26 de julho, de 2013 | 00:00
Uma espera sem data para terminar
Reforma de antiga ponte entre Fabriciano e Timóteo não tem previsão para ser iniciada
FABRICIANO Deve ser longa a espera pela reforma da antiga ponte entre Coronel Fabriciano e Timóteo, sobre o rio Piracicaba. O projeto anunciado para ser executado neste mês ainda não foi licitado. Para agravar a situação, a greve dos servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) promete arrastar por muito tempo uma resolução para o problema, pois todos os processos de obras estão parados. Com isso, não há previsão para execução do projeto, uma situação que incomoda e aumenta a preocupação de empresários e moradores.
José Aparecido Gomes é dono de uma loja de peças para caminhões e, segundo ele, com a interdição parcial da ponte os prejuízos são bem expressivos. Mesmo após a reabertura parcial, a queda nas vendas em alguns segmentos se mantém em 40%. Pra mim a situação é de descaso por parte do Dnit. Na reunião realizada em março para a liberação parcial da ponte, o superintendente do Dnit (José Maria da Cunha) afirmou que já tinha dinheiro em caixa e anunciou a obra para julho, mas até agora nada”, reclamou.
Uma das iniciativas dos empresários do entorno da ponte, em protesto à demora na execução da reforma, foi a confecção e fixação de faixas em protesto ao descaso. Algumas alertam para o período das eleições no ano que vem, insinuando um boicote a políticos e partidos.
O empresário Rogério Perdigão, dono de uma loja de autopeças, lamenta falta de informações lembrando que, até o momento, a classe só ouve boatos sobre a obra, mas nada de concreto até então foi anunciado”. A previsão do Dnit era para julho, mas até agora nada e o comércio ainda não voltou ao normal, temos oficinas fechadas esperando uma melhora. Precisamos dessa ponte pronta urgentemente”, cobrou.
Para os postos de combustíveis a situação não é diferente. Adnei dos Santos Reis, sócio-proprietário de um posto nas imediações da ponte, conta que além da queda nas vendas, o bloqueio parcial da ponte dificulta até o acesso para o caminhão que faz a reposição dos estoques. Até os clientes de carros pequenos têm medo de passar naquela ponte e, para atrair mais clientes, tivemos que baixar os nossos preços. Então, o nosso prejuízo continua o mesmo desde a interdição”, relatou.
Preocupação
Mesmo com a liberação parcial, autorizada em março deste ano, os empresários temem que a situação fique ainda pior. Sadi Luca, proprietário da Churrascaria Encantado, lembra que a estrutura da ponte ainda é precária e sua estrutura pode ser condenada mais uma vez. Paliativamente, a ponte está normal, mas a estrutura ainda esta abalada e, a qualquer momento, pode ser fechada novamente. O nosso interesse não é por política e sim em prol do nosso próprio comércio para manter os nossos funcionários e pagar as contas em dia”, pontuou.
Histórico
Inicialmente, a ponte foi fechada em novembro do ano passado, após a constatação técnica de deficiências em sua estrutura. Com o bloqueio, houve grandes prejuízos para os estabelecimentos próximos ao local. Em protesto, empresários bloquearam a ponte Mariano Pires Pontes, única alternativa para o trajeto entre Fabriciano e Timóteo.
Semanas depois, o superintendente Dnit em Minas Gerais, José Maria da Cunha, anunciou uma medida paliativa para o trecho, com a liberação da ponte somente para veículos leves. Na mesma ocasião, o superintendente anunciou uma reforma definitiva com início previsto para julho deste ano, com conclusão em dezembro.
Greve atrasa resultado da licitação da BR-381
DA REDAÇÃO - Prevista para ser divulgada a partir deste mês de julho, a duplicação da BR-381 é outra obra prejudicada com a greve dos servidores do Dnit, o que só reforça a dúvida se a obra realmente vai sair do papel depois de promessas que duram décadas. O resultado da licitação dos 11 lotes da rodovia está atrasado. Em nota, a assessoria de Imprensa do Dnit informou que os servidores estão em greve há 30 dias.
Os servidores do Dnit estão em greve desde o dia 25 junho. Mesmo mantendo 50% da força de trabalho na ativa (por determinação judicial), isto atrasa várias ações da autarquia como execução financeira, medição de obras e licitações, dentre outras atividades. O processo licitatório 165/13 (referente à BR-381) não foi suspenso, como aconteceu com outros, cuja data de abertura estava prevista para este mês. Mas a análise de todos os documentos não foi concluída ainda”, informa a nota do Dnit.
Ao todo, a obra está dividida em 11 lotes, nos 303 quilômetros entre Belo Horizonte e Governador Valadares. A licitação dos lotes ocorreu no mês passado, a partir de então o Dnit deveria analisar as propostas técnicas de cada lote a fim de definir, em aproximadamente 30 dias, as avaliações das propostas técnicas. As notas das propostas técnicas serão somadas às notas das propostas de preços.
O vencedor de cada lote será o que obtiver a maior nota deste somatório. Definida a nota vencedora, a empresa ou consórcio de empresas deverá apresentar a documentação de habilitação e o detalhamento dos preços quando, então, será encerrado o certame e assinado o contrato.
Com a greve, o prazo de 30 dias, anunciado antes pelo Dnit, não deve ser cumprido, impedindo, portanto, a finalização do processo. Nesse impasse, o início da obra fica no campo da indefinição.
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