09 de outubro, de 2013 | 00:04

Médico alerta sobre epidemia de obesidade

O cardiologista e nutrólogo Lair Ribeiro explica também porque escreve autoajuda


IPATINGA - O cardiologista e nutrólogo Lair Ribeiro está no Vale do Aço, desde ontem, onde participa, até a noite desta quarta-feira, do 2º Simpósio Médico de Ipatinga. O profissional veio falar sobre temas atualizados da medicina, como a integração metabólica, osteoporose, doenças neurodegenerativas, hormônios, e novas abordagens na obesidade.

Autor de 35 livros (15 dos quais na lista dos mais vendidos), 149 trabalhos científicos publicados em revistas dos Estados Unidos, onde morou e trabalhou por 17 anos, Lair Ribeiro, 69 anos, não mede palavras quando fala. Para o profissional, fazer exercício físico em lugar poluído, como uma beira de avenida movimentada, é pior do que ficar em casa parado. O leite pasteurizado que a população consome não garante a saúde de ninguém. Ao mesmo tempo ele recomenda o consumo de ovo cozido - por sete minutos apenas - pela manhã. “Se for caipira, melhor ainda”, complementa.

Antes do simpósio, o cardiologista concedeu entrevista ao DIÁRIO DO AÇO na qual abordou diversos assuntos, entre eles, a obesidade, classificada como uma epidemia mundial. O médico alertou que, de cada três brasileiros, dois estão acima do peso e um destes é obeso. E essa situação é atribuída pelo médico ao excessivo consumo de açúcar, sem que a saúde pública e a sociedade científica chamem a atenção da população para uma mudança na dieta.

“E isso se explica porque saúde não dá dinheiro, o que dá dinheiro é a doença. É uma realidade que se vê em cada esquina. Já temos crianças obesas com seis meses de vida. Há um desequilíbrio preocupante na produção de alimentos rápidos. Isso impacta a qualidade de vida das pessoas e representa um peso para o serviço de saúde”, alerta.

Lair Ribeiro citou que, atualmente, o SUS tem um gasto considerável com os últimos dois anos de vida das pessoas. No seu entendimento, muitas pessoas passam a vida toda com uma alimentação desequilibrada e, no fim do período representa um gasto para o serviço de saúde, querendo consertar algo que não tem recurso.

Ministério da Doença

“Precisamos deixar bem claro que o Brasil não tem o Ministério da Saúde, o país tem o Ministério da Doença, porque não se trabalha a prevenção das doenças. O modelo vigente deixa as pessoas ficarem doentes primeiro, não orienta sobre a boa alimentação, nem estimula a deixar o sedentarismo. Se a pessoa não arrumar tempo para cuidar da sua saúde, depois terá que arrumar tempo para cuidar de sua doença”, sintetizou.

Na contramão da necessidade atual, Lair Ribeiro lembrou que proliferam, até nas cidades do interior, as lanchonetes de comidas rápidas (fast food); cresce o consumo de enlatados permeados de conservantes e glutamato monossódico, também conhecido como glutamato de sódio.

Apesar de ser permitida pela lei brasileira, a substância que realça o sabor dos alimentos é considerada uma praga, porque vicia e estimula o cérebro das crianças, causando distúrbio de atenção nas salas de aulas. “Aí, como solução a mãe vai dar medicamento para a criança, o que acarretará outros efeitos colaterais correspondentes”, criticou.

Sobre o consumo de refrigerantes, além do açúcar em excesso, o cardiologista afirma que a bebida traz outras substâncias nocivas. Como exemplo, ele menciona que, para diluir os efeitos de um copo de refrigerante de cola, seria necessário que um adulto ingerisse na sequência 32 copos de água. “Agora, imagine quem toma um litro de refrigerante por dia?”, questionou.

Autoajuda
Conforme o médico, o seu livro de maior sucesso, entre os 35 de sua autoria, é o “O Sucesso não ocorre por acaso”, publicado pela Editora Planeta. Já vendeu 1,8 milhão de exemplares no Brasil, está traduzido para nove idiomas e é distribuído em cerca de 40 países.

Questionado sobre a liderança justamente de um livro nessa faixa de classificação, como um dos mais vendidos, o escritor foi direto. “O brasileiro não gosta de ler coisa científica, mas adora literatura de autoajuda. Estou escrevendo quinze livros médicos e isso não será colocado nas livrarias, será direcionado ao meio acadêmico, aos congressos médicos. E as pessoas querem autoajuda no mundo inteiro, porque todos querem melhorar de vida. É uma tendência no espírito humano. Essa literatura representa, para muitas pessoas, uma oportunidade para encontrar o seu caminho”, concluiu Lair Ribeiro.

 
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