05 de janeiro, de 2014 | 00:00

Lixo provoca entupimento de redes

Areia é o principal material que tem provocado a obstrução dos canais de esgoto


IPATINGA – Com a chegada do período chuvoso, é comum o alagamento de avenidas do município quando o índice pluvial é alto. Esse é um dos reflexos do entupimento das redes de esgoto que, neste período, aumenta consideravelmente. O encarregado de sistema de esgotamento do distrito de Ipatinga da Copasa, Genezio de Medeiros, informa que o índice de entupimento e reclamações de refluxo de esgoto no período da chuva passou de 50% a 60%. “O aumento deve-se ao fato de nossas redes de esgoto ser projetadas para receber apenas água de consumo diário. E não água de chuva, devido ao projeto de separação das duas redes (esgoto e pluvial)”, declarou o encarregado.

A combinação do grande volume pluvial com materiais diversos como areia, pedras, cabelo, preservativos, absorventes e pets provocam a obstrução da rede que entope e transborda. “Temos uma equipe que faz vistoria às margens dos córregos onde estão nossos interceptores para detectar os pontos com entupimentos. Com esse trabalho conseguimos detectar pontos mais críticos”, explicou o encarregado.

Os bairros com maiores problemas são Vila Celeste, Bom Jardim e Bethânia. Os entupimentos se concentram nas partes baixas. Em relação às causas dos entupimentos das redes, em 2013, a areia ficou em primeiro lugar, seguida de gordura e cabelo. “Areia inclui também o pó da poluição urbana que é levado pela chuva. Já o cabelo é reflexo do problema de as pessoas não o colocarem no lixo e daquele que é arrastado na chuva. A gordura é um grande problema, porque ela é líquida, mas solidifica na rede e tende a ir reduzindo a passagem de esgoto”, explicou Genezio Medeiros.

Mapeamento
Polliane Torres


genezio medeiros
Esse trabalho faz parte de um projeto de educação ambiental da Copasa, criado em 2007, que visa o mapeamento de áreas críticas e dos principais causadores dos entupimentos. Com base nos dados levantados, são realizadas ações de prevenção dos problemas, além de palestras ministradas em escolas e associações de bairros. “Nos locais em que a equipe faz a desobstrução da rede, um relatório é preenchido com dados da causa do entupimento. Com esse levantamento, produzimos relatórios e gráficos com os focos de entupimentos para trabalhar na prevenção”, detalhou o representante da Copasa.

O encarregado do sistema de esgotamento lembra que, no início do projeto, havia 763 pontos de entupimentos de esgoto em Ipatinga. Os dados de 2013 ainda estão sendo fechados, mas a estimativa é que a média de locais de  entupimentos fique em torno de 400. O projeto de educação ambiental da Copasa recebeu, recentemente, o Prêmio Ouro Azul, promovido pela Usina de Furnas.

Tratamento preliminar
Quando o projeto iniciou, em 2007, a Estação de Tratamento de Esgoto da Copasa recebia 49 toneladas de lixo. Atualmente, o volume está em 20 toneladas, conforme Genezio. “Ainda é muito lixo. A ETE tem 12 anos e foi projetada para atender a população, mas se continuar como está ela vai degradar antes do prazo previsto”, alertou Genezio Medeiros.

Para tentar eliminar a chegada de lixo à ETE, a Copasa iniciará esse ano um novo projeto, que prevê a instalação de “PV de Setor” nas redes. Eles são cestos de inox que vão reter o lixo que chegar à rede. “A equipe periodicamente vai retirar o material retido pela haste que segura o cesto, evitando que o lixo chegue às unidades de tratamento e interceptores às margens dos córregos e eliminando o fluxo de areia”, adiantou o encarregado.

A ação vai ajudar ainda a identificar qual a área com maior entulho e lixo na rede, para um posterior trabalho pontual de educação ambiental. O primeiro bairro a receber essa intervenção será o Vila Celeste, onde serão implantados 17 PVs. “Começamos por lá por ser um dos bairros com os maiores índices de entupimento. Depois, o trabalho será estendido para outros bairros”, esclareceu Genezio Medeiros.

Fiscalização
Outra medida preventiva de entupimentos da rede de esgoto são vistorias realizadas em residências para verificar irregularidades em caixas de gordura e despejo de água pluvial. Se houver problema, a pessoa é notificada da irregularidade e tem prazo de 30 dias para regularizar a situação. “Ela ainda pode pedir a extensão do prazo. Passado o período. Se o problema não for resolvido e a pessoa não tiver feito contato com a Copasa é aplicada multa que varia de acordo com o consumo de água”, encerrou Genezio Medeiros.
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