25 de janeiro, de 2014 | 00:00
Histórias entre uma correspondência e outra
No Dia do Carteiro, profissionais relatam fatos curiosos e dificuldades do ofício
IPATINGA Hoje é dia de lembrar dos profissionais que levam diariamente as correspondências até as nossas casas, faça chuva ou sol. O Dia do Carteiro é celebrado em 25 de janeiro em memória a criação do Correio-Mor no Brasil, em 1663, cujo primeiro titular foi Luiz Gomes da Matta Neto, que já era o Correio-Mor do Reino, em Portugal. Com a sua nomeação, começou a funcionar os Correios no Brasil como uma organização paraestatal e qualificado para receber e expedir toda correspondência do Reino.
Desde então a profissão evoluiu, mas a missão permaneceu a mesma. Para falar sobre essa rotina, nesta data especial o DIÁRIO DO AÇO conversou com três carteiros que atuam em Ipatinga: Geraldo Gomes de Oliveira, 50 anos e 14 de ofício; Isabel Cristina Soares, 38 anos e 10 de profissão e o recém-chegado ao time, Rones Ismael Lima, 31 anos, com cinco meses de trabalho.
Os carteiros relatam que andam por dia entre 6 e 10 quilômetros, com auxílio de muito protetor solar fornecido pela empresa. Antes de sair, eles realizam um dinâmico trabalho de organizar as correspondências por endereço. Após andar com as malas cheias, eles chegam ao fim da jornada com muita história para contar.
Geraldo Gomes de Oliveira, afirma que carteiro precisa saber lidar com situações adversas. Temos que ser flexíveis e até meio psicólogos. Quando nos deparamos com algumas situações de estresse temos que buscar equilíbrio e contornar (o problema)”, disse.
Afinidades
Isabel Cristina Soares destaca que ao longo do trabalho os carteiros acabam criando afinidades com as pessoas dos locais por onde passam. Teve um caso em que uma senhora onde eu sempre passava queria muito lavar o tapete, mas não tinha força para estendê-lo no muro. Aí ela combinou comigo de lavar no horário e dia que eu já passava por lá e, assim, pude ajudá-la. Isso é muito gratificante”, declarou.
Notícias boas e ruins também passam pelas mãos dos carteiros. E na hora de recebê-la o destinatário vê neles o primeiro ombro para rir ou chorar. Já aconteceu de entregar um telegrama informando o falecimento de um parente e a pessoa chorou comigo. Por outro lado, teve um caso de um bastistério (documento de batismo da igreja católica) que entreguei para uma moça que ia se casar e dependia dele para confirmar a cerimônia. Ela comemorou a entrega e ainda fui convidada para o casamento”, recorda Isabel Soares.
Ao se recordar de situações marcantes, o carteiro Geraldo Gomes contou uma história que acabou em amizade. Certo morador onde eu entregava correspondência não gostava de mim. Estava sempre de mau humor e me tratava mal. Mas o dia que entreguei a ele sua carta de aposentadoria tudo mudou. O homem ficou feliz e fez questão de me dar R$ 20. A partir daí, nos tornamos grandes amigos”, revelou Geraldo Gomes.
Crianças
Os carteiros geralmente são bem quistos pela criançada. Onde passamos eles nos acolhem bem com um sorriso e nos admiram”, comentou o novato Rones Ismael. Durante a campanha Cartas para o Papai Noel” dos Correios, alguns funcionários apadrinharam uma cartinha que tinha um pedido bem peculiar: que o presente fosse entregue por meio do serviço do Sedex.
Rones Ismael ficou responsável por levar o presente até a criança, que foi colocado em um envelope com uma imagem do Sedex para realizar o desejo da criança, já que não era possível emitir a correspondência pelo tipo de serviço. Quando entreguei o presente a criança ficou em êxtase e ficou muito feliz porque era pelo Sedex”, comentou Rones Ismael. Outro fato lembrado por ele foi a entrega da primeira Carteira de Habilitação a um jovem. Foi muito bom comemorar com ele. Nosso trabalho em geral é muito reconhecido pela população”, frisou o carteiro.
Dicas
Cachorros, mau-humor e falta de identificação numérica nas casas estão entre os principais desafios enfrentados por esses profissionais. As casas sem número e caixas de correio próximas a lixeiras completam a lista dos principais obstáculos dos carteiros. O número da casa é essencial para entregar a correspondência. Temos prazer em levar correspondência para as pessoas e um copo dágua ou de suco é sempre recebido como presente”, concluiu o trio de carteiros.
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