24 de janeiro, de 2014 | 00:00
Moradores reivindicam retomada das obras de pavimentação da MG-760
Protesto interditou a MG-760 na manhã desta quinta-feira, em Cava Grande
MARLIÉRIA - Moradores voltaram a interditar rodovia MG-760, no trecho do distrito Cava Grande, no município de Marliéria. A comunidade reivindica a retomada das obras da estrada, paralisadas há cerca de 30 dias, em razão de uma liminar judicial. Com o bloqueio na estrada nesta quinta-feira, 23, os manifestantes cobraram um posicionamento do governo estadual e discordam dos questionamentos ambientais feitos em relação à obra.
O fechamento da MG-760 na saída de Cava Grande foi iniciado às 5h. Faixas e pneus foram utilizados para impedir a passagem de veículos. Apenas ambulâncias e carros com cargas vivas foram liberados. Ônibus, caminhões e veículos de passeio permaneceram parados durante horas, impedidos de continuar viagem.
José Carlos Mateus, um dos organizadores da manifestação, afirma residir há muitos anos na região de Cava Grande e conta que o sonho de ver a estrada asfaltada se tornou um verdadeiro pesadelo. O Vale do Aço está desacreditado com tantas obras prometidas e não cumpridas como a 760, a ponte de Fabriciano e a duplicação da BR-381”, frisou.
Os moradores também temem pelo desemprego de dezenas de trabalhadores das localidades próximas a estrada já que a construtora estaria deslocando algumas máquinas para outras obras, de responsabilidade da empresa. Essa paralisação tem ameaçado o emprego de muita gente aqui da região, alguns já foram mandados para casa até que essa obra seja retomada e muitas máquinas estão indo embora”, lamentou.
O motorista José Romualdo de Oliveira estava desde as 6h esperando a liberação da estrada, mesmo assim ele apoia o movimento. Eu passo aqui diariamente e quando chove essa estrada fica intransitável, quando para de chover são os buracos que atrasam a viagem ainda mais e só assim mesmo, para chamar atenção do governo”, opinou.
O vereador Marco Túlio Martins (SDD), por sua vez, disse sobre a intenção do legislativo em realizar uma audiência pública com as partes envolvidas e chamar a Fundação Relictos para explicar os questionamentos feitos em relação à obra. Tem que ter um elo de comunicação e conciliação entre o meio ambiente e as obras. Isso envolve muita gente, pois liga o Vale do Aço a Zona da Mata”, defendeu o vereador.
Liminar
O serviço de pavimentação da rodovia foi iniciado em setembro do ano passado, mas com a decisão de suspender a obra de pavimentação da MG-760 da juíza da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, Lilian Maciel Santos, deferiu o pedido de liminar formulado pelo Ministério Público de Minas Gerais. Com isso as obras foram suspensas no último mês.
Resposta
Em nota encaminhada pela assessoria do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) o governo do estado informou que a ordem de início para execução das obras foi emitida com base na Licença Ambiental de instalação Ad Referendum”, emitida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), subsidiada pelos estudos ambientais RCA (Relatório de Controle Ambiental) e PCA (Plano de Controle Ambiental), elaborados pelo DER/MG, em atendimento às exigências estabelecidas pela Semad.
Mas, na reunião da Unidade Regional Colegiada do Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM) Leste de Minas, em Governador Valadares, onde o licenciamento seria referendado, a Fundação Relictos, de Ipatinga, solicitou vista ao processo. O DER, prontamente, prestou todos os esclarecimentos solicitados pela Ong em seu pedido de vistas.
A nota diz ainda que os trabalhos foram suspensos e o DER, por meio da Advocacia Geral do Estado (AGE) buscou a cassação da liminar para continuidades da obra, sem conseguir êxito. Em função disso, a AGE está buscando novas alternativas para a cassação da liminar, possibilitando o reinício da obra, importante ligação entre a BR-262 e BR-381, que irá proporcionar a redução de aproximadamente 100 quilômetros na ligação entre o Vale do Aço a Zona da Mata.
Movimento teme retaliações contra parque florestal
Conforme relato dos organizadores do movimento em defesa da retomada das obras, alguns moradores estariam relacionando a suspensão da obra com uma decisão de proteção ao Parque Estadual do Rio Doce (Perd). Com isso, o movimento teme retaliações contra a unidade ambiental. Muitas pessoas têm falado que tem que colocar fogo no parque pra resolver a situação e nós estamos pedido a conscientização da população porque o parque não tem nada a ver com essa história”, argumentou o morador José Carlos Mateus.
Durante a apuração da matéria, a reportagem do DIÁRIO DO AÇO testemunhou um morador repetindo o mesmo discurso e afirmando que é preciso colocar fogo no parque para resolver o problema da estrada”.
MAIS:
Movimento popular fecha hoje a MG-760 - 23/01/2014
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