12 de janeiro, de 2014 | 00:00
2014 requer precaução nas finanças domésticas
Economista Amaury Gonçalves dá dicas de como planejar as contas em ano de incertezas na economia
IPATINGA Os primeiros dias do ano são uma boa oportunidade para as famílias fazerem o planejamento financeiro. Em dezembro de 2013, o percentual de famílias endividadas e inadimplentes caiu em relação ao mês anterior. Segundo a Pesquisa Nacional do Endividamento e Inadimplência (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o total de endividados caiu de 63,2% em novembro para 62,2% em dezembro.
Entre as famílias entrevistadas, 11,6% se dizem muito endividados e 24,6% mais ou menos endividados. As dívidas mais comuns são cartão de crédito (76,4%), carnês (16,4%), financiamento de carro (12,6%), crédito pessoal (7,9%) e financiamento de casa (6,7%). O economista Amaury Gonçalves orienta famílias com dívidas a arrumarem a casa” neste mês. Janeiro é um bom momento de reflexão. Quem está endividado é preferível passar o ano magro para fechá-lo com as finanças em alta. Nunca é tarde para começar”, alertou. Se a dívida está impossível de ser quitada a dica é buscar um empréstimo com juros mais baixos que o cartão de crédito e cheque especial. Essa é a hora de ver o montante da dívida e qual a capacidade de pagamento. Feito isso, procure um banco para fazer um empréstimo, reduza limites e recomece”, pontuou o economista.
Além das pendências financeiras que ficaram acumuladas, o ano já inicia para muitos com despesas extras, como compra de material escolar e Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). No caso da escola, Amaury Gonçalves lembra que esse é um ano atípico com o retorno dos alunos às aulas no fim do mês. Os pais terão que se virar com o salário de janeiro para fazer a compra que antes era em fevereiro. Isso cria uma dificuldade adicional”, lembrou.
Em relação ao IPVA, aqueles que dispõem de reserva para quitar o imposto não devem parcelá-lo. Se tiver o dinheiro guardado compensa pagar à vista porque, mesmo guardado, ele não vai render o mesmo percentual na poupança. Quando parcelado as pessoas ainda correm risco de esquecer a data de vencimento e pagar multa”, comentou Amaury Gonçalves.
Em março, é a vez de entrar em cena o Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU) que, neste ano, coincide com o Carnaval. Por isso, o economista salienta a importância de não deixar de pagar o imposto para curtir a festa. Se não tiver o suficiente, opte por ter um feriado com menos gastos. E no caso de quem tem reserva é melhor pagar à vista. Se não, opte pelo parcelamento o que vai impactar no orçamento por vários meses”, frisou Amaury Gonçalves.
Poupar
O volume de depósitos em poupanças no Brasil cresceu em 2013. De acordo com levantamento do Banco Central, no ano passado, os depósitos em poupança superaram os saques, gerando captação líquida de R$ 71,047 bilhões, resultado recorde em toda a série histórica iniciada em 1995. Para Amaury Gonçalves, o número reflete o comportamento de grandes poupadores que tiraram dinheiro de fundos de investimento e colocaram na poupança. Com tributação do Imposto de Renda eles estavam com ganho igual ou menor que a poupança; daí a estratégia. Mas de maneira geral os brasileiros estão se conscientizando sobre a importância de guardar (dinheiro) para futuro”, analisou.
Para Amaury Gonçalves, o hábito de poupar é aprendido aos poucos, guardando pequenos valores. Pois são eles que comprometem o trabalhador. O aumento do salário mínimo, apesar do menor percentual, é uma boa perspectiva. Quem estava conseguindo manter as contas em dia o aumento é uma boa oportunidade para começar a poupança no valor de R$ 46 (valor do aumento no salário) todo mês”, sugeriu. A regra básica de planejamento financeiro aponta que o recomendado é poupar 10% da receita bruta e não comprometer o consumo diário com mais de 20% da renda. O restante fica para despesas essenciais”, completou o economista.
Não é hora para consumo supérfluo”
O ano começa com um panorama de algumas incertezas e pouco otimismo de crescimento no Brasil. Amaury Gonçalves afirma que a realização de eleições vai deixar o mercado em clima de insegurança, o que requer do consumidor precaução ao fazer novas dívidas. A taxa do dólar vai oscilar para cima e por ser um ano eleitoral teremos muito boato de mercado e insegurança. O Produto Interno Bruto (PIB) do país vai crescer menos. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também vai aumentar. A inflação está subindo e os juros vão aumentar para inibir o consumo. Para quem está endividado ou querendo entrar nessa o sinal é amarelo, cuidado. Exceto para financiamento da casa própria que é algo de longo prazo”, reforçou.
Diante do cenário, antes de comprar, há três importantes perguntas que o consumidor deve se fazer: eu tenho dinheiro? Eu preciso? Eu preciso nesse momento? Quem tem um veículo de três anos, por exemplo, não justifica trocá-lo. Até para coisas básicas, como máquina, geladeira. Se for possível, espere. Não é hora para consumo supérfluo”, salientou.
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