19 de julho, de 2013 | 00:25

RMVA registra 300 homicídios em três anos

Mapa da Violência apresenta relatório de mortes violentas entre 2009 e 2011.


DA REDAÇÃO – As notícias cotidianas sobre violência, seja na zona urbana ou rural dão a sensação de aumento da criminalidade e de insegurança constantes. Os números do “Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil”, publicado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), comprovam essa percepção cotidiana. O documento foi elaborado com base em dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, aponta que, entre 1980 e 2011, as mortes não naturais e violentas de jovens – como acidentes, homicídio ou suicídio – cresceram 207,9%. Se forem considerados só os homicídios, o aumento chega a 326,1%. Dos cerca de 34,5 milhões de pessoas entre 14 e 25 anos em todo o país, 73,2% morreram de forma violenta em 2011. Na década de 1980, o percentual era de 52,9%.

Nos municípios da Região e Colar Metropolitano do Vale do Aço, os números são alarmantes (confira no quadro). O Mapa da Violência traz o número de homicídios nos municípios nos anos de 2009, 2010 e 2011. Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso somam 300 homicídios nos três anos mencionados. Ipatinga lidera os dados com 159 mortes violentas; seguida de Coronel Fabriciano com 78; Timóteo, 43; e Santana do Paraíso, com 20 mortes violentas.

A pesquisa mostra ainda a posição dos municípios em relação às mortes violentas na classificação na lista nacional e estadual, considerando a proporção do número de habitantes. Santana do Paraíso é o município da região com mais homicídios nas duas classificações, ocupando o 19º lugar em Minas e o 331º no Brasil. Em âmbito estadual, Ipatinga ocupa a 48ª posição e a 683ª no país. O município de Coronel Fabriciano, por sua vez, figura em 21º lugar no Estado e em 359º no Brasil. Já Timóteo ocupa o 39º lugar em Minas e a 621ª posição nacional.

Avaliação
O autor do mapa, Julio Jacobo Waiselfisz, em entrevista à Agência Brasil, explicou que a transição da década de 1980 para a de 1990 causou mudanças no modelo de crescimento nacional, com uma descentralização econômica que não foi acompanhada pelo aparato estatal, especialmente o de segurança pública. O deslocamento dos interesses econômicos das grandes cidades para outros centros gerou a interiorização e a periferização da violência, áreas não preparadas para lidar com os problemas.

“O malandro não é otário, não vai atacar um banco bem protegido, no centro da cidade. Ele vai onde a segurança está atrasada e deficiente, gerando um novo desenho da violência. Não foi uma migração meramente física, mas de estruturas”, destacou Waiselfisz.

 

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tabela homicidios


 

Em 30 anos, mortes por arma de fogo crescem 346,5%

O Mapa da Violência traz ainda estudo “Mortes Matadas por Armas de Fogo”, do mesmo autor Julio Jacobo Waiselfisz. O estudo focaliza os últimos 30 anos de mortalidade por armas de fogo no Brasil. São homicídios, suicídios e acidentes, pela ação de armas de fogo. Verifica-se também a incidência de fatores como o sexo, a raça/cor e as idades das vítimas dessa mortalidade. Segundo a pesquisa, os registros do Subsistema de Informação sobre Mortalidade permitem verificar que, entre 1980 e 2010, perto de 800 mil cidadãos morreram por disparos de algum tipo de arma de fogo. Nesse período, as vítimas passam de 8.710 no ano de 1980 para 38.892 em 2010, um crescimento de 346,5%.

A pesquisa ressalta a necessidade de considerar que, nesse intervalo, a população do país cresceu 60,3%. Entre os jovens de 15 a 29 anos esse crescimento foi ainda maior: passou de 4.415 óbitos em 1980 para 22.694 em 2010: 414% nos 31 anos entre essas datas.

O alto crescimento das mortes por armas de fogo foi puxado, quase exclusivamente, pelos homicídios, que cresceram 502,8%, enquanto os suicídios com armas de fogo cresceram 46,8% e as mortes por acidentes com armas caíram 8,8%. Segundo estimativas realizadas por Dreyfus e Nascimento, em “Brazil: The Arms and the Victims” e “Small Arms Holdings in Brazil: Toward a Comprehensive Mapping of Guns and Their Owners”, na última década o país contava com um vasto arsenal de armas de fogo: 15,2 milhões em mão de particulares; 6,8 milhões registradas; 8,5 milhões não registradas; 3,8 milhões em mãos de agentes criminais.

Fatores
De acordo com a pesquisa são vários os fatores que concorrem para a explicação de nossos elevados níveis de mortalidade por armas de fogo. Os principais, para o autor, são: facilidade de acesso a armas de fogo; cultura da violência e impunidade. Em relação à primeira causa aponta, o autor explica que a farta disponibilidade de armas de fogo e as facilidades existentes para sua aquisição. Soma-se isso à chamada cultura da violência que é o reflexo das decisões de utilizar armas para resolver qualquer tipo de conflito interpessoal, agrava a situação.

 


MAIS:

Coronel Fabriciano já soma seis homicídios no ano - 23/01/2012

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