19 de janeiro, de 2014 | 00:00
Centenário é exemplo de motivação
Morador do bairro Vila Formosa ensina que, para chegar ao 100 anos, só é preciso ser simples
IPATINGA Para viver bem e por muitos anos, não há nenhuma fórmula pronta. O negócio é não esquentar a cabeça”, diz o bem-humorado João Fabiano Rodrigues, apoiado em sua bengala. Nesta segunda-feira (20), ele completa 100 anos de vida. E em todo esse tempo, mantém a humildade e o jeito simples, conta a família de muitos integrantes. E não é preciso conversar muito com o patriarca para ter certeza disso. Sô João” gosta mesmo é de uma boa piada, de dar boas risadas.
A trajetória não falha à memória. Até porque ele garante se lembrar de coisas que fazia aos quatro anos de idade.
João Fabiano é de Ubá, na Zona da Mata mineira. Nascido em 20 de janeiro de 1914 - dia de São Sebastião, protetor contra a fome e a guerra o homem que completa nesta segunda-feira um século de vida assegura que já passou por umas 300 cidades brasileiras.
Bem vivido, João já fez de tudo um pouco. Foi campeiro, incumbido a cuidar do gado nas fazendas por onde passou, roceiro, lavrador, pedreiro, e uma sorte de outras profissões. Casou-se em 28 de julho de 1937. O primeiro filho veio em 1939. E, a partir daí, a família não parou. Ao todo, são 10 filhos (um já falecido), 37 netos, 35 bisnetos e 7 tataranetos.
Depois de passar pelos municípios de Jequeri, Raul Soares e muitos outros, a família de João Fabiano veio parar em Ipatinga na década de 1970. Vieram com outros parentes e amigos para trabalhar na Usiminas. Isso aqui era terra pura”, lembra o morador da rua Itaipu, no bairro Vila Formosa.
A mulher dele morreu em 1986, vítima de um derrame. Mas João não ficou sozinho. Família unida como a dele é até difícil de encontrar.
Das saudades, a roça é a que mais lhe faz falta, confessa. Eram outros tempos, outros ares, outras histórias. Roubei muita cana dos outros”, brinca João, que a essa altura deixava escapar algumas lágrimas.
Sobre o que ainda espera da vida, o idoso sacramenta: Quero viver até quando Deus quiser”. Quanto a isso, a filha Francisca Salomé Theza, 69, diz que só pede aos céus que quando chegar a hora, que seja da forma mais tranquila possível.
Mas isso não é coisa para se pensar. Importante mesmo são as coisas boas a se viver. Ele sempre foi um pai excelente. E manter a vida foi difícil. Mas o lema era: o que tinha, tinha; o que não tinha, não tinha. Ele nunca teve uma depressão sequer”, comenta, por sua vez, a filha Nair Izabel Rodrigues dos Reis, 61.
Para o neto, André Luiz Rodrigues, 24, o avô é um exemplo de motivação. Meu avô João é um exemplo de como é bom viver bem a vida. Ele tem uma autoestima que contagia a todo mundo. Mesmo com algumas limitações ele não se deixa abater. Todo dia pela manhã, por exemplo, ele sai para dar uma volta e conversar com o pessoal. É sempre muito feliz”, se admira o neto.
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