11 de junho, de 2013 | 00:00

Famílias que viviam em hotel são transferidas

Determinação judicial ainda não é definitiva, mas traz alívio e privacidade


FABRICIANO – De endereço e mobília nova, as três famílias que há quase sete anos viviam em um quarto de hotel, no centro de Coronel Fabriciano, foram transferidas para novas casas, alugadas pela Copasa. Mesmo não sendo ainda uma solução definitiva, a mudança promove uma sensação de liberdade e oferece mais privacidade para as famílias.

As famílias ficaram desabrigadas em janeiro de 2007, depois de um deslizamento de terra, provocado pelo corte de um barranco. Uma obra era realizada por uma empreiteira da Copasa no fundo das residências para a passagem de uma rede coletora de esgoto. As casas foram condenadas pela Defesa Civil e as famílias levadas para um hotel no centro de Fabriciano.

Agora, depois de mais de seis anos, três famílias que ainda viviam no hotel foram transferidas para residências, duas no bairro Caladinho de Baixo e outra no bairro Bom Jesus. As outras duas famílias desabrigadas, já não viviam mais no hotel porque decidiram por conta própria encontrar um novo lar, mas esperam receber na Justiça a indenização devida.

A artesã Inês de Oliveira Coutinho, que por muitas vezes testemunhou ao DIÁRIO DO AÇO, o seu sofrimento de morar em um quarto apertado de hotel, abriu as portas de sua casa nesta segunda-feira (10), para falar da nova vida. “Nunca moramos de aluguel, mas lá no hotel estava muito sofrido e mesmo essa casa ainda não é nossa em definitivo; está bem melhor do que morando lá”, desabafou.

No hotel, a família de Inês ocupava dois quartos, um para o casal e outro para os três filhos, duas moças e um rapaz que eram obrigados a dividir o mesmo espaço, sem nenhuma privacidade. Agora no novo endereço, as meninas podem finalmente dormir em quartos separados.

Além de ampla e espaçosa, todos os móveis são novos, a empresa mobiliou todos os cômodos e forneceu ainda eletrodomésticos, eletroeletrônicos, panelas e vasilhas. “Para mim, foi uma conquista muito grande porque a casa é muito boa, espaçosa, com quarto pra todos os meus filhos”, comemora.

Reaprendendo
Depois de tantos anos morando em hotel, com horários e regras a seguir, a família está reaprendendo a conviver em um lar de verdade. “A gente tá aprendendo tudo de novo, é tudo muito diferente porque lá nossa rotina era outra, agora nós podemos cuidar da nossa casa, fazer a comida, a limpeza de uma forma bem nossa mesmo”, ressalta Inês.

A dona de casa teme que a decisão seja apenas provisória e não garanta alguma segurança para as famílias. “Nós estamos esperando que esse processo se resolva o mais rápido possível porque essa casa não é nossa e sonhamos em ter nossa casa própria de novo”, argumenta.

Processo ainda está na justiça

O advogado das famílias, Ednaldo Pessoa, explica que a ação de indenização ainda tramita na Vara da Fazenda Pública de Coronel Fabriciano. “Na última manifestação, os autos foram remetidos ao representante do Ministério Público que já deu o seu parecer e retornou à secretaria. Provavelmente (o processo) irá concluso ao juiz ainda esta semana, e aí sim virá uma sentença relativa à indenização aos danos materiais e morais”, detalhou.

O advogado ainda não sabe afirmar se há alguma garantia para as famílias com essa mudança para as novas casas. “Com a sentença é que nós vamos ter conhecimento se as famílias vão ou não permanecer nessas casas alugadas pela Copasa. As casas foram locadas por determinação judicial e nesta determinação não fixa um prazo. Eu creio que, enquanto o processo estiver tramitando as famílias permanecerão onde estão”, afirmou.

Para o advogado, a mudança mesmo sendo para um local melhor não diminui todo o sofrimento das famílias ao longo dos últimos seis anos. Ednaldo Pessoa conta ainda que foi realizada uma perícia para medir os danos materiais e o resultado desta perícia consta nos autos e atende aos anseios das famílias.


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