19 de janeiro, de 2014 | 00:00
HMI atendeu pacientes de mais de 200 cidades
Com demanda crescente, Hospital de Ipatinga se reestrutura após anos de abandono
DA REDAÇÃO - Única porta pública de urgência 24 horas” na região, voltada a pacientes de média complexidade, tanto ambulatorial quanto de internação e sem restrição para atendimento aos casos graves, o Hospital Municipal de Ipatinga (HMI) sofre com a sobrecarga de atendimentos. Referência em casos de urgência e emergência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), a unidade localizada no bairro Cidade Nobre atendeu, somente nos primeiros 15 dias deste ano, 4.130 pessoas, com média de 275,3 pacientes por dia. Porém, nas duas primeiras segundas-feiras do mês ocorreram picos de 344 procedimentos realizados, no dia 6, e 375, no dia 13.
Do total de 4.338 internações registradas no hospital em 2013, aproximados 33% são casos de pessoas residentes em outros municípios. A unidade é referência para 49 municípios no Vale do Aço e Leste mineiro, alcançando uma população de um milhão de pessoas. Segundo a direção do HMI, somente no início deste ano, pacientes de 11 cidades da região, além de Ipatinga, foram atendidos no local.
Após ficar em situação de abandono nos últimos anos, na avaliação da assessoria de comunicação da Prefeitura de Ipatinga, a partir de 2013, o HMI voltou a contar com novos profissionais e investimentos. A unidade hospitalar passou a ser tratada de forma estratégica no sistema de saúde municipal e regional, recebendo atenção especial por parte da administração municipal que conseguiu firmar parcerias junto aos governos estadual e federal, principalmente o Ministério da Saúde.
A saúde é um grande desafio, mas temos nos esforçado para oferecer à população um atendimento de qualidade e ainda garantir melhorias nas condições de trabalho para nossos servidores. Com os investimentos que temos empenhado para a área, estamos conseguindo reorganizar toda a rede. No mês que vem, por exemplo, Ipatinga vai ganhar a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas que irá contribuir sensivelmente para desafogar o Hospital Municipal, com atendimento a casos de urgência e emergência”, disse a prefeita Cecília Ferramenta (PT). A prefeita lembrou, ainda, da contratação de mais de 500 servidores ao longo do ano passado para reforçar o quadro de funcionários que atuam na saúde pública. A cidade passou oito anos sem receber investimentos nesta área”, observa Cecília Ferramenta.
Atualmente, 659 profissionais trabalham no HMI, o que inclui 105 médicos, 251 técnicos/auxiliar de enfermagem, 55 enfermeiros, além de assistentes sociais, farmacêuticos, fisioterapeutas, nutricionistas, odontólogos e psicólogos. A unidade conta também com dois atendentes no consultório dentário e técnico em radiologia, além de servidores que atuam nos serviços gerais e administrativos.
Perfil do usuário dos serviços do HMI
Boa parte dos pacientes de Ipatinga e de outras cidades, que procuram o HMI, poderia ser atendida em postos e centros de saúde localizados nos municípios. Relatório sobre o perfil dos atendimentos com classificação de risco revela que metade dos usuários registrados no Hospital de Ipatinga refere-se a pacientes das categorias verde e azul, segundo critérios do Protocolo de Manchester, representando casos de menor gravidade e que podem ser tratados em procedimentos realizados nas unidades básicas de saúde.
É o caso do pedreiro Arlissom Medeiros, de 30 anos, morador de Inhapim, que tentou atendimento médico para sua filha em Caratinga, mas acabou sendo atendido em Ipatinga, a 70 quilômetros da sua casa. Minha filha de 4 anos enfiou um grão de feijão no ouvido. Ninguém encontrou uma solução para o problema, até que recomendaram buscar ajuda em Ipatinga, onde existem mais recursos e melhor atendimento”, relatou o pedreiro, que foi atendido na manhã de segunda-feira (6/1).
