08 de janeiro, de 2014 | 00:00
Falta de ações concretas na saúde
Para Sindees, soluções devem ser pautadas a partir de análise do diagnóstico regional
FABRICIANO Decorrido mais um ano de discussões e debates sobre a situação da saúde no Vale do Aço, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Vale do Aço (Sindeess), critica a falta de ações concretas em 2013 para solucionar os problemas no quadro regional. Para a diretoria da entidade, é importante que, neste ano de 2014, os órgãos envolvidos na saúde tenham amplo conhecimento sobre o diagnóstico, apresentado pelas Comissões de Trabalho de Mediação Sanitária, no fim do ano passado.
A apresentação do diagnóstico pelas Comissões de Trabalho de Mediação Sanitária ocorreu durante encontro realizado em novembro, na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Belo Horizonte. O evento do Ministério Público de Minas Gerais reuniu representantes de quatro comissões das macrorregiões sanitárias do Estado: Oeste (Divinópolis); Triângulo do Sul (Uberaba); Sudeste (Juiz de Fora); e Leste (Ipatinga e Governador Valadares).
O presidente do Sindeess, Aguiar dos Santos, afirma que melhorar o quadro da saúde regional ainda é um desafio comprovado no diagnóstico elaborado. O relatório da comissão responsável por apresentar o diagnóstico da saúde confirmou o que o sindicato vem falando desde 2006, que a situação é grave e muito séria”, reforçou.
O sindicato pretende, agora, chamar a atenção para a importância da população e dos órgãos competentes conhecerem esse relatório e verificar se nele estão contidos pontos técnicos de extrema importância para a decisão de ações. Esse relatório deve estar em obediência à lei, contendo o perfil demográfico do Vale do Aço e o perfil epidemiológico da população a ser coberta. E com isso as características quantitativas e qualitativas da rede de saúde. A Lei 8.080 determina que os recursos, para serem alocados na saúde, devem obedecer às tais aspectos”, argumentou.
No entendimento do sindicalista, só a partir destes pontos técnicos será possível discutir a implantação do hospital regional 100% SUS, o que de fato poderá amenizar o cenário dos hospitais atuantes nos municípios da região. Porque o Samu regional vem para ajudar em casos imediatos, mas não é a solução. Nós entendemos que o hospital regional, este sim, será a finalização da urgência e emergência e de casos específicos e mais complexos”, defendeu o dirigente.
Ações concretas
Conforme Aguiar dos Santos, após as discussões e audiências realizadas em 2013, não houve nenhuma ação concreta para contribuir com melhorias para o atendimento ao público. O que se tem é a destinação de recursos específicos pleiteados por um representante ou outro. Nós entendemos que uma ação concreta são projetos feitos em cima desse diagnóstico, feito sobre a realidade da saúde. Os órgãos competentes precisam primeiro conhecer esse relatório apresentado recentemente para se posicionar sobre quais os encaminhamentos ou cobranças serão feitas”, apontou.
Entre outros principais desafios para este novo ano, o sindicato pretende lutar pelas 30 horas semanais para os profissionais de saúde e um piso salarial melhor para a enfermagem.
Diagnóstico criticou sucateamento do HMI
Em 29 de novembro de 2013, o DIÁRIO DO AÇO repercutiu o diagnóstico sobre a saúde pública no Vale do Aço, elaborado pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ipatinga. O documento aponta para uma séria e grave crise na assistência à saúde” e citava o processo de sucateamento e redução nos atendimentos do Hospital Municipal de Ipatinga (HMI); quebras na escala de plantão médico; escala de cirurgia descoberta há cerca de um ano; além do bloqueio dos quatro leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Conforme o levantamento, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) continuava sem ter referência para pequenos traumas nos fins de semana e a conduzir os pacientes para o Hospital Márcio Cunha (HMC), causando superlotação e insatisfação por parte do corpo clínico. As pendências levam a um estado de calamidade na saúde regional, também se estendem aos demais municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA)”, mencionava o documento.
O relatório citava ainda que o Hospital São Camilo, em Timóteo, nova denominação do Hospital e Maternidade Vital Brazil (HMVB), enfrentava uma crise que ameaçava o seu funcionamento.
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