14 de setembro, de 2013 | 00:00

Acidentes de trabalho somam 641 notificações em 2013

Entre os registros do Cerest, acidentes de trajeto são os mais frequentes


IPATINGA – O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) registrou, neste ano, 641 registros de notificações. De janeiro a julho, trabalhadores da região passaram pelo órgão, situado na avenida José Júlio da Costa, no bairro Ideal, em busca de acompanhamento após algum tipo de acidente de trabalho. De um modo geral, homens e mulheres de 20 a 35 anos compõem a média do quadro de ocorrências.

Do total de acidentes registrados, 74% são acidentes típicos, como queimaduras e escoriações, decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo acidentado. Outros 26% são acidentes de trajeto, sendo o percentual mais alto entre os registros por se tratar de apenas uma modalidade. Apesar da especificidade de cada área de trabalho, a dica para se evitar acidentes de trabalho é ter atenção às tarefas e executá-las dentro dos padrões de segurança, utilizando equipamentos adequados à atividade desempenhada.

No percurso entre a residência e o local de trabalho, a orientação de profissionais de segurança é sair com alguns minutos de antecedência, a fim de evitar o tráfego em excesso de velocidade, além de cuidados simples como olhar para os dois lados da via antes de atravessá-la.

“Temos como maior frequência os acidentes de trajeto, ocorridos no deslocamento de casa para o serviço e vice-versa. Hoje temos 165 acidentes de trajeto e a maioria envolvendo motociclistas. Os demais tipos de acidentes são mutilações parciais e totais de membros, e casos fatais que, muitas vezes, não são divulgados pelas empresas. Temos grande número de notificações, mas também temos uma grande quantidade de acidentes que não são notificados”, disse a coordenadora do Cerest, Dayane de Carvalho Chaves.

Atendimento
O serviço do Cerest, mantido pelo município, funciona com uma equipe multidisciplinar, com médico e enfermeiro do trabalho, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e técnico de enfermagem. Todos eles prestam atendimento para o trabalhador que vai ao Centro por demanda espontânea ou por encaminhamento de unidades de saúde ou hospitais após os acidentes.
“Uma vez que o paciente chega ao Cerest fazemos o acolhimento, iniciamos o tratamento e acompanhamento, se não tem um profissional adequado aqui, encaminhamos para outros da rede, fazemos exames e consultas complementares e ele retorna para a equipe. Depois disso o médico avalia se está apto a voltar ao trabalho, se não, avaliamos o que mais precisa ser feito. Fazemos todo o atendimento do inicio ao o fim, até que ele receba alta do tratamento”, detalhou Dayane.

Procedimento
Se o acidente acontecer dentro de empresa, o profissional de segurança acompanha o acidentado ao hospital, onde será feito o atendimento e aberta a Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT). Após a alta, a pessoa vai ao Cerest com uma cópia da CAT para iniciar o atendimento. Caso a comunicação não tenha sido aberta, pode ser feita no Centro. No caso de acidente de percurso, o ideal é que se faça um boletim de ocorrência, que possibilitará a abertura da CAT e o prosseguimento do acompanhamento.
O Centro atende todos os municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço, mas muitas cidades vizinhas não informam sobre os acidentes. Conforme a coordenadora, não existem registros de Timóteo, por exemplo. A maioria dos acidentes envolvem trabalhadores de Ipatinga, Fabriciano, Belo Oriente, Ipaba e Santana do Paraíso.
“Qualquer trabalhador, formal e informal, pode ser atendido. No caso do informal, pode ser que não consigamos encaminhar ao INSS, mas o Cerest realizará o atendimento. Se constatarmos que foi um acidente relacionado ao trabalho ou se foi alguma doença relacionada ao trabalho executado, vamos fazer todo o atendimento necessário”, destacou.

Fiscalização
A coordenadora observa que o Cerest fiscaliza as empresas para verificar as condições de trabalho, mas sem caráter punitivo. “Muitas vezes a empresa tem impressão de que queremos punir, mas não é isso, só queremos condições melhores para o trabalhador. Hoje ainda encontramos muitos casos de locais impróprios. Por outro lado, a adesão das empresas em mudar é baixa. Recentemente, estivemos com o procurador do Ministério do Trabalho, Túlio Alvarenga, que se mostrou disposto a ir conosco fazer uma fiscalização mais intensa”, concluiu Dayane Chaves.

Serviço
O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador fica situado na avenida José Júlio da Costa, 2080, bairro Ideal, Ipatinga. O telefone para contato é (31) 3829 8581.
 

Wôlmer Ezequiel


dayane



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