Ainda conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde, em todo o ano passado, pacientes de mais de 200 cidades do Brasil e até do exterior foram atendidos no Hospital de Ipatinga. O custeio para manutenção da unidade hospitalar chega a R$ 2,5 milhões por mês. Os serviços de urgência e emergência devem ser prestados a qualquer cidadão, independentemente do seu local de origem, seguindo as diretrizes do SUS”, disse o secretário municipal de saúde, Eduardo Penna, justificando o volume de atendimentos no HMI.
Com fortes dores no braço direito, por causa de uma queda de escada, a secretária Erenice Lurdes Fidelis, de 29 anos, procurou atendimento em Ipaba, onde mora. Sem conseguir, também se deslocou até Ipatinga e foi consultada no setor de ortopedia do HMI, na primeira semana do ano. O atendimento foi rápido e, felizmente, não foi nada sério. Agora é fazer repouso”, contou a jovem.
Hospital recebe novos investimentos
Obras, novos programas e contratação de profissionais vão suprir demanda
DA REDAÇÃO - Para garantir atendimento de qualidade aos pacientes que procuram o Hospital Municipal de Ipatinga, a administração municipal conseguiu reabrir no ano passado, 14 leitos de internação adulta, de um total de 22 desativados no governo anterior. A prefeitura também recuperou R$ 17 milhões em projetos para serem aplicados na ampliação e conclusão do HMI. A construção do Bloco E, que equivale ao setor administrativo, já está com as obras em fase inicial, com investimentos da ordem de R$ 3 milhões.
Ainda no ano passado, o aparelho de tomógrafo, adquirido em 2010, mas que nunca havia entrado em operação por falta de equipe técnica qualificada para realizar os exames, finalmente começou a funcionar. O equipamento tem capacidade para realizar 5 mil exames por ano a um custo de R$ 800 mil/ano.
De janeiro a novembro de 2013, a prefeituraconvocou mais de 500 profissionais aprovados em concursos públicos e processos seletivos de diversas áreas, sendo 180 exclusivamente para o HMI, com a finalidade de regularizar, reorganizar e recompor a rede pública municipal de saúde.
De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o Hospital Municipal de Ipatinga possui atualmente 162 leitos disponibilizados para atendimentos de urgência e emergência. Um deles é ocupado há mais de um mês pelo aposentado Oliveira João de Paula, 82 anos, morador do bairro Bom Jardim, que fraturou o fêmur e apresentou um quadro de pneumonia. Considero o atendimento hospitalar muito bom, não tenho nada a reclamar, pois o meu pai recebe toda atenção necessária”, conta a filha do aposentado, a dona de casa Luciane de Paula, 47 anos, que veio de Vitória (ES) para acompanhar o pai hospitalizado no início do ano.
Prefeitura de Ipatinga reestrutura rede de saúde
A partir de março, a efetivação de mais três equipes do Programa de Internação Domiciliar vai ajudar a desafogar o número de internações no HMI. Conforme a Secretaria de Saúde de Ipatinga, a previsão é de que o programa ampliado consiga atender de 120 a 150 pacientes em casa. A atenção domiciliar proporciona ao paciente um cuidado contextualizado à sua cultura, rotina e dinâmica familiares. Além disso, diminui o risco de infecções, potencializa a melhor gestão dos leitos hospitalares e serve de porta de saída para a rede de urgência/emergência”, analisa Eduardo Penna, secretário de Saúde de Ipatinga.
Outra oferta de serviços de saúde que deverá impactar em redução do número de atendimentos no Hospital de Ipatinga é a Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 Horas). Construída em 2013, no bairro Canaã, a unidade será entregue toda equipada à população no próximo mês de fevereiro, com infraestrutura suficiente para atender a cerca de 350 pessoas por dia.
A implantação da UPA 24 Horas, além de desafogar a porta do hospital, é considerado pela prefeitura um importante passo para a reestruturação do sistema de saúde, visando assegurar a melhoria da qualidade no atendimento aos usuários da rede pública do município.
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