25 de maio, de 2013 | 00:00

Dois meses à procura de socorro para o marido

Ex-conselheira tutelar lamenta burocracia que pode ter resultado na morte do marido


TIMÓTEO – Dois meses contados dia a dia. Este foi o tempo que a ex-conselheira tutelar Neuza Maria Machado Ribeiro perambulou entre o serviço público de saúde e a Justiça, numa tentativa de assegurar um exame médico para o seu marido, o metalúrgico aposentado Darci do Nascimento Ribeiro, de 61 anos.

Sem o exame e o tratamento de que precisava, Darci, que era diabético e hipertenso, morreu de um infarto fulminante no dia 17 deste mês, exatamente dois meses após o início do calvário da moradora da rua 84, no bairro Novo Horizonte.
Neuza Maria Machado procurou o DIÁRIO DO AÇO esta semana para explicar que Darci, em uma consulta médica, teve requisitado um exame de arteriografia ou angiografia – procedimento radiológico para que um especialista avaliasse o interior das artérias do organismo, de forma a perceber alterações e diagnosticar doenças.

“Ocorre que este exame custa quase R$ 6 mil. Procurei diversas vezes a Secretaria Municipal de Saúde, a Superintendência Regional de Saúde e, por fim, o Ministério Público e a Justiça. Procurei vereadores, pessoalmente o secretário de saúde e nada foi resolvido”, lamentou.

A viúva disse não ter dúvidas que a demora na liberação do exame foi decisiva para a ocorrência do óbito. Ainda abalada pela perda do companheiro, a timoteense afirma não pensar em processos ou indenizações. “As pessoas precisam entender que elas têm direitos e nem sempre esse direito é respeitado pelas instituições. Os administradores públicos precisam entender que a vida das pessoas precisa de prioridade e isso não pode ficar preso a uma rede de burocracia, porque senão as pessoas morrem, como foi com o meu marido”, concluiu.

Solidariedade
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde e Qualidade de Vida de Timóteo lamenta o falecimento de Darci do Nascimento e externou solidariedade à família. “O município tomou todas as providências compatíveis para o atendimento da demanda do paciente através do Sistema Único de Saúde, conforme as normas em vigor estabelecidas pela Secretaria de Estado da Saúde”, ressaltou o comunicado.
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