01 de setembro, de 2013 | 00:00

Rios sofrem com o período seco

Baixo volume de água e bancos de areia retratam cenário desolador deste período


DA REDAÇÃO – O clima seco característico do inverno provoca desconforto não só população. Os rios também são castigados pelo tempo seco e a falta de chuva. Exemplo desse impacto é o rio Santo Antônio que está com volume de água bastante reduzido e com bancos de areia à mostra no município de Naque. Quem passa pela ponte da BR-381 sobre o rio no município pode até se assustar com o cenário. O mesmo ocorre no Rio Doce, na altura da ponte metálica, na BR-458, saída de Ipatinga. 

Essa é uma cena relativamente comum neste período, como explica a bióloga Gabriela von Rückert, doutora em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre. A professora do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste) afirma que a seca dos rios é agravada quando chove pouco no período de chuva anterior. Para entender essa dinâmica ela lembra que no Brasil e na nossa região, especificamente, há dois períodos bem distintos entre as estações: o seco (de outubro até abril) e o de chuva (abril a outubro). “O nível do rio é reflexo do volume de chuva de um ano para o outro”, comentou.

No caso deste período seco, os rios sofrem mais pelo baixo volume de chuva entre 2012 e 2013. “Em dezembro passado e janeiro deste ano tivemos poucas pancadas de chuvas com forte intensidade. Por isso vemos no período seco os rios com um nível mais baixo. Essa é uma característica comum no fim do período de seca”, esclareceu Gabriela von Rückert.

A professora cita a influência do homem no meio ambiente como fator que contribui para a seca assim como as enchentes. “A influência do homem pode provocar alguma consequência nesses contextos, dependendo da forma que ele altera o terreno no entorno do rio. Pastagem e falta de mata ciliar às margens dos rios pode diminuir a capacidade dele empossar a água”, falou.

Mas Gabriela von Rückert estima que o período seco anterior foi mais rigoroso. “Não tenho dados concretos, mas acredito que esse período seco não foi tão crítico, tendo por base no número bem menor de queimadas, por exemplo. A chuva pontual ajudou a amenizar a situação”, opinou.

Em relação aos bancos de areia, que ajudam a agravar a imagem de seca nos rios, Gabriela von Rückert ressaltou que eles podem, em alguns casos, ser reflexo da ação do homem. “Os bancos de areia podem aumentar pelo assoreamento dos rios e vemos que muitas margens de rios não possuem mata ciliar. Então temos muita erosão e bancos de areia”, explicou.

Bancos de areia

Wôlmer Ezequiel


rio doce 2
 

A interferência do homem e os fenômenos naturais no processo de seca ou cheia dos rios refletem no cotidiano da população. Questionada sobre os principais problemas causados pela seca dos rios, Gabriela von Rückert aponta alguns como dificuldade no abastecimento de água das cidades, irrigação de plantações, prejuízo para o turismo e reflexo na geração de energia fornecida por hidrelétricas.

“É uma questão muito ampla. Uma intervenção de qualquer natureza que seja em um ponto da bacia pode gerar problemas em locais de grande distância”, salientou.

Os impactos sentidos pela população são fruto de uma soma desvantajosa na conta do meio ambiente. “O homem impacta no meio ambiente, mas continua dependendo de água para abastecimento e para irrigação, por exemplo. Ele sente cada vez mais porque temos mais demanda e mais impactos”, analisou a especialista.
Mas muitas coisas podem ser evitadas. Para a doutora em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre há um grande banco de dados voltado para o meio ambiente. “Hoje temos uma série de dados disponíveis. Empresas, entidades, pesquisadores, enfim, há vários monitoramentos que permitem prever uma seca mais severa ou enchente. O que falta é gestão para diminuir os danos”, criticou Gabriela von Rückert.

Mais chuva
O meteorologista Ruibran dos Reis, por sua vez, informa que a previsão para o próximo período chuvoso que se inicia em outubro é de volume maior de chuva, em relação ao anterior. “Teremos chuvas isoladas no fim de setembro e em outubro. O volume de chuva para ajudar a retomar o nível dos rios será a partir de novembro. Teremos mais chuva em relação ao último período”, anunciou Ruibran dos Reis.
 




Wôlmer Ezequiel


rio doce

 




 


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