25 de julho, de 2013 | 00:15

“Administração conjunta seria uma boa opção para aeroporto”

Possibilidade de transferir operação de aeroporto de Santana do Paraíso é articulada por deputado federal e prefeito


IPATINGA – A administração do aeroporto da Usiminas, situado no município de Santana do Paraíso, volta a ser motivo de especulação. Nos últimos dias a possibilidade ventilada é a transferência da gestão do aeroporto para um consórcio, que seria formado pelos principais municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA). A ideia surgiu a partir de uma conversa entre o prefeito de Santana do Paraíso, Antônio Afonso Duarte, o Zizinho (PT) e o deputado federal Gabriel Guimarães (PT).

A possibilidade foi apresentada ao ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, por meio do deputado Gabriel Guimarães, no último dia 15. O parlamentar observou que, após o lançamento do programa Rotas para o Futuro, visando ao estímulo e fortalecimento dos aeroportos regionais, serão trabalhadas duas etapas. “A primeira visa fortalecer os grandes polos, os municípios que fazem parte de centros importantes de logística, de turismo, de transporte de passageiros. A intenção é o fortalecimento dos aeroportos, seja com a ampliação de pista, melhoria do saguão, balizamento noturno, estrutura de aeroshopping, enfim, um fortalecimento geral dos aeroportos”, disse.

Conforme o deputado, a segunda parte será a interligação municipal, onde a cada 100 kms de área haverá um aeroporto que atenda a cada uma das regiões. No caso do aeroporto do Vale do Aço, Gabriel Guimarães destaca que, a partir de uma conversa com os prefeitos de Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso, a alternativa mencionada foi cogitada. “Seria constituída uma empresa pública, composta pelos municípios. Isso foi objeto de um questionamento nosso ao ministro Moreira Franco: se poderia ser feita a administração por uma empresa onde cada município teria uma cota de responsabilidade, de acordo com a atribuição de cada um”, informou.

Divulgação


Gabriel Guimarães


Para ele, a ideia precisa ser aprimorada, e, com alguns ajustes, pode tornar o local um aeroporto logístico importante, de transporte de passageiros e outros fins. O deputado petista aponta que a estrutura existente pode ser muito melhorada, o que viabilizaria uma operacionalidade melhor, com espaços para artesanato regional e instalação de lojistas, fazendo do aeroporto um ponto que corresponda à importância da região. “Poderia ser aproveitado ainda para fazer um polo de manutenção de aeronaves, mas para isso tem de ter uma empresa constituída com esse objetivo de fortalecer e viabilizar o aeroporto, possibilitando outros negócios que dependam da logística aeroportuária, uma logística de ponta. Podemos fazer do Vale do Aço um dos melhores polos logísticos do Brasil, pensando dentro dessa área metalomecânica, ciências e tecnologia. Além disso, temos a questão da ferrovia Goiás-Rio de Janeiro, cujo traçado original passaria pelo Vale do Aço. Podemos fazer do aeroporto um pilar importante desse conjunto de ações de fortalecimento da região”, vislumbrou.

Metrominas
Como exemplo do modelo de administração compartilhada, o deputado mencionou a Metrominas, empresa pública criada em 1997, com a finalidade de planejar, implantar, operar e explorar os serviços de transporte de passageiros sobre trilhos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A empresa foi constituída sob a forma de sociedade anônima, com titularidade acionária do Estado de Minas Gerais e participações das Prefeituras de Belo Horizonte e Contagem.

“O modelo funciona no caso do metrô e o diálogo é constante. No caso do aeroporto seria um formato semelhante, onde os municípios seriam valorizados, mantendo essa ligação direta com o aeroporto regional. A ideia é boa, tem chance de render. E atualmente, a Usiminas tem foco em aço e não tem por objetivo administrar um assunto que não é de sua atividade fim. Se ela quiser participar da gestão não haveria oposição, o que teria de ser estudado juridicamente. Mas o concedente é o poder público. O direito de explorar comercialmente e fazer linha BH, Ipatinga, Valadares, é regulado pela Agencia Nacional de Aviação Civil e, o que é o mais importante, é a autorização que o poder público detém como concedente. É uma ideia lançada e teremos de desenvolver bem isso”, pontuou.

