25 de junho, de 2013 | 00:00
Manifestantes planejam nova paralisação da BR-381
Sem retorno positivo do Dnit, moradores da comunidade rural de Machado pretendem interromper o trânsito da via
DA REDAÇÃO No próximo fim de semana, moradores da comunidade rural de Machado, em Antônio Dias, poderão interromper novamente o trânsito da rodovia BR-381. No último sábado (22), manifestantes fecharam as duas pistas por mais de seis horas, o que provocou um congestionamento de aproximadamente 15 quilômetros, segundo a Polícia Rodoviária Federal em João Monlevade, que atendeu a ocorrência. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ressaltou que, em curto prazo, não é possível a implementação de um radar na BR-381 na altura do povoado principal reivindicação dos manifestantes.
É a terceira vez que os moradores da comunidade interrompem o trânsito da rodovia este ano. Os protestos ocorrem em razão da falta de segurança na via. No início de janeiro o adolescente Breno Gomes Vitor Madeira, 14, morreu atropelado no local.
Os manifestantes dizem que, em fevereiro, equipes do Dnit instalaram uma faixa de pedestres e um sonorizador no Km 307 da BR-381, local de travessia de pedestres onde existem pontos de ônibus nos dois lados da rodovia. Mas os dispositivos não fizeram com que os condutores que passam por ali reduzissem a velocidade. Nem assim eles respeitam. Já foram registrados vários acidentes na estrada”, afirma a dona de casa Penha de Fátima Vieira Silva, moradora da comunidade que participou do protesto no sábado.
No último manifesto, cerca de 300 moradores do povoado interromperam o trânsito da rodovia, ateando fogo a uma barricada de pneus. Entre 17h e 23h, nenhum veículo conseguiu passar. O sonorizador só serve para fazer barulho. A prioridade é a instalação de um radar. Se nada for feito até o fim da semana, iremos paralisar o trânsito de novo”, disse Jairo Santiago da Silva, que também participou do movimento.
A principal preocupação de quem mora no entorno é com as crianças que precisam transpor a BR-381 para acesso à escola. Moradora de Ipatinga, a cabeleireira Ecione Rodrigues Nascimento Santiago, 34, vai a Machado pelo menos uma vez por semana. Para ela, o protesto é a única forma de os moradores chamarem a atenção dos órgãos de trânsito para o perigo vivenciado naquela comunidade. Não há sequer acostamento, as crianças não têm segurança. Elas acordam cedo para ir para a escola e precisam atravessar a rodovia sem nenhuma segurança”, lamentou.
Válido
O aposentado Wanilson Cândido, 64, estava entre os condutores impossibilitados de seguir viagem no sábado. Ele, que retornava a Ipatinga de um evento em Belo Horizonte com mais oito pessoas, conta que, embora se sensibilize com o problema, foi difícil permanecer no carro sem água ou alimentação. Foi um caos. E ficamos com medo, uma vez que, no rádio, falavam do vandalismo que ocorria nos manifestos em Belo Horizonte”, lembra.
Wanilson estava em uma Sprinter que passou pelo povoado quando o protesto começou, às 17h. Só por volta de meia-noite conseguiu chegar a Ipatinga. As reivindicações são válidas. O que nos prejudicou foi o tempo que ficamos na pista, sem falar da falta de comunicação poucas operadoras têm sinal ali”.
Impossibilidade
A Polícia Rodoviária Federal informou que, apesar da queima de pneus, nenhum confronto foi registrado.
A assessoria de Comunicação do Dnit, por sua vez, disse, por telefone, que o órgão já havia dialogado com os manifestantes anteriormente. À época, foi informada a impossibilidade de atender a demanda, em razão da indisponibilidade do equipamento de controle de velocidade. Um acordo foi feito com os moradores do povoado, com a instalação de paliativos como a faixa de pedestres, o sonorizador, além de reforço na sinalização. E o acordo foi quebrado, tínhamos acertado que não fariam esse tipo de manifestação novamente. Já ficou claro que o órgão não tem condições de atender a demanda nesse momento. Não há possibilidade, pelo menos em curto prazo, do atendimento àquela região com a instalação de radares”, enfatizou o órgão.
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