02 de outubro, de 2013 | 00:00

Potencial para o desenvolvimento

Representantes do governo federal destacam importância da região no Plano de Desenvolvimento para o Setor de Petróleo, Gás e Naval


IPATINGA – O governo federal decidiu fomentar o desenvolvimento de polos empresariais e Arranjos Produtivos Locais (APLs) no intuito de ampliar, a preços competitivos, a capacidade de oferta da indústria nacional às demandas da cadeia de Petróleo, Gás e Naval (P&G&N). Para isso, cinco regiões do país foram escolhidas para executar ações que favoreçam a competitividade das empresas para serem fornecedoras de um segmento de maior valor agregado. O Vale do Aço é uma delas e despertou o interesse do governo pelo potencial de produção local para o segmento.

Nessa terça-feira (1), a região recebeu o Terceiro Workshop Regional para o plano de desenvolvimento de APLs - proposta do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), e do Plano Brasil Maior (PBM), política industrial em vigor no país. O ciclo de atividades, realizado no Hotel San Diego, no bairro Horto, contou, dentre os espectadores, com representantes da Associação de Municípios pelo Desenvolvimento Integrado (AMDI), além de empresários associados ao Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Ipatinga (Sindimiva), Sebrae e Sistema Fiemg.

Em um primeiro momento, a ideia do workshop foi realizar um levantamento do parque industrial do Vale do Aço, assim como de seu potencial de fornecimento ao setor de P&G&N. As necessidades de melhorias técnicas e tecnológicas, assim como as dificuldades das empresas também foram mapeadas. Finalmente, foi idealizada a organização de uma agenda de trabalho que contemple eixos estratégicos como financiamento, governança, cooperação, tecnologia e formação de capacitação em atendimento aos mercados nacionais e internacionais.

Wesley Rodrigues


Ricardo Romeiro


A agenda integra um plano de desenvolvimento com foco no âmbito estrutural do APL do Vale do Aço. Para potencializar fornecedores ao setor de P&G&N, a metodologia aborda, por exemplo, a necessidade de ações políticas para maior valorização do território competitivo. Dentre elas, a elaboração de um Plano Diretor Integrado da RMVA, a resolução de gargalos logísticos, a obtenção do reconhecimento pleno da RMVA pelo governo federal e o alinhamento de cursos dos Institutos Federais em implantação na região para atendimento às demandas de produção do polo metalomecânico.

Potencial
O setor metalomecânico do Vale do Aço concentra 220 empresas (90% delas de micro e pequeno porte) e é responsável por 3% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, empregando aproximadamente 25 mil trabalhadores – conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego de 2010. Quarenta por cento da indústria regional está apta a fornecer produtos aos setores navais, de óleo e gás, segundo estudos do Sindimiva.

Contratos com estaleiros já alcançam, inclusive, 20% dos fornecedores mineiros. Os fabricantes do Vale do Aço se firmaram, por exemplo, no fornecimento de blocos, atracadores, calhas de amarras, portas de visitas, balaústres metálicos e dutos para refrigeração e exaustão.

Wesley Rodrigues


William George Lopes Saab


A possibilidade de crescimento é viável e o polo regional pode atender a outros mercados. Na opinião do coordenador geral dos Sistemas Produtivos Locais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ricardo Romeiro, o potencial de produção do APL regional pode ser mais explorado, principalmente para não perder as oportunidades do Pré-sal e descoberta de gás na Bacia do Rio São Francisco. “Há um burburinho no Brasil com a questão do Pré-sal e o setor deve, em poucos anos, exigir muito fornecimento de empresas. Por isso, trabalhamos com várias parcerias para que possamos capacitar empresas da região para que o setor de Petróleo e Gás não importe de outros países”, defendeu Romeiro.

Em conjunto com regiões de forte potencial produtivo, escolhidas pelo governo brasileiro, como é o caso do entorno de municípios como Ipojuca (PE), Maragogipe (BA), Itaboraí (RJ), Rio Grande (RS) e Ipatinga, o economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), William George Lopes Saab, afirma, por sua vez, que o apoio ao fortalecimento do território competitivo regional interessa ao desenvolvimento sustentável do país. “Há no Vale do Aço toda uma potencialidade para a construção do que chamamos de território competitivo, ou seja, que conjuga forças na ótica pública, na privada, que permite a sustentabilidade desse território em longo prazo”, pontuou.
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