24 de maio, de 2013 | 00:00

Manifesto pede continuidade do Revalida

Concentração de estudantes e profissionais da medicina na região ocorre na manhã de sábado


IPATINGA – Neste sábado (25), profissionais e estudantes de medicina do Vale do Aço realizam passeata contra a revalidação automática de diplomas de médicos estrangeiros no Brasil. O movimento, de abrangência nacional, reforça a insatisfação da classe diante da polêmica iniciativa do governo federal em “importar” médicos para trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida em avaliação no Planalto irá dispensar do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), os médicos diplomados na Espanha, Portugal e Cuba, por exemplo, para trabalho temporário em áreas com déficit destes profissionais no país. Em contrapartida, esses estrangeiros só poderão atuar nas áreas determinadas pelo governo, como em periferias e no interior, e por período máximo de três anos.

O manifesto a ser realizado amanhã no Centro tem como objetivo chamar a atenção do poder público para o exame que figura como um dos maiores obstáculos para evitar a entrada de profissionais de baixa qualidade no país.

Organizador do movimento regional, o estudante de medicina Ermon Bhering, 22 anos, destaca que o intuito é convencer o governo a manter o exame. Aluno da 8ª fase, ele argumenta que, dessa forma, profissionais despreparados, que não foram submetidos a vestibulares; cursaram medicina em universidades onde os critérios de aprendizado e avaliação são totalmente desconhecidos; ou ainda com carga horária inferior e sem preparo às particularidades da saúde brasileira, integrem tão facilmente o quadro de médicos do país.

Condições
Na opinião de Bhering, o déficit na área se explica pelas más condições de trabalho oferecidas aos médicos brasileiros, inclusive a remuneração. “A estrutura da saúde pública no país não dá condições para que um médico vá trabalhar em lugares distantes. O país vive aquela situação de que se um médico não faz alguma coisa ou faz errado por falta de estrutura, ele é responsabilizado por isso. Nós não queremos trabalhar nesses lugares justamente para não sermos culpados de alguma coisa que poderá ocorrer pelas más condições de trabalho”, justificou.

O universitário, além disso, rebate a alegação do governo de que o número de profissionais é insuficiente para a população. “Não faltam médicos. Exemplo disso são Brasília e Rio de Janeiro, lugares onde mais concentram médicos e a saúde está pior. Há uma média de 4,37 médicos por mil habitantes – a OMS estabelece que deva existir um profissional a cada mil habitantes no mínimo. E, temos hoje uma média de dois médicos a cada mil habitantes no Brasil inteiro”, compara.


A passeata sairá às 8h da Faculdade de Medicina de Ipatinga, localizada no bairro Veneza I, com destino à Praça dos Três Poderes. Carros de som, distribuição de panfletos e recolhimento de assinaturas para um documento a ser levado a Brasília estão entre as atividades programadas na atividade.
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