Neto e os dois mal haviam começado a trabalhar juntos, com a ida de Rodrigo para o jornal Vale do Aço. O repórter foi assassinado oito dias depois de ter reingressado ao impresso.

Uma das possibilidades apuradas é que Carvalho tenha sido morto justamente por causa de sua proximidade com pessoas dos meios policiais. Ele também havia afirmado em público que sabia quem eram os autores da morte de Rodrigo Neto, sem nunca ter citado nomes ou publicado qualquer coisa neste sentido.

Desde 19 de abril policiais civis começaram a ser presos, suspeitos de envolvimento com os crimes antigos e investigados por possível relação  nas mortes de Rodrigo e Carvalho. Dos cinco presos, quatro permanecem custodiados na Casa do Policial Civil, no bairro Horto, em Belo Horizonte, para onde são levados policiais sob a investigação de crimes graves. Também está preso um policial militar, suspeito de executar pessoas no Vale do Aço, inclusive a ex-mulher dele.

Os crimes contra o repórter, que era bacharel em Direito, e do fotógrafo, aposentado por problemas de saúde pela antiga Acesita, desencadearam uma crise na segurança pública. O caso ganhou repercussão internacional e elencou o Brasil na lista dos países mais perigosos para a atividade do jornalista.

Denúncias
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado estadual Durval Ângelo - da Comissão de Direitos Humanos, afirmou que o repórter morto teria um dossiê com informações sigilosas sobre os suspeitos dos crimes de execução no Vale do Aço. O parlamentar alertou que as investigações não poderiam descartar, inclusive, o envolvimento de pessoas do Judiciário no escândalo, o que provocou reações de entidades como a Associação dos Magistrados de Minas Gerais.

Apesar da defesa feita pelos magistrados, um juiz foi afastado, no começo deste ano, pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, acusado de vender sentenças na Vara Criminal de Ipatinga, para beneficiar criminosos. Ao visitar Ipatinga, recentemente, o corregedor-geral do TJMG, Luiz Audebert Delage, rebateu as acusações de envolvimento de magistrados no suposto “esquadrão da morte” atuante no Vale do Aço.

Questionado sobre a investigação do magistrado afastado, o desembargador informou que foi aberta sindicância, e encaminhado o pedido de processo administrativo, já aceito. “O órgão já determinou abertura de processo administrativo e um desembargador-relator está conduzindo o processo”, informou o corregedor.
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