25 de maio, de 2013 | 00:00

População em situação de rua volta a contar com acolhimento

Reaberta, a Associação Projeto Videiras completa uma semana de atendimento


IPATINGA – O cenário preocupante da população em situação de rua em Ipatinga ganhou, na última semana, um capítulo positivo. Com as atividades suspensas desde dezembro de 2012, o Projeto Videiras, responsável pelo albergue municipal, foi retomado. Com isso, os serviços de acolhimento das pessoas que residem nos espaços públicos e equipamentos urbanos do município voltaram a funcionar. Somente em uma semana de reabertura, a entidade, localizada no Centro, já realizou 183 atendimentos aos migrantes e moradores em situação de rua.

Os repasses em atrasos foram regularizados e os serviços de pernoite são oferecidos há quase dez dias, depois de seis meses de interrupção. O fundador do projeto, que existe há 11 anos, Ednaldo Felipe dos Santos, ressalta que a retomada dos trabalhos pode reduzir significativamente o número de crimes ocorridos na região central de Ipatinga. “É algo que beneficia não somente a população em situação de rua, como toda a sociedade”, resume.

Com 50 leitos, o projeto oferece, além de um lugar para dormir, alimentação, banho, atendimento psicológico, social e espiritual. “O período que ficou parado foi difícil para nós que fazemos esse trabalho há tanto tempo. Mais difícil ainda para todos eles que ficaram todo esse tempo sem referência. Havia assistidos que há seis meses não tomavam um banho, não faziam a barba ou não se alimentavam de forma digna. Alguns, infelizmente, faleceram por falta de assistência. Todo um trabalho se perdeu e agora estamos começando literalmente do zero”, disse a psicóloga e coordenadora da associação, Sidinéia Arruda Silva.

Wesley Rodrigues


Coordenadores e assistido


As ações são realizadas das 16h até às 8h da manhã. O próximo passo é a implantação do Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro POP), que oferecerá programas de educação e emprego para o segmento social durante o dia. A iniciativa ainda é discutida pela Prefeitura de Ipatinga.

O Projeto Videiras, além disso, deverá ser ampliado em curto prazo. Os dirigentes destacam a possível abertura de uma casa de terapia. “Seria uma casa para estarmos encaminhando pessoas para recuperação do uso abusivo de crack e outras drogas”, antecipou Sidinéia.

 

Recompensa
Morando nas ruas de Ipatinga há sete anos, Flávio Mendes dos Reis, 33 anos, conheceu nessa semana o trabalho do Projeto Videiras. O usuário da casa diz ser grato ao que recebeu. “Eu estava dormindo na rua e a segurança que não tenho lá eu tenho aqui. Aqui tem a janta, tem o café da manhã – uma coisa que ajuda muito a gente. É bom para mim e para todos que estão morando na rua”, citou.

Marlene Zacarias Alves, 48 anos, tem uma história de idas e voltas ao vício que a privou das necessidades básicas humanas. Emocionada e confusa quanto às lembranças, ela diz buscar uma oportunidade para mudar de vida.

Wesley Rodrigues


Marlene Zacarias


“Eu moro em Vargem Alegre, mas vim para cá e não tinha lugar para ficar. Eu estudei aqui no Projeto Videiras antes de ir para Vargem Alegre - fiz um curso de cabelereira. Mas quando eu cheguei lá, comecei a trabalhar num bar, o que me deu depressão. Por lá me ofereceram uma droga e eu aceitei. Perdi minha Bolsa Família, que era o dinheiro que eu tinha pra comer, não conseguia fazer nem uma conta, porque ficava “perdida” com a droga e voltei à mesma situação. Agora eu estou quase conseguindo parar. Mas com o estresse, o nervosismo, você acaba indo para aquilo. E aí fazem com você o que quiserem por causa do jeito que você fica. Isso aqui é uma recompensa”, desabafou a assistida.

Doações
A entidade pede por doações e voluntários interessados no trabalho. Roupas, principalmente masculinas, para serem oferecidas aos usuários, podem ser entregues à rua Santa Bárbara, 28, Centro (atrás da Delegacia).  Outras informações podem ser obtidas por meio dos telefones (31) 3824-0007/ 8517-2884. 
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