23 de janeiro, de 2014 | 00:00

Após incêndio, Ascari busca nova sede

Galpão no bairro Bethânia foi totalmente destruído; prejuízos da entidade ainda não foram contabilizados


IPATINGA – As 35 famílias cujo sustento depende do trabalho realizado junto a Associação de Catadores de Recicláveis de Ipatinga (Ascari) amanheceram ontem sem o seu tradicional ponto de coleta de materiais. A sede da entidade, localizada entre a avenida Sidônia e rua Neemias, no bairro Bethânia, foi totalmente destruída por um incêndio de grandes proporções ocorrido na noite de terça-feira (21).

O material depositado no local e equipamentos foram consumidos pelo fogo. Durante o dia de ontem a maior preocupação era com a segurança de pessoas que passavam e moram no entorno do galpão. Na rua Filipenses uma parede de cerca de 8 metros ameaça cair. Por questões de segurança, a Defesa Civil interditou as ruas Neemias e Filipenses.

Enquanto tenta calcular os prejuízos e se preocupa com a segurança no local, o presidente da entidade, José Geraldo Isaías, afirmou que já está à procura de uma nova sede para a Ascari. “Vamos retomar o trabalho o mais rápido possível. Já estamos olhando outro galpão. Nesta tarde (ontem) me reuni na Prefeitura de Ipatinga para tratar do assunto. São 35 famílias que dependem da Ascari para sobreviver, não podemos parar”, declarou José Geraldo Isaías.

Em dezembro de 2012, a Ascari interrompeu suas atividades por falta de convênio com a administração municipal. Os trabalhos foram retomados no galpão do bairro Bethânia em agosto do ano passado. Por meio da verba repassada pela PMI, a entidade custeava o aluguel do espaço, agora destruído. Por falta de um seguro o prejuízo foi total. “Estávamos recentemente nos preparando para fazer o seguro. Agora teremos que arcar com os prejuízos que ainda não contabilizamos”, comentou José Geraldo Isaías.

Sonho
Wellington Fred


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 O presidente da entidade informou que o atual galpão era três vezes maior do que a sede anterior e já estava cheio de material. Recentemente muitos equipamentos foram reformados e outros adquiridos para melhorar o trabalho. José Geraldo Isaías definiu o incêndio como “um sonho jogado no chão”.

Apesar do momento de dificuldade, o presidente da Ascari salienta a importância de o grupo continuar trabalhando. “Nossa fé não pode morrer junto. Estamos de pé e vamos continuar sonhando. No momento estamos mais preocupados com a segurança. Nós perdemos tudo, material de segurança, equipamentos novos e reformados. Era nossa vida nova após o período parado, mas agora vamos começar de novo”, frisou José Geraldo Isaías.

Desespero
Wellington Fred


galpão ascari
 A catadora da Ascari, Vanessa Fernanda Pereira, disse que ficou sabendo da notícia na noite de terça, ao chegar da igreja. “Para nós foi um desespero total. Ontem (terça) estávamos felizes pelo material que separamos e ao ver o galpão lotado pela primeira vez. As famílias que vivem da Ascari geralmente têm muitos filhos e pagam aluguel”, relatou.

A entidade faz um trabalho social com disponibilização de refeições diárias para os catadores. Vanessa Fernanda lembra que no período de fechamento da associação ela passou dificuldade. “Sofremos muito e agora essa tragédia. Mas não vamos perder a fé. Catador é marginalizado e dificilmente consegue outro emprego. Alguns não sabem ler, escrever, nem contar dinheiro. Precisam da Ascari”, salientou.

O catador Nilton Anis está no ofício há um ano e se deparou com o galpão no chão quando foi trabalhar na manhã de ontem. “Por mês tiro de R$ 400 a um salário mínimo. Varia de acordo com o que eu cato. Posso vender para outros lugares por enquanto. Mas aqui é melhor, porque pagam bem e temos refeição”, contou o catador.

A fatalidade
Wellington Fred


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 Para combater o incêndio a equipe do Corpo de Bombeiros de Ipatinga usou cerca de 80 mil litros de água. O subtenente do Corpo de Bombeiros, Anderson Estevan, informou que o incêndio teria iniciado com um sofá em chamas, por volta de 20h30. “Segundo relatos de testemunhas, uma pessoa ainda não identificada ateou fogo em um sofá velho que estava na calçada. Acredito que o princípio de irradiação do calor atravessou o muro e provocou o incêndio no material”, relatou.

Os bombeiros contaram com apoio da Usiminas, Defesa Civil, Polícia Militar, e pessoas que moram no entorno. “O combate foi complexo para proteger a residência na divisa com o muro. Cerca de 20 homens foram empenhados no combate”, avaliou o subtenente. A operação encerrou 1h de hoje. Pela manhã foi realizado o rescaldo para evitar que os focos aumentassem e espalhassem. 

 
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