23 de agosto, de 2013 | 00:00

“Estética também é saúde”

Coordenador do III Simpósio de Cirurgia Plástica do Leste Mineiro avalia avanços e perigos trazidos pela popularização dos procedimentos


IPATINGA – Considerada inalcançável por muito tempo, a cirurgia plástica avançou muito no Brasil ultimamente. Os números mostram que, entre 2009 e 2012, as cirurgias plásticas no país cresceram 120%. No ano passado, foram 1,5 milhão de procedimentos. Para 2013, a previsão é que o percentual de cirurgias plásticas no Brasil cresça 20%. Sete em cada dez desses procedimentos são estéticos. Por tudo isso, o assunto tornou-se comum e desperta interesse em pessoas de várias idades. 

A atuação dos médicos que atuam na área será debatida no III Simpósio de Cirurgia Plástica do Leste Mineiro, realizado em Ipatinga hoje e amanhã, no hotel San Diego, bairro Horto. Estão previstos debates acadêmicos entre especialistas de várias partes do Estado. No sábado, duas mesas redondas vão discutir os temas “Responsabilidade Civil e Cirurgia Plástica” e “Segurança e Cirurgias Plásticas”. O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Minas Gerais.

O coordenador do Simpósio em Ipatinga, cirurgião plástico Júlio Tahara, disse que o encontro tem o objetivo de interiorizar a cirurgia plástica e promover a troca de conhecimento entre os profissionais. Júlio Tahara falou ao DIÁRIO DO AÇO sobre os avanços da cirurgia plástica e os perigos de sua popularização. O especialista afirma que o perfil de pacientes que passam pelo seu consultório segue o panorama nacional. “A estética corresponde a mais de 90% das procuras”, afirmou.

Em relação à faixa etária, Júlio informa que a grande maioria dos pacientes tem entre 20 e 40 anos de idade. As intervenções mais procuradas são a lipoaspiração, redução de mama, implantação de prótese mamária e abdominoplastia. “Estética também é saúde, a pessoa insatisfeita com sua imagem pode ter transtornos psicológicos”, comentou o cirurgião.


Ele aponta um crescimento do número de homens à procura dessas intervenções. “O número de homens interessados nas cirurgias aumentou e deve ser cada vez maior, porque o homem está se tornando mais vaidoso, se cuidando mais. E imagem é muito importante”, sentencia.

Limites
A popularização da cirurgia plástica no Brasil, na opinião de Júlio Tahara, se deve ao aumento do número de cirurgiões e o acesso de classes menos abastadas. Por outro lado, essas facilidades acabam, em alguns casos, levando ao exagero. Para o cirurgião, deve-se “mexer no que está incomodando”. “Não mexa naquilo que está quieto”, resume. E na hora de tomar a decisão pela cirurgia, o médico deve ter bom senso. “O médico deve limitar as coisas e tomar as rédeas. Ele tem de analisar com muito critério o caso e ter ética”, opinou.

Os modelos de beleza definidos como “ideais” da atualidade podem de certa forma influenciar a pessoa na busca pela cirurgia plástica. Aqueles pacientes que, por vezes, perdem a noção do limite até onde a cirurgia é necessária e benéfica são definidos pelo especialista como “perigosos”. “Perder a noção é muito perigoso. A busca pelo perfeito pode esconder um problema psicológico que tem que ser detectado. Hoje o cirurgião plástico tem que entender de lei e de psicologia de maneira global. Não se trata de só saber operar bem. É preciso entender o contexto para avaliar”, salientou o cirurgião.

Riscos
Questionado sobre os principais riscos de cirurgias plásticas, Júlio Tahara alerta que é obrigação de todo profissional explicar os riscos e as limitações do resultado. “Antes da cirurgia é feita uma bateria de exames com suporte de cardiologista e anestesista. Mas antes disso é necessária uma boa consulta para avaliar a vontade do paciente”, enfatizou.


Em função dos avanços de estudos na área, Júlio Tahara chama a atenção para a importância de os profissionais buscarem atualização constante. “Esse trabalho requer cuidados, aprendizado, investimento na profissão com atualização. O simpósio é um momento de troca de informação entre profissionais e dos acadêmicos conhecerem de perto um evento científico”, pontuou.


Cirurgia em adolescentes requer avaliação profunda 

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica apontam que o número de cirurgias plásticas em adolescentes entre 14 e 18 anos mais do que dobrou em quatro anos – saltou de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012 (141% a mais). No mesmo período, o número total de plásticas em adultos subiu 38,6% (saindo de 591.260 para 819.900 procedimentos) – o que significa que as cirurgias no público jovem cresceram em um ritmo 3,5 vezes maior. Além de estar em crescimento acelerado, a participação de jovens no total de cirurgias (911 mil procedimentos), também cresceu: saltou de 6% em 2008 para 10% em 2012.


Júlio Tahara conta que não recebe muitos casos de adolescentes, mas há procura. O especialista pondera que é preciso analisar o contexto com muita cautela. “Tem coisas que vale a pena fazer. É necessário saber os benefícios e malefícios. O cirurgião tem que tentar captar aonde a pessoa quer chegar com a cirurgia plástica”, observou. Mais uma vez, o cirurgião lembra a importância de o médico saber dizer não: “Tem que saber falar ‘não’ com base em argumentos. Dinheiro não é tudo”.


Na hora de fazer uma análise de demandas de adolescentes, Júlio Tahara ressalta a importância de uma avaliação psicológica e do acompanhamento dos pais. Em relação à formação do corpo, em casos de estética, o cirurgião esclarece que cada caso é um caso. “Em algumas situações é preciso esperar, em outras não. Por exemplo, se uma garota de 16 ou 17 anos tem mama pequena e é algo comum na família, não é preciso esperar”, exemplificou.

Moda
Na onda de popularização da cirurgia e em tempos de padrões de beleza desejado por muitos, Júlio Tahara chama a atenção para o perigo da banalização da cirurgia plástica. “Melhorar a autoestima é importante. Mas é fundamental ter o cuidado de selecionar os casos. Não é porque o adolescente quer e está na moda que será feito. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não quer que banalizemos o procedimento. O benefício deve ser maior do que o risco”, concluiu.


 
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