11 de outubro, de 2013 | 00:00
Líder do governo minimiza pseudo” crise institucional
Vereador Sebastião Guedes (PT) respondeu a críticas de colegas na Câmara
IPATINGA O clima na Câmara de Vereadores não era nada amistoso na tarde dessa quinta-feira (10), durante a realização de reunião extraordinária. Na sessão do dia anterior, a maioria dos parlamentares, sobretudo os de oposição, criticou a administração municipal por ignorar as leis aprovadas pelo Legislativo, além de não responder aos requerimentos aprovados em plenário. Nessa quinta-feira, o líder do governo, Sebastião Guedes (PT) teve a oportunidade de responder às críticas, uma vez que não estava presente na Casa no dia da polêmica.
As críticas da reunião da quarta-feira (9) foram direcionadas à prefeita Cecília Ferramenta (PT), e ao secretário municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), Gustavo Finocchio. A insatisfação foi motivada por uma reclamação do vereador Agnaldo Bicalho (PT), autor da lei que cria novas regras na relação dos usuários com a Autotrans, empresa concessionária dos serviços de transporte público no município.
Conforme o petista, a empresa insiste em cobrar o valor de R$ 27,50 pela segunda via do cartão eletrônico, quando a nova lei estabelece que a cobrança não pode extrapolar o valor de duas tarifas de passagem, ou seja: R$ 5,50.
Já na reunião de ontem, a maioria dos vereadores que utilizaram a tribuna fizeram menção ao posicionamento da administração municipal negando o contato entre a prefeita e o parlamentar. Para os vereadores, o posicionamento dá a entender que Agnaldo Bicalho é mentiroso”.
Após a fala de Roberto Carlos (PV), Sebastião Guedes utilizou a tribuna para rebater” o colega. Fiquei sabendo que ontem (quarta-feira) foi a maior festa aqui, não pude comparecer e aproveitaram para bater à vontade no governo, injustamente, porque nessa questão específica do vereador Agnaldo, a prefeita tanto não é contra que sancionou a lei. O projeto apenas não tratava do tempo para regulamentação e existe um decreto, que é de um prefeito anterior que bate de frente com a lei em alguns pontos”, disse.
Guedes explicou que seu colega de partido chegou a conversar com o secretário Gustavo Finocchio, e informou que gostaria de dialogar com a prefeita. Entretanto, Cecília afirmou que esse assunto não foi discutido com Bicalho, embora tenha sancionado o projeto. Quando sancionou, qual foi a intenção dela: vamos aplicar a lei. Mas houve uma precipitação e a vereadora Lene (Teixeira - PT) não teve a devida paciência. Mas isso vai ser tudo resolvido, estamos do lado do povo e a prefeita também. O projeto é bom, não sou contra, não se pode cobrar por isso”, avaliou.
Licitação
O líder do governo esclareceu que será feita uma licitação, e um projeto será enviado à Câmara pedindo autorização para uma nova concessão. Ele acrescenta que é preciso fazer uma licitação para contratar uma empresa, que fará o termo de referência para fazer a licitação.
Uma coisa supercomplexa. Mas o governo está agindo, o governo é serio e respeita os interesses da população. Falaram muito de desrespeito com a Câmara. Estou com uma relação e mais de 90% dos requerimentos enviados foram respondidos, alguns ainda estão dentro do prazo, dois ou três venceram por dificuldades em levantar dados, mas vão mandar. O governo é serio e veio para consertar, quando vocês batem eu gosto, porque me dá oportunidade de ir lá ao governo, na fonte, e ver o que está acontecendo e trazer”, resume.
Sobre os questionamentos, Sebastião Guedes pontuou que, no próximo dia 20, levará todas as respostas cobradas, item por item do que foi falado. A oposição séria e responsável é boa para o governo, porque nos ajuda a errar menos. Não somos donos da verdade, vamos errar uma vez ou outra, mas sempre com a intenção de acertar”, concluiu o líder do governo.
Indução
Agnaldo Bicalho, por sua vez, disse que, depois da lei aprovada, ligou para o secretário de Serviços Urbanos pedindo-o que notificasse a Autotrans para cumprir a lei. Fui induzido a mentir quando disse que o secretário notificou a empresa e não tinha notificado nada. Tem hora que a gente passa por mentiroso mesmo, porque confia nos outros, e outros fazem isso. Talvez possa ser mentiroso mesmo, porque confiei no que tinha dito”, disparou.
O presidente do Legislativo, Werley Glicério Furbino de Araújo, o Ley do Trânsito (PSD), também se manifestou. Fiquei chateado por chamarem o vereador Agnaldo de mentiroso, pelo menos foi assim que entendi, se não foi a intenção, pode ter sido uma forma de escrever. Um vereador não pode ser atacado dessa forma, nós cumprimos nosso papel em manifestar nossas opiniões e os vereadores não vão ficar de cabeça baixa”, destacou Ley do Trânsito.
Por sua vez, o vereador Roberto Carlos, declarou que se o problema é que a lei é autorizativa, que seja enviada à Casa uma lei igual à dos mototaxistas, em que fique expressa a vontade dela (Cecília Ferramenta) de regulamentar”.
A autorizativa não pode, põe aqui uma lei pela vontade dela que nós vamos votar da mesma maneira que votamos o projeto do vereador Agnaldo. Ele mostra que é um líder, não daqueles fabricados. Temos de nos posicionar, porque quando faz com ele, faz conosco. Não podemos temer que, exercendo o poder que nos foi confiado pelo povo, sejamos desmoralizados e chamados de mentirosos. Se chamam um vereador da base aliada de mentiroso, que é do PT e é do grupo, faz com qualquer um de nós. Temos de tomar atitude e aí cabe a essa Câmara fazer a defesa dessa lei e exigir, ainda que nos tribunais, o cumprimento daquilo que nós todos aprovamos”, salientou Roberto Carlos.
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