21 de agosto, de 2013 | 00:00

“O veículo de hoje não aceita mais esse tipo de amadorismo”

Presidente do Conarem, José Arnaldo Laguna, afirma que fabricantes reduziram emissão de poluentes e reparos exigem qualificação


IPATINGA – Com o crescimento do número de veículos em todo o mundo, aumentam também os debates sobre a necessidade de conciliar a comodidade com o cuidado em relação ao meio ambiente. O Brasil está em pé de igualdade aos países de primeiro mundo na produção de carros novos que respeitem a legislação para a emissão de poluentes. É o que afirma o presidente do Conselho Nacional de Retífica de Motores, José Arnaldo Laguna, em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, na tarde de ontem.

Pela manhã, José Arnaldo promoveu uma oficina para mecânicos em Coronel Fabriciano. À noite, ministrou palestra no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). José Arnaldo afirmou que a atual frota de veículos no Brasil é de 38 milhões. “Em poucos anos, a frota subirá para 50 milhões”, acredita. Na hora da manutenção, 88% da frota circulante brasileira recebe reparos de empresas independentes. “Os outros 12% são feitos nas concessionárias. Hoje, das 90 mil empresas independentes, 3 mil são as retíficas que prestam um importante serviço ao reparar motores e reduzir descartes”, detalhou o presidente.

Em função dos avanços tecnológicos no setor automotivo, os profissionais da área precisam de atualização. “Estamos aqui para tentar abrir a cabeça do mecânico. A grande maioria envolve pessoas muito humildes que aprenderam o ofício na marra. Porém, o veículo de hoje não aceita mais esse tipo de amadorismo. É preciso trabalhar com profissional altamente capacitado. Estamos entrando num nível de sofisticação eletrônica que requer um serviço muito bem-feito”, alertou José Arnaldo.

Novidades
Em relação à produção nacional preocupada com a ecologia, o presidente do Conarem ressalta o avanço do Brasil na fabricação de veículos novos menos agressivos ao meio ambiente. “O Brasil está na ponta. Desde o ano passado, todos os veículos a diesel no Brasil têm motores com padrão de emissão de gases Euro 5 (o ar que entra no motor é mais sujo do que o que sai no escapamento). O nível de emissão de gases de veículos modernos do Brasil está igual aos de países de primeiro mundo”, garantiu.

Por outro lado, a tecnologia de produção de combustível no Brasil ainda é ultrapassada, com alto teor de enxofre. “Agora é que estamos conseguindo reduzir um pouco as partículas de enxofre do diesel, mas estamos muito atrasados nesse quesito. Nossa qualidade é a mesma de algumas décadas atrás”, criticou o presidente. José Arnaldo destaca o álcool com um trunfo brasileiro. “A poluição é muito menor e esse programa vai bem. O maior problema é a gasolina e o diesel, que geram poluição”, comentou.


Presidente de Conselho defende uso de bicicleta

 

Com a estimativa de crescimento da frota nacional, José Arnaldo Laguna reconhece que é necessário repensar o uso do veículo no dia a dia. “Todo mundo deve ter direito a tudo, como prevê a Constituição. Adquirir meio de locomoção é um direito. Porém, é preciso ter consciência. Hoje, há dificuldade para estacionar um automóvel, pagar estacionamento está caro. Se estou numa cidade plana, como aqui, porque não ando de bicicleta? Perdemos essa cultura de estar no ambiente correto”, avaliou.


Por outro lado, a melhoria do transporte coletivo ajudaria a mudar esse quadro, na opinião de José Arnaldo. “O automóvel não tem volta. Antes, era um carro por família. Hoje é um por pessoa. É questão de cultura. Mas se o transporte público fosse muito bom, ninguém ia ficar duas horas no trânsito. Não tem lógica usar um automóvel para ir para o trabalho”, pontuou.

Vendas
Independentemente da consciência ecológica de cada um, a estimativa de vendas de veículos ainda é boa, apesar do cenário econômico delicado. “Existe estabilização de vendas de veículos nos EUA e Europa. No Brasil a comercialização deve subir 6% e na China 20%, ao ano. Esse percentual é alto para o Brasil. Estamos num país pobre, com economia estagnada”, concluiu José Arnaldo Laguna.

 

Carros elétricos x interesse econômico


Outra tecnologia aplicada e discutida atualmente é a inserção de carros elétricos no mercado. No Brasil, essa modalidade ainda está distante de se tornar viável, de acordo com avaliação de José Arnaldo Laguna. Além da estrutura necessária para abastecer esse tipo de veículo, a questão econômica ainda pesa. “Um dos melhores negócios do mundo é o petróleo. Até que ponto a indústria do petróleo vai permitir que a indústria elétrica substitua essa grande quantidade de veículos de todas as aplicações que usam combustível fóssil? O lobby das montadoras de veículos não vai querer jogar fora um investimento desse”, argumentou.


José Arnaldo aponta tecnologias que seriam mais viáveis no momento. “Uma delas que já é encontrada em alguns modelos e consiste em desligar o motor automaticamente quando o carro estiver parado em congestionamento. Quando o motorista acelera, a partida é feita automaticamente”, observou o presidente do Conarem.


Os carros híbridos que possuem um motor elétrico e outro que funciona com combustível fóssil representam outro tipo de tecnologia adotada por alguns fabricantes nacionais. José Arnaldo conta que em São Paulo, algumas empresas adquiriram esses veículos. “Eles têm um motor pequeno que coloca o carro em funcionamento com combustível fóssil. Esse motor carrega uma bateria e, em certo ponto, desliga automaticamente para o carro andar com o motor elétrico. Esse processo talvez seja o mais aplicável e econômico. Mas cada carro custa R$ 120 mil. Ainda vai demorar algumas décadas para tornar isso acessível ao consumidor”, concluiu. 
 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário