15 de maio, de 2013 | 19:54
Deputado aponta suspeitos de assassinato de Rodrigo Neto
Denúncia de esquema de corrupção na Ciretran pode ter sido a motivação do assassinato do repórter Rodrigo Neto
Com correções às 09h18
DA REDAÇÃO - Políticos, policiais e empresários envolvidos em um esquema de corrupção na Circunscrição Regional de Trânsito de Ipatinga (Ciretran) podem estar ligados ao assassinato do repórter Rodrigo Neto, executado com três tiros no dia 8 de março, disparados por uma dupla em uma motocicleta no bairro Canaã.
A denúncia é do deputado estadual, Durval Ângelo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O parlamentar reafirmou, nessa quarta-feira, que o repórter da Rádio Vanguarda preparava uma matéria especial sobre o esquema e teria sido morto para impedir a divulgação.
Durante pronunciamento nessa quarta-feira, no Plenário da Assembleia, o parlamentar apresentou dois inquéritos policiais envolvendo os políticos, policiais e empresários.
No inquérito de número 188.595/2013, o investigador de polícia Werley Glicério Furbino, que era chefe da Ciretran antes de ser eleito vereador pelo PSD e o ex-delegado de trânsito de Ipatinga, Carlos Alberto Balmant de Paula, são acusados de cobrar 10% do valor de cada emplacamento realizado na região do Vale do Aço.
Dos R$ 40 cobrados pelas empresas de placas, R$ 4 era destinado à quadrilha. O investigador Werley Glicério Furbino, conhecido como Ley de Trânsito, presidente da Câmara Municipal de Ipatinga, teria sido eleito em troca da venda de carteiras de habilitação”, afirmou o deputado Durval Ângelo.
Esquema
O deputado Durval Ângelo afirma que o esquema veio à tona depois que um empresário do ramo de confecção de placas para automóveis decidiu denunciar o acordo”, por não aceitar participar da irregularidade que, no entanto, teria sido aceita por outros três donos de empresas.
Falsificação
O deputado Durval Ângelo afirma que em outro inquérito policial, o de número 179.646/2012 o presidente da Câmara e investigador da PC, Werley Glicério Furbino de Araújo, é acusado de estar envolvido em outro esquema de corrupção. O policial estaria legalizando carros roubados e vendendo carteiras de motorista. Também estariam envolvidos no esquema mais dois policiais civis: Maurício Silva Corrêa e Juberto Vieira Alves.
O deputado também insistiu, em seu pronunciamento, que o repórter Rodrigo Neto estava apurando, e iria divulgar esses esquemas. Por isso, teria sido assassinato. O parlamentar informou que encaminhou ofício ao governador de Minas, Antônio Augusto Junho Anastasia, e ao chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Cylton Brandão da Matta, em que pede o afastamento dos policiais indiciados pela corregedoria-geral. O deputado também solicitou à Câmara de Ipatinga o afastamento do vereador Werley.
Fotógrafo
O deputado também mencionou o caso do fotógrafo freelancer, aposentado por invalidez na antiga Acesita, Walgney Assis Carvalho, morto a tiros 37 dias depois do assassinato do repórter Rodrigo Neto. No entendimento do parlamentar, Walgney recebeu informações de quem havia matado Rodrigo Neto e pode ter sido morto por isso”, concluiu.
Ley afirma desconhecer inquéritos
Em entrevista na noite de ontem, o presidente do Legislativo Werley Glicério Furbino, o Ley de Trânsito, disse desconhecer os inquéritos citados por Durval Ângelo. Não tive informação que tenha sido concluso qualquer tipo de inquérito em que eu tivesse sido indiciado”, declarou. Ele disse que em um outro momento”, quando era chefe do Ciretran, denúncias foram feitas contra ele. Recebi denúncias anônimas, que me imputavam de algum tipo de infração administrativa, que poderia ser considerada crime. Fui ouvido em sindicância em momento preliminar. Não lembro quando foi, nem do que se tratava. Naquela fase fui ouvido, mas tomei conhecido na data de hoje, no fim da tarde, que eu teria sido indicado. Eu não sei se fui, vou aguardar informações”, afirmou.
O vereador informou que enviou ofício ao governador do Estado, ao secretário de Defesa Social, ao Chefe da Polícia Civil, Ministério Público, para que se manifestem e informem se há alguma investigação em andamento em relação a ele sobre a morte do repórter Rodrigo neto.
Quanto às declarações do deputado ontem, na ALMG, Ley do Trânsito disse que foi uma afirmação grave. Maliciosa, que me deixou de certa forma indignado. Nunca fui ouvido em inquérito de crime contra a vida. Eu até me recuso a falar o nome desse deputado irresponsável. Ele está politizando, usando o sofrimento das pessoas da região”, pontuou.
O presidente do Legislativo ipatinguense lembrou que o repórter assassinado, trabalhou em sua campanha política. Ele era meu amigo. Quero que se apure e coloque atrás das grades aquele que matou e se tiver algum mandante que seja feita justiça, que não se faça injustiça”, salientou.
Ley do Trânsito disse ainda que vai contratar um advogado criminalista para processar o deputado Durval Ângelo, que, no entendimento dele, hoje cometeu um crime ao me acusar de forma leviana e caluniosa”, anunciou. O vereador também negou a acusação de cobrar 10% do valor de cada emplacamento realizado na região do Vale do Aço. Nunca fiz isso, não tenho nada a ver com isso. Sempre fui policial sério. De forma política quiseram me prejudicar, tanto que a denúncia foi anônima”, defendeu-se.
Ley do Trânsito também falou sobre a denúncia relacionada aos emplacamentos. Quem suspende e credencia empresa que vai prestar serviço público é o chefe do Detran. Se a denúncia é de quem eu acho, a fábrica foi descredenciada, por determinação do chefe do Detran. Chefe de Ciretran não tem essa competência”, destacou.
Afastamento
Quanto ao pedido de afastamento feito pelo deputado e encaminhado à vereadora Lene Teixeira (PT), Ley do Trânsito disse que ainda não foi notificado sobre a questão, oficialmente.
Sobre seu possível afastamento, Ley do Trânsito disse que, pelo Regimento Interno da Câmara de Ipatinga, não há essa probabilidade. Não há nenhum crime administrativo, não fui preso em flagrante, não tenho nenhum tipo de determinação judicial para isso”, concluiu.
Vereadora convoca bancada para discutir pedido de afastamento
A vereadora Lene Teixeira (PT) informou, na noite de ontem, por meio de sua assessoria, que recebeu ofício do deputado estadual Durval Ângelo (PT), com o pedido de imediato afastamento” do presidente da Câmara, Werley Glicério (PSD), de suas funções legislativas.
O deputado, presidente da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia de Minas, justifica seu pedido ao comunicar o indiciamento do vereador Ley do Trânsito junto à Corregedoria-Geral de Polícia Civil do Estado.
Assim que recebeu a documentação, Lene Teixeira comunicou o fato ao vereador Ley do Trânsito e convocou uma reunião com a bancada do PT na Câmara. De acordo com a vereadora, líder do PT na Casa, um novo encontro para discutir o assunto será realizado nesta quinta-feira (16)”, informa a assessoria da vereadora.
As acusações são muito sérias e tratam de investigações realizadas pela própria Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais. Comunicamos o fato aos demais vereadores que integram o PT e marcamos uma nova reunião para estudarmos quais providências serão tomadas, dada a gravidade do assunto”, pontuou Lene Teixeira.
O QUE JÁ FOI PUBLICADO SOBRE O ASSUNTO:
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