09 de janeiro, de 2014 | 00:00

Mulher de 43 anos procura família

Com atraso cognitivo, ipatinguense foi abandonada no Centro Comercial do Cariru, no início de dezembro


IPATINGA – No início do mês de dezembro, a presença de Marcélia Ferreira Vogácia, 43 anos, em situação de abandono no Centro Comercial do Cariru, chamou a atenção de moradores e comerciantes do local. Eles acionaram a Unidade de Abrigo Institucional Videiras, ligada à Associação Projeto Videiras, responsável pelo albergue municipal, que efetuou o acolhimento de Marcélia. Desde então, várias tentativas de localizar a família da mulher, que nasceu em Ipatinga, foram realizadas, mas sem êxito.

Diante da dificuldade, a coordenação da entidade acionou o DIÁRIO DO AÇO para expor a situação difícil de Marcélia, que tem atraso cognitivo e não consegue dar muitas informações sobre os seus familiares. A coordenadora do Projeto Videiras, Sidinéia Arruda Silva, disse que Marcélia Ferreira foi encontrada em estado delicado, sem banho e comida.

Acolhida no albergue, ela forneceu um possível endereço de sua casa, no bairro Iguaçu, mas a equipe não encontrou ninguém no local apontado. “Fizemos várias tentativas e não encontramos nenhum parente. Os familiares mudaram do endereço que ela forneceu”, contou a coordenadora.

Sidinéia Arruda afirma que o albergue não tem estrutura para manter atendimento 24 horas. “Não temos condição de abrigar pessoas o dia todo, mas diante da situação crítica dela estamos dando assistência. Ela está aqui desde o início de dezembro”, relatou.

O caso de Marcélia Ferreira é incomum no albergue. “Nunca ficamos tanto tempo sem contato de nenhum familiar. A dificuldade dela em se expressar dificulta o trabalho. Ela chora muito, reclamando de saudades da mãe”, contou. O telefone de contato da entidade é 3824-0007.

Atípico
Em relação ao volume de atendimentos realizados pelo Projeto Videiras,  Sidinéia Arruda alega que o ano de 2013 foi atípico. “O fluxo aumentou muito. Em dezembro, realizamos 100 atendimentos além da nossa capacidade. No mês passado foram 1.601 acolhimentos”, declarou a coordenadora. Entre os meses de maio, quando o serviço foi retomado no município, e dezembro, o albergue atendeu 10.536 pessoas em situação de rua. Depois da passagem de ano, tem havido intensa demanda. “Neste mês estamos fazendo 60 atendimentos por dia. Nossa capacidade é para 50”, comentou.

Questionada sobre o motivo do aumento da demanda, Sidinéia Arruda acredita isso se deve à adesão ao trabalho de acolhimento. “O nosso trabalho de acolhimento tem dado certo e as pessoas estão nos procurando. De maio a dezembro de 2013, tivemos 119 pessoas que saíram da situação de rua”, frisou. O abrigo conta com uma equipe técnica que presta apoio aos acolhidos com a proposta de tirá-los da situação de rua e encaminhar a retomada do vínculo com os seus familiares. 
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