19 de julho, de 2013 | 00:00
Terceirizados da Cemig cruzam os braços
Trabalhadores questionam desconto sindical, melhorias de benefícios e salários, entre outros
IPATINGA Funcionários da Ecel Engenharia e Construções LTDA, empresa prestadora de serviços da Cemig, paralisaram as atividades por tempo indeterminado. Sem vínculo a qualquer sindicato, os trabalhadores cobram, entre outros pontos, esclarecimentos sobre o desconto sindical realizado em seus contracheques. Além disso, a reivindicação é por melhoria nos benefícios recebidos e também na remuneração, cujo piso não seria cumprido. Procurados pelo DIÁRIO DO AÇO, representantes da empresa no bairro Caravelas não quiseram se pronunciar sobre a situação. A greve foi iniciada na quarta-feira (17).
O eletricista e motorista da Ecel, Genilson Carlos Pereira, relata que em dois dias de paralisação, os serviços realizados pelos funcionários da empresa terceirizada já estavam comprometidos. Um comunicado sobre o pleito dos trabalhadores foi enviado à empresa no dia 17, mas não foi respondido até a tarde desta quinta-feira.
Estão parados os setores de construção, manutenção, corte, ligação, entre outros. Só o setor administrativo que se mantém em funcionamento. Em Ipatinga a adesão é total. Temos aqui uns 150 a 200 funcionários, entre eletricistas, ajudantes e encarregados, sendo que a Ecel deve ter uns 500 na região”, detalhou. Com a paralisação, estão pardos na garagem da empresa seis caminhões, 40 caminhonetes e 15 motos.
Genilson Carlos detalha que a reivindicação é por salário de acordo com o piso da categoria; reajuste do vale alimentação que hoje está fora da realidade; concessão do benefício do plano de saúde; pagamento de hora extra juntamente com pagamento do salário mensal, entre outros pontos. Queremos ainda uma resposta sobre minha situação, que estou há quase dois meses sem receber após uma punição injusta que recebi. Outro ponto é que trabalhamos nos fins de semana e feriados. Quando nos negamos, somos ameaçados. Eu e dois companheiros sofremos atos de assédio moral. Não existe previsão de término da paralisação. Chamamos a atenção do Ministério Público do Trabalho e dos órgãos competentes para o fato de estarmos desamparados. Queremos melhores condições de trabalho”, cobrou.
Sindicato
Diretor do Sindicato dos Eletricitários no Vale do Aço(Sindieletro), Enderson Hirata, observou que por dois anos foi recolhido um imposto sindical no valor médio de R$ 25 por trabalhador, motivo pelo qual a empresa Ecel foi questionada, mas não se pronunciou até então. A empresa não sinaliza para qual sindicato foi destinado esse dinheiro. Nós, do Sindieletro, representamos os trabalhadores da Cemig e tentamos há vários anos representar os eletricitários da Ecel, pois fazemos as mesmas atividades. Infelizmente a empresa terceirizada coloca na carteira a função de instalador para desvincular o serviço que fazem das atividades desenvolvidas pelo pessoal da Cemig”, detalhou.
Cemig
Em nota, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que a rotina de atendimento à população não foi alterada em função da greve dos empregados da empresa terceirizada Ecel, vinculados à companhia no Vale do Aço.
A Cemig ressalta, ainda, que não interfere nos processos de negociação salarial ou de acordo coletivo de trabalho entre as prestadoras de serviços e seus respectivos empregados, podendo apenas cobrar delas o cumprimento do contrato de prestação de serviços. Por fim, garante o atendimento de qualidade a seus clientes, independentemente de ocorrências como esta, conclui a nota.
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