19 de janeiro, de 2014 | 00:00

“Eles (governo) querem que o idoso morra!”

Piso das aposentadorias está achatado, é motivo de reclamações e de um encontro em Aparecida do Norte


IPATINGA – Mesmo após os benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aos aposentados e pensionistas que recebem valor acima de um salário mínimo serem reajustados em 5,56%, a classe está insatisfeita. O índice, oficializado recentemente por meio de portaria dos Ministérios da Fazenda e da Previdência Social, é considerado insuficiente.

O vice-presidente da Associação dos Metalúrgicos Aposentados e Pensionistas de Ipatinga (AAPI), Edízio Simplício Netto, avalia que o salário está “achatado”, o que tem provocado preocupação e desagrado.
Com o aumento, o teto da Previdência Social subiu de R$ 4.159 para R$ 4.390,24. O índice de 5,56% refere-se à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2013, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Simplício, que também é vice-presidente da Federação dos Aposentados do Estado de Minas Gerais, observa que a classe em todo Brasil vê com indignação o quadro, onde o aposentado que recebe acima do piso teve seu salário achatado.

“Hoje o teto do INSS para quem ganha acima de um salario mínimo é R$ 4.390,24, sendo que em 2013 era R$ 4.159, equivalente a 6,13 salários mínimos, e hoje passou para 6,06 salários mínimos. O aposentado está com uma perda de 87% em seu salário e isso não é certo. Todos os aposentados do Brasil estão indignados com isso e estamos lutando, tanto a associação de aposentados daqui quanto a confederação dos aposentados do Brasil. Estamos fazendo um trabalho conjunto para ver se conseguimos alguma melhora”, disse.

Simplício destaca que faltam explicações do governo a respeito das perdas sofridas nos benefícios previdenciários. Entretanto, se o fizesse, utilizaria os mesmos argumentos dados para todo assunto que envolve valores. “Ao longo dos anos a desculpa é que tem problema como o Produto Interno Bruto (PIB), com a dívida do país, mas não tem nada disso, não existe nada disso. O governo não tem explicação para dar para os aposentados. Em minha opinião, o que deveria ser feito é dar uma resposta nas urnas, esse é a única coisa que o aposentado pode fazer mesmo. Quando se está produzindo, trabalhando, é uma coisa, mas depois que você se aposenta vira uma doença e não se consegue tirar dinheiro do governo, que quer é que você ganhe menos”, opina.

Como a média de idade da população aumentou, cresceu o número de idosos, bem como o de aposentados, o que seria ruim para as finanças do governo, observa o dirigente. “Estão morrendo poucos idosos e eles (governo) querem que o idoso morra, porque está vivendo muito e tirando mais dinheiro dos cofres. Que ideia é essa? O dinheiro que o trabalhador paga na vida ativa não volta para ele, mas é utilizado para o pagamento de dívida do governo, para fazer campanha eleitoral, para o Bolsa Família e muitos outros fins. Para poder se manter a maioria dos aposentados voltou a trabalhar para ter uma vida ‘mais ou menos, não uma vida boa’. Não somos ninguém contra o governo e não sabemos o que ele, (governo) quer fazer conosco”, lamentou.

Encontro
O vice-presidente da AAPI, acrescenta que, no próximo dia 24, haverá um encontro nacional dos aposentados em Aparecida do Norte (SP), para o qual foram convocadas as associações e federações de todo o Brasil. “Faremos reuniões e extrairemos uma carta para enviar à presidente da República (Dilma Rousseff, PT), falando sobre esse achatamento que chega a 87%. A diretoria não abrirá mão de lutar por isso e o presidente da associação, José Clementino e eu também iremos a esse encontro”, concluiu.
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