06 de junho, de 2013 | 00:00

Alerta para o bullying virtual

Defensora pública frisa que agressão pode ocasionar graves problemas psicológicos e sociais


IPATINGA – Aquelas “implicâncias” entre alunos que envolvem apelidos, piadas de mau gosto, hoje chamadas de bullying, sempre existiram, mas atualmente receberam uma atenção especial na mídia e dos especialistas. Uma pesquisa nacional sobre o bullying – agressões físicas ou verbais recorrentes nas escolas – mostrou que cerca de 70% dos alunos do país já viram algum colega ser maltratado pelo menos uma vez na escola.

Na Região Sudeste, o índice chega a 81%, revela estudo feito pelo Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (Ceats), a pedido da Plan, uma organização não-governamental (ONG). O levantamento ouviu 5.168 estudantes do ensino fundamental de todas as regiões do país, de escola públicas e particulares. A pesquisa aponta que 28% dos alunos afirmam já ter sofrido maus-tratos na escola praticados por colegas, e cerca de 10% são considerados vítimas de bullying.


Os estudantes entrevistados apontam diversos motivos para a violência escolar, entre eles a omissão da escola, influência de comportamentos familiares agressivos, busca por popularidade, status e a aceitação em um grupo.

Internet
Em função da alta socialização feita por meio da internet, esse contexto de violência no ambiente escolar muitas vezes se estende para o ambiente virtual. Trata-se do “cyberbullying”. Estudo da organização não-governamental SaferNet, responsável pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, aponta que 64% dos jovens que responderam à pesquisa usam a internet no próprio quarto, 38% relataram já ter sido vítima de algum tipo de agressão ou humilhação pela internet e 10% já sofreram chantagem on-line. O estudo contou com a participação de 1,4 mil crianças, jovens e pais de todo o país.

Perigo
A defensora pública do Estado, Francis Rabelo, autora do projeto “Mediação Escolar: Paz em Ação” (Mesc), desenvolvido em escolas de Belo Horizonte e Região Metropolitana da capital e que recentemente esteve no Vale do Aço, afirma que a questão merece cuidados, principalmente com os meios de comunicação virtuais. O Mesc utiliza a técnica de mediação como instrumento pacificador e minimizador da violência juvenil. “Hoje acho importante dar um nome para isso, porque existem casos especiais de confronto e constrangimento, crimes contra a honra, situações que merecem tratamento criminal ou dano”, ressaltou.

A defensora relata que, nesses casos, no primeiro momento ela tenta a mediação entre a família e a escola. “Se não resolver, aí entra a ação de indenização. Já acompanhei situações de bullying que geraram efeitos graves na vítima. Hoje em dia sabemos que uma coisa é a brincadeira, própria da juventude. Mas existem situações de perseguição e temos meios que propiciam isso”, argumentou Francis Rabelo.


A advogada definiu o cyberbullying como “perigoso”. “É algo muito perigoso, uma maldade colocada numa rede social estraga a vida de um adolescente. Nessa fase, a personalidade está em formação. Eles merecem todo cuidado e proteção. A escola tem corresponsabilidade com a família nesse momento. Não pode se omitir”, ressaltou.


Francis Rabelo chama a atenção para os efeitos do bullying na saúde física e mental de um jovem. “Temos casos extremos como o de Columbine, nos Estados Unidos, de situações em que a vítima do bullying não tendo como reagir, se arma e premeditadamente comete violência contra todos. Então, se o bullying não for controlado, teremos casos semelhantes aqui”, concluiu a defensora pública. (Com Agência Brasil).


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Decisão judicial alerta escolas sobre o bullying - 20/05/2010
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