25 de julho, de 2013 | 00:00
Bota-fora no Ana Moura revolta moradores
Antiga pedreira é utilizada pelo município para o descarte de entulho
TIMÓTEO Moradores do bairro Ana Moura estão revoltados com uma área utilizada como bota-fora naquela comunidade. Na manhã dessa quarta-feira (24), um grupo de 100 pessoas organizou um protesto, impedindo a passagem de caminhões que tentavam fazer o despejo dos rejeitos. A administração municipal confirma que o local está arrendado para o descarte de entulho, pois faltam pontos para depositar os restos de construção civil.
A área é uma antiga pedreira desativada, localizada na estrada que dá acesso ao Pico do Ana Moura. Os moradores reclamam que, além da poeira acumulada, o trânsito intenso de caminhões ameaça a segurança de crianças e adultos por trafegarem em alta velocidade.
Conforme a promotora de vendas Luana Pádua, 31, além de entulhos são despejados outros tipos de lixos, prejudicando a saúde da população. Está sendo jogado entulho, lixo hospitalar, lixo de cemitério, tampa de caixão e latas de tinta. Então, a nossa reivindicação é tirar esse bota-fora porque o Ana Moura não é lixão e nós não vamos aceitar isso”, reclama.
A moradora alerta, ainda, sobre o fato de o local ser uma área de preservação ambiental, com algumas nascentes, e sofrer vários tipos de degradações. O pessoal não está respeitando isso e nós estamos cansados. O nosso medo é de quando vir chuva aquele lixo descer e deixar o bairro todo em risco”, argumentou.
Promessas
Os moradores já buscaram uma solução e fizeram várias reclamações na prefeitura, porém, segundo eles, nada foi feito para amenizar ou solucionar o problema, conforme o aposentado João Zeferino da Cruz, 65. Há muito tempo estamos procurando uma solução, promessas são anunciadas, mas infelizmente até hoje nada foi feito. E quem paga o pato com isso são as nossas crianças, e não tem gripe que sare porque a poeira não deixa”, protestou.
Os incômodos da poeira deixadas pelo lixo transportado no bairro acarretam em vários tipos de doenças respiratórias e viróticas. O motorista Ricardo Maycon, 34, alega ter contraído dengue em consequência do depósito mantido a céu aberto. Eu fiquei internado cinco dias por causa de dengue, só não morri porque tinha plano de saúde, nós estamos abandonados aqui”, criticou.
Para os moradores, o alto índice de dengue no bairro é culpa do lixo descarregado contendo vasilhames e pneus. Está passando lata de tinta, balde velho, tampa de caixão, pneu e isso tudo tá fazendo acumular água lá em cima. Depois vem a dengue, e eles falam que o foco está dentro de casa e, na verdade, não é bem assim”, denuncia a cabeleireira Flávia Ferreira da Silva Souza, 33.
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Administração pede tempo para resolver o problema
Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO o secretário municipal de Meio Ambiente, Serviços Urbanos e Trânsito, Eduardo Carvalho, explicou que a área da antiga pedreira está arrendada para o Município pelo valor mensal de R$ 10 mil, um acordo feito com a gestão anterior para o descarte de entulho.
Eduardo Carvalho, à frente da pasta há três dias, não soube confirmar se o local é realmente uma Área de Preservação Permanente (APP). Já determinamos esse levantamento para saber se é ou não uma área de preservação ambiental, tudo precisa ser analisado tendo em vista o longo período que o município já utiliza o local como depósito de entulhos”, justificou.
Para o secretário, a reivindicação dos moradores é legítima, porém, a administração precisa de tempo para solucionar o problema e encontrar novas áreas para acumular os entulhos recolhidos em Timóteo. Vamos levantar todas essas questões, inclusive já determinei ao departamento que providencie, o quanto antes, o licenciamento ambiental de outras áreas para que nós possamos ter alternativas para coletar o entulho, porque nós ainda não temos outro local”, garantiu.
Fiscalização
Sobre a denúncia de outros tipos de resíduos descartados no local, o secretário se comprometeu em aprimorar a fiscalização do descarte de lixo no município. E pediu ainda a colaboração de toda a população na hora de despejar o lixo de construções em vias públicas.
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