05 de julho, de 2013 | 00:25

Cães são alvos de crueldade

Moradora do bairro Santa Helena, Cel. Fabiciano, denunciou casos ao MP e Polícia Civil, mas autoria ainda não foi identificada


FABRICIANO - Pelo menos quatro cachorros de rua foram vítimas de maus-tratos nos últimos dois anos no bairro Santa Helena. Corte no pescoço e ombro e distribuição de bolos de carne envenenados em alguns pontos do bairro são as formas de ataque utilizadas por quem praticou a maldade e que ainda não foi identificado. Quem denuncia é a moradora do bairro e “dona adotiva” dos cachorros atacados, Maria Carolina Silva Valente, 36 anos. 


Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, Maria Carolina informou que o caso chegou a ser levado ao Ministério Público e à Polícia Civil, mas ninguém foi identificado ainda. Ela conta que o primeiro caso ocorreu em outubro de 2011. Os cães vivem na rua e recebem assistência de Maria Carolina. “Em outubro de 2011, três cachorros foram esfaqueados na região do bairro Santa Helena. Recolhi um cão por um fim de semana. Ao todo, eram cinco os cachorros que eu ajudava a cuidar. Três foram feridos. Os resgatei e os levei para a clínica veterinária. Eles ficaram três meses internados. Todos sobreviveram”, relatou.

Denúncia
Polliane Torres


maria carolina silva
Durante o ocorrido, em 2011, Maria Carolina Silva tirou fotos dos animais feridos e as enviou à Ouvidoria do Ministério Público Estadual. “Eles enviaram o caso para a Promotoria de Justiça de Fabriciano. Encaminhei as fotos à Promotoria daqui”, disse. Maria Carolina Silva informou que, ao acompanhar o atendimento, a veterinária falou que os ferimentos eram causados por objetos cortantes. “Ela disse que os cortes e furos deviam ter sido feitos com bisturi ou uma faca muito afiada. Todas os animais foram agredidos da mesma forma”, completou.

Em 2012, a moradora fez representação na Delegacia de Polícia Civil de Fabriciano. Ela chegou a ser ouvida duas vezes, mas por falta de provas e testemunhas, Maria Carolina não conseguiu indicar o nome do suspeito. “O próprio MP determinou a abertura de inquérito. Levei as fotos para a PC e me chamaram duas vezes para depor. Porém, eu não pude revelar o nome do suspeito, que anteriormente já havia ameaçado fazer alguma maldade contra os cães. A pessoa que sabia quem fez a ameaça estava com medo de falar o nome”, revelou Maria Carolina Silva. O inquérito ainda está em andamento.

Bolos envenenados
Em outubro de 2012, Maria Carolina Silva descobriu bolos de carnes espalhados pelas ruas do bairro Santana Helena. As “iscas” foram fotografadas por ela e encaminhas a PC. “Fotografei os bolos. Eles se caracterizaram por um forte cheio. Em 10 de junho deste ano, um dos dois cachorros que eu cuido no momento foi esfaqueado da mesma forma como no passado. Com cortes na garganta, o cão ficou internado por três semanas”, lamentou a moradora.

Maria Carolina alega que, em junho, o profissional que atendeu o cachorro comentou que, uma semana antes, socorreu quatro cães, do bairro Nazaré, por envenenamento por bolo de carne.

Conscientização
Reprodução


cachorro ferido
Como forma de tentar conscientizar os moradores das redondezas, Maria Carolina elaborou um panfleto com duas fotos de cachorros agredidos, com o telefone 181 para denúncias e informação sobre a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que prevê as penalidades para quem pratica maus-tratos ou atos de abuso contra animais. “Até na caixa do correio do suspeito coloquei as fotos e o panfleto, mas ainda assim a agressão voltou a ocorrer”, comentou. Maria Carolina reclama da falta de colaboração das pessoas em denunciar, mesmo que anonimamente. “Enquanto isso, a pessoa que agrediu está impune, solta e os maus-tratos podem ocorrer novamente”, frisou. A moradora do Santa Helena afirma que espera empenho das autoridades no caso.

De acordo com o artigo 32 da Lei 9.605 a pena por praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou matar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, é de detenção por três meses a um ano e multa. A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorrer a morte do animal. 
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