Revitalização
Procurado, o prefeito de Paraíso informou que esteve em Brasília tratando de diversos assuntos, entre eles o aeroporto. Além disso, Zizinho informou que já se reuniu com diversos empresários que têm interesse na operação do aeroporto. “Isso surgiu de um bate-papo com Gabriel Guimarães, mas não fechamos ainda como seria. Inclusive aguardo uma agenda para fazer essa discussão de como se daria na prática. Tenho discutido formas para a demanda logística. Estamos focados na revitalização do distrito industrial e também no escoamento da produção do município. Santana do Paraíso está chamando a discussão, a ideia é prematura. Mas estamos focados nisso e acreditamos que pode ser o caminho”, salientou. 

Wôlmer Ezequiel


zizinho


O assunto deverá ser discutido em audiência conjunta em Brasília no próprio Ministério da Aviação Civil, no mais tardar no início de agosto. “Após esse diálogo com a Usiminas, vamos passar para a discussão e estudar uma proposta adequada a esse cenário. A ideia não é gerar despesas, acredito que só vale a pena se for para gerar benefícios e tiver viabilidade econômica. Poderiam ser pleiteados recursos junto ao governo. Mas a gestão só vale a pena se houver viabilidade econômica, o que no caso do Vale do Aço compensa”, reiterou. O deputado acrescentou que o novo foco não exclui necessariamente a Usiminas, mas o principal é uma empresa composta por municípios com foco em gestão e aprimoramento do aeroporto. 

Alternativa também inclui  Estado assumir operação 

No mês de junho, o DIÁRIO DO AÇO informou sobre a possibilidade de o governo de Minas assumir a administração do aeroporto, situação ventilada em outras oportunidades. Em conversa com a reportagem, após uma reunião com a direção da Usiminas, o presidente da Força Sindical de Minas Gerais, Luiz Carlos Miranda, confirmou que realmente existe esse interesse por parte da empresa. “Essa não é sua atividade fim, ela (Usiminas) não é especialista no assunto e já iniciou uma conversa com o governo, mas não tem nada definido ainda”, ponderou. Em reunião realizada na sede da empresa, em Belo Horizonte, o sindicalista tratou de diversos assuntos relativos ao Vale do Aço.

O assunto circulou nos bastidores de um evento em Governador Valadares, realizado no último dia 17 de junho, onde o vice-governador Alberto Pinto Coelho anunciou a ampliação e modernização do aeroporto valadarense, dentro do programa Rotas para o Futuro. Ao todo, serão investidos R$ 369 milhões em 23 aeroportos mineiros. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), disse que, oficialmente, não houve repasse de qualquer informação sobre o assunto.

Companhia desagrada usuários

Nos últimos meses, o DIÁRIO DO AÇO tem relatado a insatisfação de usuários quanto ao serviço aéreo prestado na região pela Azul Linhas Aéreas. Além do valor cobrado pela passagem, considerado elevado, o número de voos não tem atendido a demanda dos usuários. No último dia 21, mais uma redução no número de voos foi percebida. A partir de 5 de agosto, em razão de ajustes em sua malha aérea, a Azul deixará de operar o voo 5657, que liga as cidades de Governador Valadares, Ipatinga e Vitória. A informação foi publicada pelo “tudoviagem.com”, especializado em notícias sobre o transporte aéreo em Minas Gerais.

A companhia informou que manterá suas operações nessas cidades e continua oferecendo a ligação entre elas por meio de conexão no aeroporto de Viracopos, em Campinas, onde também é possível conectar-se a uma série de destinos no Brasil, a partir do embarque em Confins (Região Metropolitana de Belo Horizonte).

No mês de junho era possível encontrar passagem por R$ 59,90 de Ipatinga e Governador Valadares para Vitória, e também no sentido inverso. A partir de 5 de agosto quem é de Ipatinga terá que ir até Confins para seguir rumo a Vitória. No site da Azul não é possível mais comprar passagem para Vitória a partir de Governador Valadares. O motivo é que a maior cidade do Leste do Estado não possui voo direto para Confins.

Há duas semanas, a Azul cortou um voo em cada sentido entre a Pampulha e Ipatinga. A cidade conta com duas frequências em cada direção. Entre Confins e Ipatinga, a empresa oferece dois voos diários. Em Ipatinga, os passageiros contam ainda com um voo para Guarulhos, em São Paulo.

Em Juiz de Fora, a companhia decidiu suspender os voos para Belo Horizonte, no primeiro trimestre deste ano. A população pressionou e a empresa deverá retomar os voos entre a cidade da Zona da Mata e a capital mineira, mas operando voos apenas a partir de Confins. Já os voos de Juiz de Fora para São Paulo e Rio de Janeiro estão sem previsão de volta. Atualmente, há voos regulares para o aeroporto de Viracopos, em Campinas.

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