19 de outubro, de 2013 | 00:00

Precariedade na saúde de Timóteo

Problemas no atendimento e falta de investimentos foram assuntos tratados em audiência pública


TIMÓTEO – Audiência pública realizada na Câmara de Vereadores, na tarde dessa sexta-feira (18), reiterou os vários problemas registrados no setor de saúde do município. O Legislativo cobra soluções da administração municipal para os inúmeros problemas constatados. O Executivo, por sua vez, alega falta de recursos e admite a impossibilidade de fazer investimentos, diante de inúmeras pendências e dívidas.

O vereador Adriano Alvarenga (PSB), autor do requerimento que convocou a audiência, disse que o Legislativo é procurado diariamente pela comunidade para solicitar agendamentos de consultas, exames, entre outros procedimentos. “Nós fomos fazer a fiscalização e deparamos com inúmeros erros, demoras na entrega dos exames e no agendamento de consultas; as cirurgias eletivas não têm sido feitas no município e o atendimento na unidade de saúde João Otávio está totalmente precário”, enumerou.

O aposentado Geraldo de Oliveira Costa, 66 anos, relata que se desloca três vezes por semana para fazer tratamento de hemodiálise no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, mas a disponibilização de veículos para o transporte de pacientes, segundo ele, piorou muito. “Antes nós tínhamos um transporte digno e hoje apenas um carro faz o transporte de todas as pessoas. Com isso, somos obrigados a sair cedo de casa e retornar muito tarde”, lamentou.

O conselheiro municipal de saúde, José Dornelas da Silva, também relatou problemas nas unidades de atendimento. “Nós saímos para fazer visitas em todos os postos e, lá no bairro Ana Moura, onde há famílias pobres, não tem farmácia; no Novo Tempo também não tem farmácia e o pessoal está muito revoltado com isso, porque eles precisam se deslocar para outro bairro, muitas vezes ficam até mais de duas horas e não conseguem o remédio”, citou.

Investimentos
Wôlmer Ezequiel


Jose Dornelas
O diretor clínico do Hospital e Maternidade Vital Brazil, Ezio Guilherme da Silva, lembra que o hospital precisa aumentar a disponibilidade de leitos, devido ao déficit verificado nas unidades da região. “O Vital Brazil representa hoje 230 mil pessoas, ou seja, é um hospital microrregional e nós deveríamos ter pelo menos 650 leitos, conforme a Organização Mundial de Saúde. Mas atualmente temos apenas 77 leitos no Vital Brazil e outros 45 no São Camilo, em Fabriciano. Isso é uma coisa absurda e alarmante. O problema do Vale do Aço não é falta de médicos e, sim, falta de estrutura, de investimento; os governos não têm investido da forma como deveriam”, exemplificou.

Para o médico, a situação da saúde no município de Timóteo é um processo crônico e muito antigo, ainda sem solução. “Por termos já um serviço público na rede básica defasado, sem dar a atenção devida, a população vai para onde é mais fácil que é encontrar a porta de um hospital aberto. Então o grande problema que eu vejo nisso é a necessidade do investimento pesado na saúde básica”, defendeu.

Encaminhamentos
Wôlmer Ezequiel


Geraldo Oliveira
Ainda conforme informações do vereador Adriano Alvarenga, a proposta da audiência, além de fazer os encaminhamentos necessários para tentar resolver o problema, é buscar melhorias no atendimento da saúde junto ao governo do Estado e da administração municipal. “Vamos tirar encaminhamentos para tentar resolver porque há 53 médicos cadastrados na rede pública de saúde, você os procura nos postos e não os encontra. A UPA (unidade de saúde João Otávio) hoje não tem ortopedista e nós vamos cobrar a regulamentação desses serviços”, reclamou.

Dívidas
Questionado sobre as reclamações, o prefeito Keisson Drumond (PT) alega que recebeu o município com cerca de R$ 200 milhões de dívidas, muitas delas na área da saúde, e isso tem dificultado ações em sua administração. “Hoje, o Hospital Vital Brazil está com dificuldade porque está com um débito de R$ 800 mil do mandato anterior. A Fundação Geraldo Perlingeiro de Abreu tem R$ 1 milhão de dívidas do município. Nós estamos administrando em estado de precariedade, ou seja, pagando as contas anteriores e estamos aqui para mostrar a realidade”, se defendeu.
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