13 de agosto, de 2013 | 00:00
Feriado religioso na quinta tem origem no século passado
Data católica pouco conhecida da população é comemorada no Vale do Aço
FABRICIANO Muitas pessoas não sabem ou não se lembram do feriado da próxima quinta-feira, 15 de agosto. Sem destaque ou referência no calendário, a data costuma causar estranhamento e dúvidas sobre o verdadeiro motivo da folga. A data instituída pela Igreja Católica em 1950 comemora o Dia de Assunção de Maria ao céu em corpo e alma, porém, não é obedecido em todos os municípios.
Nos três principais municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), a data é instituída como feriado municipal. Mas nem todos seguem o feriado, conforme informações da assessoria de Comunicação do governo de Minas Gerais. Em cerca de 5% das cidades mineiras é feriado por meio de Decreto Municipal, inclusive na capital Belo Horizonte, e por isso será ponto facultativo nas repartições públicas no dia seguinte, 16 de agosto.
O pároco da Paróquia Cristo Rei e vigário-geral da Diocese Itabira-Fabriciano, Francisco Guerra, conta que o dia santo foi instituído pelo Papa Pio XII na década de 1950, por meio de documento chamado Constituição Apostólica. A palavra assunção significa subir ao céu em vida em corpo e alma. Na verdade, tem a ver com a ideia e orientação teológica de que Maria não morreu nem foi sepultada na terra, uma vez que o seu corpo era santíssimo e imaculado”, explicou.
Mesmo não havendo referências bíblicas, a decisão do papa de proclamar o dia santo teria vindo após alguns estudos teológicos e a tradição da fé religiosa sobre a pessoa de Maria, conforme detalhou o sacerdote. O documento em latim traz todo um histórico que vem do aspecto da tradição, da fé do povo, os estudos teológicos, a inspiração do Espírito Santo de modo que não vamos encontrar na bíblia uma referência explícita sobre isso. Mas todos esses elementos da tradição se tornaram um ingrediente de convicção para que a igreja chegasse a esse ponto”, argumentou.
O fragmento do documento diz: "Com autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa autoridade Pronunciamos, Declaramos e Definimos ser dogma divinamente revelado que a imaculada Mãe de Deus e sempre virgem Maria, terminado o seu curso de vida na terra, foi assunta em corpo e alma à glória celeste". (Munificentíssimus Deus é o documento do papa Pio XII que, em 1950, proclamou esse dogma).
Celebração
A partir deste documento, os fieis foram autorizados pela Igreja Católica a crer e professar esse ato de fé. Padre Francisco lembra que, nos primeiros anos após a proclamação do dogma, foi seguida a comemoração no próprio dia 15 de agosto. No entanto, com as mudanças religiosas na sociedade, a celebração foi transferida para o domingo seguinte, sempre que a data cair em dia de semana. A sociedade deixou de ser totalmente cristã, não vivendo mais em função apenas da religião e, com isso, a igreja manteve a importância desse dogma na espiritualidade, mas transferiu a festa litúrgica para o domingo seguinte ao dia 15”, justificou.
Desnecessário
Com a mudança da data da festa, o padre questiona a necessidade da instituição do feriado e acredita ser desnecessária a suspensão das atividades laborais neste dia. Uma vez que a própria igreja transferiu a celebração para o dia de domingo, talvez seja desnecessário manter esse dia como feriado. E a maioria das pessoas também não sabe por que é feriado”, argumenta.
O padre destaca que, para todos os cristãos, e mesmo para os evangélicos, Maria é um exemplo de testemunho a ser seguido por homens e mulheres. Ela foi uma mulher batalhadora, guerreira e os textos bíblicos deixam isso muito claro. Além de esposa e mãe extremamente preocupada com os desafios da sua época, ela foi um testemunho de uma mulher capaz de perceber as necessidades dos outros e se colocar a serviço; uma pessoa completamente fiel a Deus”, destacou.
Evangélicos contestam a Assunção de Maria
Para os evangélicos, Maria não foi levada ao céu em vida, como acreditam os católicos. O pastor da Igreja Evangélica Betânia, Emerson Vinicius Lopes Alves, aponta que não há relatos na bíblia para comprovar o fato. Na verdade, não encontramos base bíblica, nem mesmo relatos que possamos considerar bíblicos ou que deem base para acreditarmos que Maria foi levada aos céus”, resume.
Emerson Vinicius alega que o capítulo 3, versículo 13 do livro de João, no Novo Testamento, traz um relato de Jesus dizendo que ninguém subiu aos céus se não aquele que desceu do céu, no caso o próprio Cristo que, posteriormente, profetiza a sua morte no mesmo texto.
Ainda conforme informações do pastor, a bíblia também não traz nenhuma explicação sobre como teria ocorrido a morte de Maria, nem mesmo os discípulos de Jesus relatam sobre o que realmente ocorreu com ela. Isso é algo que vem sendo debatido desde a época da igreja primitiva e ainda não encontramos nada de concreto”, afirma.
Importância
Mesmo não crendo em sua ascensão, o pastor cita Maria como uma mulher virtuosa, cheia do Espírito Santo de Deus e fiel à sua religião, se tornando, portanto, digna de ser mãe de Jesus. Deus olhou para ela e viu uma mulher realmente cheia de graça, mas isso não faz com que ela tenha algo de divino ou com poder de intercessão a Deus e, sim, uma referência de como todos nós devemos viver e ser fieis a Deus”, conclui o pastor.
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